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domingo, 22 de março de 2020

Diário da 'Quarentena' - 22 de março



Desde ontem há uma grande campanha de alerta sobre estes dais de contágio que culminarão no pico de doentes em abril/maio. Juntei-me a esta corrente de informação, pesquisando, informando, alertando.

As tarefas de hoje incluíam passagem pelo bairro Mathias Velho em Canoas e, em Porto Alegre, 3 paradas me fizeram passar pelo bairros Santa Cecília, Petrópolis, Jardim Botânico, Tristeza, Partenon, Nonoai, Cavalhada e tudo que estivesse nesse caminho.

Na “orla” pessoas caminhando, brincando com crianças, ciclistas em suas montarias caras, idosos sentados nos bancos,  alguns só de bermuda, encostados em superfícies que sabe-se lá quem encostou ali... Já deveria haver um cuidado em ‘’tempos normais’. Imagina agora. Pior é que não ouvem autoridades municipais e estaduais e agem como se fossem imunes a qualquer doença.
Por pura observação pelos lugares onde passei, os bairros de residências mais humildes eram o que estavam vazios. Talvez por que saibam da dificuldade de acesso ao sistema de saúde em dias comuns e tenham consciência do problema que é estar doente. Nos bairros mais classe média e alta, gente na rua, caminhando, bicicletando com crianças. Não o número de pessoas que estaria em um domingo comum de sol, mas ainda assim, havia gente na rua.

Já que a república federativa está à deriva, os executivos municipal e estadual não poderiam pedir tempo nos veículos de comunicação dentro de programas jornalísticos e fazer um alerta e divulgar diretamente à população as medidas tomadas e suas razões?

MUITA GENTE AINDA NÃO ENTENDEU!!

domingo, 25 de março de 2018

Troféu sem prêmio e sem voz?



A julgar pelos comentários virtuais pós festim, a classe teatreira de Porto Alegre teve a cerimônia de Açorianos e Tibicuera que merecia.

Há alguns anos, quando os grupos que participavam do moribundo projeto Usina das Artes resolveram usar a premiação – na época transmitida ao vivo em canal de televisão local - como espaço público de manifestação não pensaram que os premiados ficariam tão inebriados pela deferência que ‘esqueceriam’ de levantar questões tão importantes quanto o risco que se corria da extinção do projeto. Agora praticamente não existe, mas quase ninguém parece incomodado.

Premiado com troféu, mas calado pela ausência providencial de microfone, apesar da estrutura montada e das performances contratadas pela Secretaria, nem mesmo o sumiço da verba dos módicos prêmios às ‘principais’ categorias de premiação é motivo de indignação.

Ouça seu nome e passe no balcão para recebeu seu brinquedo novo. Essa é a nova modalidade de premiação que deveria ser o reconhecimento pela excelência do trabalho artístico. Criado devido à intensa movimentação teatral e pelo aumento progressivo do público de teatro em 1977, os Troféus Açorianos e Tibicuera hoje são figuras patéticas que envergonhariam Vasco Prado. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

E AÍ? VAI FICAR SENTADO PENSANDO QUE TUDO QUE TE CONTAM NA TV É A PURA VERDADE?

Uma das ideias mais difundidas no Brasil é de que funcionário público é tudo aproveitador, vagabundo que deixa o casaco na cadeira e só volta para bater o ponto. Recentemente (e novamente) artistas foram incluídos no rol dos mamadores das tetas do governo quando sabemos que a verdade é bem diferente disso. Agora a sociedade vai permitir que um DESgovernador venda a preços irrisórios empresas fundamentais para valorização da educação e da cultura no Estado do RS? 

Servidores públicos estaduais, civis e militares, ativos e inativos vivem há décadas situações terríveis enquanto tentam cumprir suas atribuições e, cada vez mais desvalorizados, enfrentam falta de estrutura para trabalhar e agora parcelamento de salários. A RESPONSABILIDADE É NOSSA, MESMO DAQUELES QUE NÃO ELEGERAM ESSE IGNÓBIL. 

Vamos ficar calados como ficaram aqueles que permitiram genocídio de judeus, ciganos, negros e gays no século passado? 

CULTURA E EDUCAÇÃO são os principais alvos desse desmonte do Estado justamente por serem capazes de ensinar a pensar. Alguma coisa está muito errada quando uma empresa estatal que dá lucro (CORAG lucrou 7,7 mi em 2015) é cotada para ser extinta com argumento de economia, não é?

PRECISAMOS LEMBRAR QUE SÃO PESSOAS QUE TIVERAM TODO TIPO DE OPORTUNIDADE EDUCACIONAL E CULTURAL os responsáveis pelos maiores desmandos, roubos e atos de corrupção.

PRECISAMOS CRIAR A CULTURA DE COBRAR OS CHAMADOS REPRESENTANTES DO POVO PARA QUE AJAM COMO TAL! Mais que nosso direito, é nosso DEVER!

PRECISAMOS SIM, ACABAR COM A CULTURA da sonegação de impostos, ESPECIALMENTE DOS EMPRESÁRIOS AMIGOS DAS AUTORIDADES GAÚCHAS QUE DEVEM MAIS DE 11 BILHÕES AO ESTADO. CADÊ O PACOTE DE PARCELAMENTO PARA COBRANÇA DESSA DÍVIDA?

PRECISAMOS ACABAR COM A CULTURA de que é sempre “o outro”, o vagabundo, um dia dirão que é você.

PRECISAMOS VALORIZAR A CULTURA DE BUSCAR INFORMAÇÃO EM VÁRIAS FONTES, DE CONVERSAR COM SERVIDORES DIRETA E INDIRETAMENTE AFETADOS por desmandos e incompetência de “autoridades” com altíssimos salários (que eles mesmos aumentam quando lhes convém) que são parte das verdadeiras causas da situação degradante que vivemos.

PRECISAMOS ACABAR É COM A CULTURA DE QUE “NÃO É COMIGO”, POIS UM DIA SERÁ, NÃO HAVERÁ MAIS NINGUÉM A QUEM RECORRER.

PRECISAMOS ACABAR COM A CULTURA DE QUE EDUCAÇÃO E ARTE NÃO COMBATEM A CRIMINALIDADE quando oferecem novas oportunidades à população.

Os primeiros alvos foram estudantes, professores, artistas. Em seguida seu vizinho, servidor público que já não consegue pagar todas as contas. Daqui a algum tempo será na sua família, será você.



E AÍ? VAI FICAR SENTADO PENSANDO

 QUE TUDO QUE TE CONTAM NA TV É A

 PURA VERDADE?

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Por um shortinho?

Recebi um convite, no mínimo, instigante.
Assinar um “abaixo-assinado” para que alunas do Colégio Anchieta possam usar “shortinhos” dentro da instituição. Fui me inteirar do que estava acontecendo e  uma frase que definiu minha opinião: “não é pelo shortinho”.

Então é pelo que?

Pela discriminação que as professoras e funcionárias do colégio eventualmente sofrem?
Pela diferença salarial que vislumbram em seus futuros?
Pela ausência de gurias negras do corpo discente da escola?
Pela discriminação que sofremos cotidianamente em ambientes profissionais e tantos outros?
Pela mudança na legislação que permite que uma instituição privada faça suas regras?
Pela climatização do caminho de casa ao transporte climatizado e dele à sala de aula – provavelmente climatizada, ou vão querer me convencer que as salas do Anchieta não tem ar condicionado?
Sendo o Anchieta uma instituição criada e gerida por religiosos, deve ser pela igualdade de gênero internamente na ICAR, não?

Acho a discussão específica  tão necessária quanto uma injeção na testa.
O debate provocado sim, parece interessante, desde que essas meninas consigam ver além do próprio umbigo.
Respeito é fundamental e isso só se consegue com uma discussão franca e aberta até que comecemos a criar gerações de pessoas que não ligam para a roupa que o outro usa: curta, aberta, fechada, cara ou barata. Que não se incomodam com a crença ou a cor da pele, com a identidade de gênero ou sexual de cada pessoa. ESSE É O PONTO.

O machismo só existe por que nós, PESSOAS de todos os gêneros o perpetuamos. Que tal levar o debate adiante? Levantar na escola a condição real de professoras e funcionárias? Extrapolar os muros bem guardados da escola e de suas casas, olhando os crimes cometidos contra mulheres? Por que essas meninas não vão a um abrigo onde mulheres agredidas se escondem com seus filhos?

Brigar por causa de uma roupa, a meu ver, só é aceitável quando estiver embasada por conquistas realmente importantes, como universalização da alimentação e da saúde, respeito pelo/a  profissional de qualquer  gênero, direito a voto universal,  igualdade de condições humanas, profissionais (e tudo mais) em todos os níveis para todos os seres humanos.


Bom, daí, com as pessoas aprendendo a respeitar umas às outras, como gostam de serem respeitadas, nem vai precisar brigar por um shortinho, né?

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

“todo poder emana do povo e em seu nome será exercido"

Fica claro que autoridades eleitas e aquelas por elas empossadas são espelho de uma sociedade.
Ao receber olhares debochados quando retirava galhos das calçadas, lembrei o que diferencia o cidadão do mero habitante. Lembrei o que nos diferencia dos japoneses, por exemplo. “Como exigir dos outros, qualidades que ainda não temos”?

No Japão a população se mobiliza para auxiliar na limpeza, reorganização dos espaços públicos a cada evento climático de grandes proporções. E esta sociedade elege seus representantes e cobra deles o planejamento, o treinamento de equipes técnicas e da população para agir com tranquilidade e de forma eficaz com equilíbrio nas contas públicas.

No Brasil, a população acredita que ao delegar poder a uma pessoa que ela mal conhece, fica isenta de qualquer responsabilidade, quando é justamente o contrário. Uma autoridade eleita ou nomeada é tão povo quanto todos os outros. É mais ou menos como o síndico de um condomínio. O patrimônio é de todos. E os condôminos fiscalizam junto seu trabalho.

Obviamente que deve-se ter o cuidado de não mexer em pontos ou materiais que exijam conhecimento técnico, como árvores caídas sobre fios da rede elétrica. Mas ajudar na remoção e limpeza do que for possível, agiliza a liberação de vias públicas, facilitando o acesso das equipes da prefeitura e da distribuidora de energia elétrica.

De outro lado, pelas ações que pudemos ver pela cidade e entrevistas que ouvimos de autoridades e empresas diretamente envolvidas como CEEE e DMAE, fica clara a necessidade de um planejamento mais competente dos responsáveis pelo gabinete especial montado para assistir a população em eventos cada vez mais frequentes de catástrofes climáticas. As equipes da prefeitura não podem simplesmente ‘adivinhar’ onde há necessidade de remoção de entulhos, daí a importância da colaboração dos cidadãos, mas principalmente da existência de “seres pensantes” que possam avaliar previamente os locais afetados para não vermos equipes da prefeitura limpando internamente os parques quando diversas ruas e avenidas continuam bloqueadas. Para isso é necessário contar com o bom senso geral de evitar situações de risco, como caminhar sob árvores em parques. 

Entendido está que todas estas equipes da prefeitura precisam ter equipamento e pessoal qualificado para mover entulho ligado à fiação elétrica, investimentos de grande porte precisam ser feitos e a legislação ser avaliada sob ponto de vista técnico. Alterações que permitam, por exemplo, que técnicos competentes da distribuidora de energia possam realizar o corte de árvores e galhos que estejam totalmente derrubadas. Precisamos avaliar parcerias e planejar gradativamente a instalação subterrânea da rede elétrica pois mesmo com um alto custo inicial a economia seria efetiva a médio prazo. É necessário investimento na pesquisa da adaptação de geradores que funcionem à base de água para autossuficiência da coleta, tratamento e distribuição da água em Porto Alegre.


É nossa responsabilidade oferecer sugestões e auxiliar o planejamento debatendo questões públicas de forma coerente, abdicando da postura inócua de reclamar em redes sociais ou veículos de comunicação.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

PENSAMENTOS E ESCLARECIMENTOS que me parecem pertinentes neste momento de exceção que estamos vivendo.

O bairro ARQUIPÉLAGO de Porto Alegre é formado por 16 ilhas no delta do Rio Jacuí. Informação desconhecida por uma grande parte da população de Porto Alegre, assim como o fato de que há muitas famílias habitando essas ilhas e, diferente do que muitos pensam, não são todos de baixa renda. Há desde casebres simples a mansões de mais de 8 milhões de reais com lanchas de passeio nos fundos.

As enchentes causadas especialmente pelo excesso de chuvas atingiram a todos, indiscriminadamente e a este bairro, mais que a maioria. Mas, ao contrário daqueles com ótimas condições financeiras, famílias de baixa renda – além de limites inimagináveis a nós, das “áreas mais secas” da cidade – ficam em casas alagadas para evitar que sejam saqueadas se forem para um dos escassos lugares para desabrigados, em meio a outras tantas famílias. Os pertences ainda secos, objetos como eletrodomésticos – se tiverem tempo – são erguidos sobre móveis para evitar o prejuízo.

O deficiente sistema de transporte fluvial e rodoviário que serve aos moradores da região foi obviamente interrompido. Raríssimos veículos existentes nessas regiões mais humildes podem ser usados – alguns estão enguiçados dentro d’água, outros que saíram não podem circular dentro dela. Assim, é óbvia a dificuldade para deslocamento em busca de água potável, comida, atendimento médico, medicação, roupas, calçados, fraldas, cobertas, colchões.

 Desconhecidas da maioria da população e cotidianamente ignorados pelo poder público,  essas pessoas (idosos, adultos, crianças – inclusive recém-nascidas) continuam em casa ou acampadas à beira do asfalto das estradas.

Assim como em diversos lugares do Estado, centenas de voluntários em Porto Alegre dedicam todo o tempo e recursos disponíveis para comprar e coletar doações. Grupos de voluntários, ONGs e instituições diversas organizam mutirões para levar e distribuir doações a famílias atingidas. Esses mutirões incluem também confecção e distribuição de refeições de forma comunitária pois muitos não podem usar fogão ou geladeira pelo alagamento e/ou falta de energia elétrica.

Além de tudo isso, o risco de contaminação por leptospirose, tétano, hepatite é altíssimo e muitas estão com feridas nos pés em razão da umidade constante.

Diante de tal quadro parece-me ilógico que alguém ainda tenha tempo para fazer “caça às bruxas”. A UNIÃO É IMPERATIVA, a participação de todos urgente!  Assim como outros tantos grupos, a Associação Movimento do Bem – AMOBEM - CNPJ - 03.918.950/0001-33, à qual me uni como forma mais efetiva de ajudar pois sozinha conseguia muito pouco, fará novo mutirão no sábado dia 24 de outubro. Toda, absolutamente toda ajuda é importante. Voluntários da área médica, coletores espalhados pela cidade, empresários, pessoas de toda parte são necessárias agora. É de VIDA que estamos falando aqui.

Uma das coisas mais bacanas que observei nesses dias foi ver a união de pessoas humildes que chegavam de carona para ajudar "apenas" com sua força de trabalho aos que traziam pranchas amarradas aos carros para transporte de doações e os que chegavam em grandes utilitários, carregando reboques com mantimentos, jet-skys e todo tipo de meio de transporte capaz de enfrentar os alagamentos.

Não há doação pequena demais!
Encontra uma forma de ajudar no teu condomínio, no teu bairro, ollha as pessoas que trabalham contigo e vê quem precisa de ajuda e quem pode ajudar! As pessoas podem ser surpreendentes!

Vem junto ajudar, mesmo que sendo avisando que podemos buscar um sabonete!


VEM!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

PORTO TRISTE.

Há muito tempo esta cidade deixou de ser alegre. Alguns raros momentos de sorrisos, no máximo, temos agora.
Violência galopante, crise generalizada de valores éticos, morais e financeiros. Educação e cultura – base da formação do cidadão – amargamente destroçadas por interesses diversos dos da maioria da população. Escolas abandonadas, professores mal remunerados e agredidos de todas as formas por alunos, seus familiares e ‘autoridades’. Salas de teatro fechadas, virando ruínas enquanto seus antigos equipamentos são espalhados conforme necessidade de uma gestão municipal caótica. Artistas sem salas e impedidos de trabalharem nas ruas, apesar da constituição federal.
Destruição, descaso, descrédito, desânimo.
Ruas e avenidas selvagemente escancaradas para que mais carros as ocupem ao invés de humanizá-las para recuperar a dignidade dos seres humanos que aqui vivem.
Patrimônio histórico e cultural demolido à luz do dia com o aval (pago?) de quem deveria protegê-lo.

Tudo nesta cidade grita que as pessoas devem se enclausurar mais, individualizando cada vez mais a vida, impedindo o intercâmbio, a possibilidade de uma evolução real.

Não há mais onde colocar o lixo, joga-se no chão.
Os “outros” fazem, por que eu não?
Os contêineres que deveriam facilitar a coleta de lixo, hoje são motivo de mais lixo nas ruas – pois pessoas remexem nele a procura de COMIDA! – e atravancamento do trânsito, pois os caminhões ocupam, parados, o mesmo espaço por vários minutos. Contêineres que deveriam ocupar vagas de estacionamento, muitas e muitas vezes ocupam estreitas calçadas obrigando pedestres a descer à via asfaltada, onde à mercê de motoristas imprudentes ainda ouvem xingamentos.

“As pessoas não usam as árvores” bradou o prefeito que certamente nunca foi ao ainda existente Jardim Botânico ou a um dos parques da cidade para sentar com o filho à sombra. Arrancam-nas como erva daninha.

Centro cultural? Para quem? Vamos esvaziar a Usina do Gasômetro e seu entorno para que possa servir de ancoradouro a quem tem poder aquisitivo para ter um barco e bancar bares e restaurantes exclusivos na orla – com espaço interno para acervo de empresas privadas, totalmente fora da realidade da população, como o elefante branco da Fundação Iberê Camargo onde só chega quem tem carro ou usa taxi. Quer ir a pé ou de transporte público? Boa sorte: a parada é longe e não há como atravessar em segurança.

Teatro de Câmara:fechado
Sala Carlos Carvalho: fechada
Teatro do IPE: fechado
Renascença: sucateado, já incendiou com público dentro, torna-se um forno no verão ou, com um gigante metálico chamado de ar condicionado é preciso sentar na frente para escutar o espetáculo; Alvaro Moreyra: boa sorte em não afundar a perna no piso ou receber o teto na cabeça. Sem falar nos assaltos dentro e fora do Centro Municipal de Cultura.
Espaços privados lutam para não morrer à mingua pois as empresas usam seus recursos como investimento e não patrocínio, amparadas por uma legislação que só legitima o status quo.

MATA-SE por uma bolsa com 20 reais e amedrontadas, as pessoas deixam de procurar diversão, entretenimento e arte fora de casa.

As mesmas avenidas foram refeitas, fazendo com que obras que seriam “para a Copa do Mundo”, continuem depauperando cofres públicos (aumentemos os impostos!) e sob o comando de incompetentes que refazem as obras com os mesmos erros.

POSTOS DE SAÚDE sem estrutura onde profissionais despreparados estão à mercê de pessoas armadas exigindo seus direitos, de população cansada de descaso que vomita sobre eles sua raiva e impotência – sentida por eles também.

CAOS!
E as pessoas continuarão votando? Continuarão acreditando que elas não têm nenhuma ligação com isso tudo?


TRISTEZA.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

O Retorno

Há muito tempo me abstenho de me envolver com política partidária, seja em discussões ou diretamente. Por motivos que me levaram, inclusive, a anular meu voto durante muito tempo, consciente do que isso significa.
Porém é impossível abster-me totalmente, já que vivo inserida em sociedade, tudo que sou e faço dependem, diretamente, da política entre seres humanos, partidária ou não.

Sempre entendi que a variação de ideias é saudável para que a gente possa conhecer pessoas e seu trabalho, ver o que funciona, o que pode ser agregado ou removido. Afinal, pressupor que apenas aquilo em que acreditamos é correto sempre me pareceu burrice.

Certa vez comentei que achava interessante a forma como o voto das pessoas que vivem no Rio Grande do Sul pode facilmente, sem medo, migrar “de lado”, quando não satisfeito. Votar no outro lado quando achava que tava na hora de mudar.

Mas no panorama atual de candidatos, fico estarrecida com a possibilidade dessa senhora Ana Amélia vir a ser governadora do Estado. Alguém aqui lembra da Ieda? Dá uma piorada pra ter noção...

Imaginem, nas artes e na cultura, área em que trabalho - que vinha sendo reconstruída com muita dificuldade e briga no estado (vamos sair do umbigo da capital, certo?) – um governo que não tem a menor ideia do que é produzido aqui? Quem teve oportunidade de ouvir a representante da candidata sobre o tema, nem precisou de esforço para entender que ela não sabe do que está falando. Provavelmente por não acompanhar a produção artística regional. O que se dará então, na educação, na saúde? 
Mas se lutamos por participação e verbas diretas (como fundos e editais), não podemos esquecer que este seria o tipo de governo a financiar apenas manifestações folclóricas e Bailes de Debutantes – estão esquecidos?

Não posso compactuar com isso.

Este ano, eu voltarei a votar.

Aconselho a todos que ponham a mão na consciência: se está como está, não é responsabilidade nossa que votamos de forma displicente? Com bem lembra a campanha do TSE, será como se o candidato ande sempre com você, fazendo passar vergonha, trabalho, dificuldade. Tire uns minutos para pesquisar rapidamente sobre o programa de governo do candidato. É mentira? Bem, você deve saber em quem está votando. Pesquise, informe-se, tenha memória e consciência!

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Sentença

Após ter sido, juntamente com outros colegas, equipamento, escritório e clientes de Porto Alegre, abandonada pela TV+ do Sr. Carlos Carreiras, fui obrigada a recorrer à justiça.

Ainda está no meio, mas a primeira sentença – da qual apresento trechos resumindo-a a seguir – foi favorável e os primeiros embargos foram devidamente rejeitados, posto que ridículos, visando apenas prorrogar o pagamento.
















segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A Pedra e a Vidraça

Há momentos na vida em que é preciso deixar a posição confortável de pedra e aceitar o desafio de ser vidraça. É uma das formas de valorizar e respeitar sua responsabilidade.

Cotidianamente é mais fácil observar erros alheios. Mais raro é, em sociedades como a nossa, colaborar para que sejam sanados. Após muito pensar nisso percebi que não podia mais agir apenas como massa de manobra. E aceitei a possibilidade para a qual seguramente não estou preparada. Lembro sempre que “a vida ensina” e me coloquei na posição desconfortável de aprender com ela mais uma vez.


O mais importante, creio, numa situação assim, é estar atento ao trabalho desenvolvido até o momento, apreciar e manter o que há de bom, fazendo um grande esforço no sentido de continuar respeitando ideias alheias sem gostar menos de quem discorda. Parece-me o grande desafio de ser vidraça: aceitar críticas, ser firme nas decisões por acreditar nelas para um bem maior e comum.



Se quiser conhecer alguém, dê-lhe poder, dinheiro e/ou vitória. É aguardar para ver quem sou.

sábado, 12 de julho de 2014

Pela Paz, Censura Não!

Pasma, descubro em rede social discussão sobre suposto ato de sectarismo por parte de grupo de teatro local.
Incrédula, pesquiso postagens que elucidem esse disparate.
Surpresa, deparo-me com uma nota de esclarecimento e pedido de desculpas do grupo. Aprofundo a busca, intrigada e apavorada.
Embasbacada, vejo uma interminável relação de postagens inacreditáveis onde o Teatro Sarcáustico aparece retratado como um grande vilão. Felizmente, muitos apareceram em sua defesa e em defesa de um pensamento esclarecedor e conciliador.

Inegavelmente, apesar dos avanços nas mais recentes décadas – através, por exemplo, das mal redigidas, porém preciosas Leis brasileiras como as federais 11.340 e 12.288 e a estadual 13.694, há muito a ser feito em todo o planeta no sentido de extinguir toda espécie de sectarismo e violência entre os seres ditos humanos. Mas é preciso agir com inteligência e escolher as batalhas e armas. Ou para ser menos “belicosa”, os problemas reais e os recursos corretos. 
Poderia o grupo valer-se também do código Penal Brasileiro e juntar provas físicas de crime de difamação e quiçá injúria, pois não li todas as postagens “das reclamantes”. Porém agiram com a ponderação que não houve por parte de seus detratores. Certamente os esforços devem ser direcionados para ações afirmativas que tragam resultados efetivos e saudáveis.

Considero um absurdo o grupo ter que se colocar na posição de pedir desculpas por ações artísticas. Isso tudo me parece surreal! Como as pessoas pedem o fim da violência contra a mulher sendo agressivas?

Estou ultrajada como mulher, como ser humano de pensar que existem mulheres que se colocam ainda na posição de vítimas intelectualizadas. Aparentemente quem está reclamando são pessoas supostamente politizadas? COMO ASSIM? Quem vai num evento artístico e não gosta, sai e pronto! Se acha que cabe, vai ao MP, a uma Delegacia e dá queixa de ofensa.
As pessoas que não conhecem o trabalho deles e ignoram o contexto, realmente acreditam que o correto é o grupo ser “permeável” e baixar o nível de compreensão do público? Qualquer dia estaremos grunhindo e rabiscando paredes de pedra pois as pessoas não buscarão instrução para entender sequer o outro à sua frente. A quem isso interessa?

O País tem uma constituição que nos dá liberdade de expressão. Em caso de eventual ação do MP serão chamados, explicam suas ações artísticas exatamente como em ditaduras e censura. Trocar a foto pode ser muito mais que um sacrifício pra quem é artista, pode ser o retorno de uma submissão à nova ditadura em moda: o politicamente correto.

Tenebrosos tempos estes em que somos adestrados à autocensura. Protegidas fisicamente pelo uso da internet, pessoas armam discussões inócuas, demonstrando desconhecimento e agindo com desrespeito em nome DO RESPEITO!
Perde-se não apenas o respeito ao descambar para xingamentos vazios, como também uma enorme oportunidade de cooptar grupo de artistas criativos e atuantes para, através do teatro, este forte instrumento de comunicação e educação, levantar discussões pertinentes em diversas partes da cidade e do Estado. ESSA SIM, UMA AÇÃO DIGNA DE NOTA E RELEVO que traria algo de bom ao invés deste circo armado por ignorantes. A miopia impede de ver à distância que violência contra mulheres não acontece apenas a partir dos homens.
Enquanto isso, o verdadeiro “inimigo” está nas ruas, nas casas, fazendo mais vítimas.

QUANDO VAMOS ENTENDER QUE CADA UM ou UMA DE NÓS É "O OUTRO"? Talvez só assim começaremos a tratá-lo melhor. Se nos preocupássemos menos em achar que alguém tem que tornar o mundo melhor e nos preocupássemos mais em sermos melhores, o mundo seria melhor, né, não?


Em tempo: muitas pessoas precisam entender, de uma vez por todas, o que é feminismo e feminismo. Informem-se, por favor!

quinta-feira, 22 de maio de 2014

VENDE

Fifa registrou marca pagode? Ela já registrou  BRASIL! Não sei por que a estranheza. 

Em Porto Alegre, já em maio não se consegue hotel, pois está tudo reservado para eles. Quem tá pagando o hotel fechado? 
Em Porto Alegre, o habitante que precisar ir até a zona sul em dia de jogo terá de ter registro prévio como morador da região ou será impedido de passar.
Em Porto Alegre e até cidades da serra, a rede hoteleira teve que submeter às regras deles sob pena de " não ser recomendado" e ficar banido de trabalhar durante e copa. ESSA NINGUÉM ME CONTOU, EU TAVA LÁ, VI E OUVI.

Em Porto Alegre, manifestações artísticas de rua devem ser autorizadas pela secretaria municipal de comunicação (sob ordens da Fifa) para depois pagarem autorizações à secretaria municipal do meio ambiente - no caso de parques - e ainda correndo o risco de chegar lá no dia e hora marcados e descobrir que está ocupado por alguma empresa com atividade ruidosa.

Em Porto Alegre os donos de banca de revista e jornal foram obrigados a COMPRAR os novos modelos de bancas padrão fifa sob pena de perderem seus alvarás de funcionamento, mesmo que as bancas estivessem em perfeito estado ou novas.

Em Porto Alegre, pagou, levou. A cidade está à venda.

O auditório Araújo Viana está sob tutela de produtora privada. Em alguns anos, ninguém mais lembrará que é público no papel. Queria saber detalhes do contrato sobre pagamento de impostos, água, luz. Uso público, que seria bom, nada!

A Usina do Gasômetro está em fase de privatização não-oficial.

Teatro de Câmara fechado novamente para obras. Tô aqui pensando que a iniciativa privada "vai ajudar", né, não?

Deviam colocar uma placa na entrada: PAGOU, LEVOU!

terça-feira, 25 de março de 2014

Desaparecidos

Quando alguém próximo desaparece, nem sempre temos ideia de como seguir a busca. A polícia dá todas as informações e dicas, mas a parte difícil fica por conta de conseguir telefones atualizados de hospitais e departamentos médico legais da capital e região metropolitana de Porto Alegre. Segue abaixo uma lista que acabei de atualizar por necessidade, infelizmente. Espero que ajude alguém.
Alguns dos números caem numa gravação de que não existem. Na verdade, estão com a linha ocupada.

HOSPITAIS DE PORTO ALEGRE E REGIÃO METROPOLITANA

Porto Alegre
Beneficência –  (51) 3023-9000
Clínicas -  (51) 3359 8000
Conceição  (51) 3257.2000 – 3257.2670
Cristo Redentor- (51) 3357 4100
Divina Providência - (51)3318 4279 - 3320-6010
Ernesto Dornelles – (51) 3217 2002
Femina – (51) 3314 5200 (exclusivamente atendimento a mulheres)
HPS – (51) 3289.7999 (demora e pode dar gravação de fora de serviço, mas é esse)
Parque Belém – (51) 3320 4555
Petrópolis – (51) 3331-6700
Santa Casa – (51) 3214 8100
São Lucas/ PUC – (51) 3320 3000
Vila Nova (51) 3246 5022 - 3245.8900


Região Metropolitana
Cachoeirinha – (51) 3441.9600
Canoas - Graças (51) 2102-1000
Esteio - Hosp. Munic. São Camilo  – (51) 2126-8300
Gravataí – Dom João Becker (51) 3043-1515
Guaíba – Hosp. N.S. Livramento (51 3055 1008 3055 1100
Novo Hamburgo – Centenário - (51) 3591.1400, 3590-2266
Sapucaia – (51) 3451.1515 (PS) – 3451 8200 (Hosp)
Viamão - (51) 3485 4700


IML Porto Alegre - (51) 3288.2659 – 3288.2661 Ipiranga palácio
PML São Leopoldo – (51) 3651-5352 
DML Canoas (51) 3429-1536 PML / 3477-4000
                                                           3464-9625 Ramal: 3405 – 3407

DML Novo Hamburgo - Fone: (51) 3582-1273

sexta-feira, 21 de março de 2014

MANIFESTO DOS ARTISTAS GAÚCHOS

O COLETIVO DE PROFISSIONAIS DAS ARTES CÊNICAS ATRAVÉS DO “CONVERSAS ABERTAS”, PROMOVIDO PELO SATED/RS (SINDICATO DOS ARTISTAS), VEM A PÚBLICO MANIFESTAR SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO À QUESTÃO CULTURAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.

A cultura de um povo é sua identidade. É o que diz quem esse povo é, como pensa, age, fala, come, trabalha, nasce, cria vida, se diverte e faz arte.

O povo do Rio Grande do Sul que estufa o peito para falar de seus feitos passados, não luta pela valorização de sua arte, pelo seu direito à educação e à saúde através da cultura, que está sendo desmontada dia a dia pela falta de interesse em incentivar e apoiar a produção local.

A arte é um caminho para evolução do ser humano, tornando-o mais sensível para que ele aprenda a pensar e agir por SUAS ideias e conclusões.

É necessário que artistas e população tenham espaços democráticos, de fácil acesso e com infraestrutura adequada. É necessário que o público e os artistas levantem suas vozes para que as autoridades cumpram seu dever de servir ao povo.

A situação atual da Cultura no Estado é devastadora, não há políticas culturais efetivas e permanentes. O estado geral dos espaços públicos de cultura é uma afronta à população. Há muito a classe aceita uma condição indigna para poder fazer sua arte, mas agora levanta-se para exigir mudanças - precisamos de soluções reais e efetivas através de:

- políticas públicas eficazes e transparentes para a cultura e a arte;
- acesso real de grupos locais a TODOS os espaços culturais do Estado e Municípios;
- aprovação da PEC 150, pela Câmara Federal;
- manutenção adequada e permanente de espaços físicos e equipamentos públicos de cultura;
- abertura de vagas e concurso público e qualificação para técnicos em teatros públicos;
- aumento de financiamentos e editais públicos de fomento e pesquisa artística local;
- promoção da circulação de espetáculos regionais dentro do Estado e Municípios do RS.

Queremos fazer arte dignamente.

EXIGIMOS CONDIÇÕES DE TRABALHO.


Rio Grande do Sul, março de 2014.


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

querem acabar comigo, mas isso eu não vou deixar

        Carta aberta à população e classe artística atuante na cidade de Porto Alegre/RS.
                            
       O cidadão que acompanha e verifica notícias de fontes variadas, que  acompanha, dentro do possível, o andamento de projetos na câmara municipal, congresso (câmara e senado) está mais apto que os demais a votar com consciência e dispensa propaganda eleitoral. Pouco esforço é necessário pra entendermos por que no Brasil a Cultura e a Educação - que andam juntas são as pastas com menor orçamento em prefeituras, estados e na união. Onde as pessoas são capazes de pensar e consequentemente tomar decisões, votar de acordo com seus conceitos e ideais elas também se tornam donas de seu próprio futuro enquanto cidadãs e muito menos sujeitas a serem roubadas e enganadas em estelionatos eleitorais.

   Cultura é tudo. É como se faz negócios em um lugar, como ocorrem os partos, como as pessoas se vestem, como elas falam o mesmo idioma em qualquer ponto cardeal, como se relacionam socialmente e, naturalmente, é como se produz todo tipo de arte.

   A partir dessa ideia, façamos um exercício pra entender o que acontece hoje na cidade de Porto Alegre. Sugiro ao público e aos artistas que se dispuserem a ler esta carta que tracem um paralelo com qualquer espaço público que conheçam, em que tenham o hábito de buscar cultura ou nele trabalhar e vejam depois se está muito longe da realidade que usarei como exemplo agora. Talvez algumas pessoas considerem longa, porém a forma de fazer entender a realidade passa pelo entendimento da história.

    A Usina do Gasômetro foi desativada – como geradora de energia – em 1974. Permaneceu fechada durante 17 anos sem que houvesse qualquer interesse efetivo de uso público ou privado do local.
   Em 1989 o prédio foi indicado como Espaço Cultural do Trabalho pela Prefeitura e, a partir de 1991, seus 18.000m² foram reativados com a formação do Centro Cultural Usina do Gasômetro. Como é comum mundo afora, espaços abandonados geralmente são resgatados por artistas para trazer lazer, informação, cultura.
   
    É o maior espaço cultural da cidade de Porto Alegre e é, provavelmente, o mais 
   democrático também. Já ocuparam espaços na Usina diversas coordenações
   da Secretaria Municipal de Cultura e diferentes projetos aos poucos ddesarticulados. Pra quem não sabe, nela existem os seguintes espaços.

   Térreo
  - espaços para exposições (Galeria Iberê Camargo, Galeria dos Arcos)
  - saguão onde são feitas exposições, feiras e eventos variados
  - Memorial da usina
  - Usina do Papel, espaço para pensar a reciclagem, produção, consumo e descarte de papel e oficinas.

   Segundo andar
  - espaço para eventos, exposições, feiras,  apresentações artísticas.
  - espaço para café com terraço
  - prometida para entrar em funcionamento em 2008 de acordo com o site da
    PMPA (Prefeitura Municipal de Porto Alegre) está a Sala Elis Regina, que ddeveria funcionar como um bem organizado teatro. Foram desalojados grupos  dentro da usina justamente para criar um novo espaço teatral que na prática não funciona e teve algumas poucas obras feitas por pessoas que, penso eu, nunca entraram nos bastidores de um teatro pois não entendem as necessidades técnicas para um espaço teatral. O local onde trabalhava um grupo e deveria ser camarim da sala, é hoje apenas um depósito.

    Terceiro andar
   -  Sala P. F. Gastal, primeira sala municipal de cinema
   - coordenação de cinema, fotografia e vídeo
   - café na entrada do cinema
   - havia outras instalações e projetos

   Quarto andar
   - terraço grande nos fundos, com vista pro Guaíba: sempre interditado para manutenção. A verdade é que essa manutenção nunca ocorre e ele está tão danificado que parte do piso cedeu e há riscos para o público.
   - pequeno terraço frontal
   - salas de espetáculos e trabalho continuado de grupos de artes cênicas
   - Sala de Capacitação digital com cursos de informática para todas as idades

    Quinto andar
   - salas ocupadas por grupos
   - salas de multiuso
   - Galeria Lunara, para exposição de fotografias

    Sexto andar
    A área é utilizada, entre outros setores, pelo Núcleo de Serviços Gerais e pelas coordenações do Carnaval, das Manifestações Populares, Setor de Mostras e há também uma sala para a Banda Municipal cujo espaço, por direito, deveria ser no Auditório Araújo Viana, na prática hoje, privatizado.

      A Usina apresenta ainda um grande espaço externo, com estacionamento,  local para shows, feiras, eventos e o Bar Chaminé Usina.
   
     Saliento, entre outros, dois projetos: Usina das Artes e Usina da Educação. 
    
     Usina das Artes
     Sendo talvez o único projeto no país neste formato que reconhece e   estimula o trabalho continuado, proporciona espaço físico e pequena ajuda de custo mensal para desenvolvimento e pesquisa de linguagem em artes, além de apresentações artísticas, oficinas e dezenas de atividades em teatro, dança, circo, música, capoeira, atividades para terceira idade, mágica, bonecos, cultura italiana, consciência ambiental – gratuitas ou com preços populares e acessíveis.
    Existe desde 2005 e tornou-se lei municipal em 2009. Entretanto, os mais de 30 grupos atualmente no Usina das Artes - inclusive grupos de Canoas e Viamão - todo ano vêem seu trabalho ameaçado com a possibilidade de o projeto ser encerrado com a notícia de que novo edital não será lançado para ocupação.
   Cada grupo apresenta projeto para o período seguinte que é avaliado por integrantes da SMC. Alguns grupos estão lá desde o início do projeto e compartilham os espaços destinados ao Usina das Artes com dezenas de  outros grupos convidados. Já participaram mais de 80 diferentes companhias e o público estimado desde 2005 supera o número de 3 milhões de pessoas.
   Muitos grupos e trabalhos ali desenvolvidos são reconhecidos e premiados    nacional e internacionalmente, comprovando a importância do desenvolvimento 
   artístico continuado da Usina.  
   Usina da Educação
   Realizado entre 2010 e 2012, o Projeto Usina da Educação em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (SMED) e Fundação de Esporte e Cultura do Sport Club Internacional (que pagava os cachês dos  artistas/monitores/professores envolvidos) ofereceu em turno inverso às aulas a alunos da rede pública municipal de ensino, atividades diversas como oficinas de arte com diversos participantes do Projeto Usina das Artes, acompanhamento em atividades externas e chegou ao fim por solicitação da SMC, cuja responsabilidade era o local para que acontecesse.

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    Todo o movimento cultural, artístico e educacional foi o principal fator de revitalização do prédio da Usina do Gasômetro e arredores, especialmente a orla do Guaíba. A comunidade participou na escolha das cores com que o prédio seria pintado após uma reforma, os barcos passaram a realizar mais passeios e com mais procura do que até então.
     A parceria com Bienal do Mercosul, Itaú Cultural, SESI e tantas outras, proporcionou à população grandes exposições de diferentes temas e origens. A recepção de feiras e eventos como Fórum Social Temático, Feira da Biodiversidade e Feira da Vinhos aproximou do espaço eminentemente artístico a cultura de negócios, debates sociais e políticos de suma importância na formação do cidadão, tanto quanto apresentações internas e externas no espaço da Usina.

    No entanto – e agora chegamos ao exercício mencionado no princípio, visto que toda área do cais do porto foi efetivamente perdida para a iniciativa privada no intuito de fazer do espaço (já ocupado pela Bienal de Artes, pela Feira do Livro e pela produção cinematográfica gaúcha) um local pejorativamente elitizado, visando apenas a construção de novos centros de compras onde talvez pessoas vestidas de maneira simples sejam impedidas de entrar por não apresentarem condições de consumo, podemos perceber discretos mecanismos de depreciação da Usina do Gasômetro para convencer a população de que o melhor é ceder o espaço à mesma iniciativa privada.
    Acompanhe o raciocínio.

    Acesso
    A retirada de árvores que traziam um pouco mais de sombra e frescor ao entorno da usina foi rápida, já as tais obras de alargamento...
Cada vez mais difícil chegar ao local com transporte público. Grosso modo é necessário tomar duas conduções para se chegar lá. Passam linhas da região metropolitana e vindo dos bairros há uma linha de ônibus da Zona sul (188-Assunção) uma do Menino Deus (178-Praia de Belas) e a linha que desce boa parte da Av. Protásio Alves (492 Petrópolis Sesc) passando por diversos bairros (necessária inclusive por quem precisa chegar à Cidade Baixa (Teatro de Câmara), Centro Administrativo do Estado, Colégio Parobé, DAER, IPE, TJ e Forum, Receita, Câmara Municipal e tudo que está na região, sempre foi uma das mais demoradas (frequência baixa? poucos carros?) cerca de 20 minutos. Agora demora até cerca de 30 minutos de segunda a sexta-feira. Sábado o intervalo pode chegar próximo a uma hora e no domingo ela não existe, sua rota é unida à linha 493 Jardim YPU e só pra ter certeza de que não existia, cheguei a esperar mais de 1 hora e 30 minutos, mas o intervalo regular deve ser um pouco menor, quero crer. Há uma linha circular que acaba em si mesma, no centro apenas e passa pela frente do Museu do Trabalho ali na Andradas, mesmo trecho por onde passam duas linhas circulares mais centrais. À noite em frente à usina, vindo do centro em direção aos bairros (depois fazendo a volta circular) a linha 'Balada Segura', mas que poucas pessoas sabem que além dos Bares, ela passa na frente da usina do Gasômetro ou seja: há como sair de lá depois, pois ela passa a cada 30 minutos, mas apenas a partir de 22h até 4h30.
Lotação...? Aeromóvel na porta (ah, não tem verba pra transporte 'alternativo') Trensurb?

    Limpeza e segurança
    Ao lado da Usina havia algumas edificações antigas onde eu mesma pude ter aulas de formação profissional direcionadas a atores. Com o plano de ocupação do cais por empresários, estes locais dariam um ar “pobre e sujo” ao empreendimento e misteriosamente, sofreram um incêndio.
    Mesmo com a capatazia do DMLU ao lado, assim como boa parte da cidade  que perdeu suas lixeiras de rua, a orla foi sendo esvaziada de maneira lenta, para que ninguém tivesse onde colocar lixo. Devido ao fato de muitas pessoas terem preguiça de carregar latas de bebidas, papéis e outros detritos, eles são deixados pelo chão na região, dando argumento aos defensores da privatização.
    O mesmo se dá internamente na Usina. Quem costuma entrar lá sabe que
    não há mais as pequenas lixeiras nos andares e mesmo com os grupos   limpando as salas que ocupam e removendo algum lixo dos andares, o
    público deixa copos e latas nos cantinhos da construção. As lixeiras foram
    diminuindo até sumirem totalmente.
    Há apenas uma do lado de fora, junto ao semáforo em frente da entrada
    principal e as lixeiras dos vendedores ambulantes da orla. A limpeza e manutenção das salas são feitas pelos próprios grupos.

    Qual foi a última vez em que alguém viu policiamento cotidiano na região? A partir de 2010 não lembro de ter visto a BM por ali. O efetivo da Guarda  Municipal no prédio diminuiu de tal forma que há domingo – dia de maior movimento – em que os dois (sim DOIS!) guardas presentes decidem, por conta própria (?), fechar as portas do prédio impedindo a entrada do público com a justificativa de que é impossível fazer a vigilância. Junte-se a isso os grupos artísticos com agenda marcada, com cenários e artistas prontos, esperando um público impedido de entrar.
    Argumentos de quem quer destruir o centro cultural: a população e os grupos não sabem cuidar, está sujo, não tem segurança/policiamento (não posso deixar meu carro lá) e de qualquer maneira, não há público.

    Equipamentos
    Apesar de ser um ‘aparelho’ da Secretaria Municipal de Cultura (da Prefeitura, portanto), os poucos equipamentos de som, luz e vídeo disponíveis estão sucateados pelos anos de uso, por mais que funcionários e grupos tentem fazer a melhor manutenção possível. Recentemente a Bienal ocupou espaços na Usina e deixou alguns consertos e melhorias para parte do retorno previsto. Mas também “emparedou” duas salas de teatro que ficaram escondidas por uma exposição e mesmo depois da Bienal, lá permaneceram, aparentemente, a pedido da SMC.

   O terraço dos fundos (maior) está sempre interditado “para manutenção”, como citado anteriormente.

    A maior parte do local não tem qualquer ar condicionado, ventilador ou refrigeração. Calor e frio extremos levam desconforto para o público que ‘ousa’ ir até lá assistir algum espetáculo.

     Privatização
    Assim como o Auditório Araújo Viana, na prática, é hoje um espaço privado  com apresentações apenas para quem possa pagar altos valores de ingresso, há quem defenda a privatização da usina. Já que as pessoas que comandam espaços como o Multipalco (que já engoliu milhões de reais e não fica pronto nunca) dizem claramente que o Theatro São Pedro não é pra qualquer um, querem mais espaços diferenciados e fazem todo esforço pra que isso aconteça.
     Ao atual senhor secretário municipal de cultura – conhecido no meio cultural pelo desmantelamento dos espaços e projetos por onde passa, coube uma pasta sem muitos recursos financeiros de acordo com os conchavos políticos e partidários a que se submete por interesses que não nos dizem respeito mas certamente não incluem a defesa da cultura e da educação no estado e no município, se analisarmos o que está acontecendo em Porto Alegre.
   Com seu constante sorriso dissimulado através do qual se percebe que finge  receber com atenção quem o procura em seu gabinete climatizado,  provavelmente pensa na ‘chatice’ de ter que estar ali por obrigação da  incumbência que recebeu. É já velho conhecido do meio cultural desde sua passagem pela SEDAC e outros setores em que fez o que sabe fazer melhor: destruir todos os projetos que pareçam levar à população cultura e educação.
    Perversamente, nada muda após encontros da classe manifestante na busca por seus direitos.
    Diz o ditado: a necessidade é a mãe da criatividade.  Se a Prefeitura e SMC dizem não ter mais recursos para manter um espaço com a Usina do Gasômetro, por que não apoiaram e ajudaram a planejar o projeto de fazer do Centro Cultural uma fundação?
    Como esperar algo de quem teve a ideia de alardear publicamente um  suposto aumento de recursos para a cultura em evento público onde estava o prefeito, sabendo que este tipo de aumento depende de um planejamento, discussões intermináveis, escalonamento dos recursos retirando de outras secretarias dinheiro do qual não abrirão mão? Sabendo que, na verdade, já estava previsto mais um corte no orçamento? Cartada para uma pressão pública, dirão alguns. Demagogia pura, digo eu.
    
    Episódio recente

    Como participante do Projeto Usina das Artes, o grupo como qual trabalho deve, como os demais, entregar sua programação com antecedência e desde novembro de 2013 tínhamos agenda de apresentações integrando a programação do Festival Porto Verão Alegre para 28, 29 e 30 de janeiro.
    Como é de conhecimento público, os aparelhos de ar condicionado dos teatros municipais (além de toda deficiência de som e luz) costumam não funcionar no verão. Sendo o calor nesta época forte como sabemos, chega a ser insalubre receber o público que paga ingresso em total desconforto.
    A sala minúscula ocupada por nós e grupos convidados tem espaço para, com cenário, receber no máximo 30 espectadores. Não tem camarim, banheiro, ventilador. Mas estamos felizes em ter um local onde guardar nossos poucos pertences de figurino e cenário sempre reciclados e mantidos para os trabalhos de repertório e novos e nesta época fazemos reuniões e ensaios no corredor e no terraço, por causa do calor.
    Em janeiro de 2013 apresentamos a mesma peça prevista para 2014 no terraço frontal do 4º andar, como forma de minimizar os efeitos do calor ao público e experimentar um novo espaço. Apesar de um pouco diferente da concepção original (usamos velas, sombras, etc), a essência do espetáculo  estava ali mas a dificuldade em montar e desmontar todos os dias equipamentos e cenário contribuiu para que neste 2014 pedíssemos emprestado uma sala do quinto andar, com ar condicionado. Algumas semanas antes, soube-se que o equipamento estava estragado e que a empresa licitada ainda não havia ido até a Usina realizar o conserto. Como não foi até hoje, apesar de um contrato com a prefeitura.
    Quatro dias antes da estréia soubemos que o leilão de camarotes do carnaval da cidade seria realizado na usina do Gasômetro exatamente no dia de nossa estréia. Pra quem não conhece, imagine um carnaval em forma de leilão, com caixas de som com música alta, centenas de pessoas gritando lances. Alguém dentro da secretaria conhecia a agenda do centro cultural, certo? FICA UMA DÚVIDA: pra que mais serve o sambódromo que é utilizado apenas uma vez ao ano?
Já que moradores da zona norte tem tanta carência de espaços culturais e dificuldade de acesso aos já existentes, por que o tal espaço prometido à APLUB não é feito junto ao Sambódromo, revitalizando o local e levando à população da região possibilidade de arte e cultura perto de casa?
    
    Aguardamos até a véspera de nossa estréia por uma solução do ar condicionado e lembramos que havíamos realizado no terraço, sendo esta uma alternativa ao cancelamento. Na manhã desse dia (véspera) recebemos telefonema de técnicos da prefeitura que trabalham na usina com a informação de que não fariam a instalação de equipamentos no terraço.
     Imaginem nosso constrangimento em ter que cancelar com ingressos vendidos antecipadamente, pra dizer o mínimo!
 
     Ligamos para a secretaria adjunta de cultura que nos informou que o ar condicionado do teatro Renascença seria consertado naquele dia e ia TENTAR mandar pra lá os ventiladores alugados. Procurada, a coordenação de artes cênicas informou em seguida que isso não ocorreria, pois um possível conserto apenas faria funcionar 50% do aparelho.
    Observação: de tanto calor, os equipamentos de som e luz deixam de funcionar no meio do espetáculo no Renascença.

     Procuramos a chefia dos técnicos para conseguir pelo menos, aparelhagem de som e projeção, pois faríamos a luz com lanternas, mas faltando 24h para a estréia, ainda não sabíamos se teríamos este equipamento.

    Graças ao dono de uma empresa de equipamentos de luz e mais um técnico independente que voluntariamente se ofereceu para nos ajudar, conseguimos algumas lâmpadas conhecidas como “ribalta” para ter alguma luz além da iluminação externa do terraço. Este equipamento chegou lá poucas horas antes da estréia, foi montado com o cenário por duas pessoas do grupo (sendo uma delas atriz que deveria estar em cena em seguida) e este técnico debaixo de sol escaldante de 45ºC. E nós olhando os ventiladores da sala de capacitação digital ligados desde a terça-feira (ainda estão) com a sala vazia...
    O equipamento de som e projeção foi montado pelos técnicos da prefeitura que, cada um em seu dia de plantão, foram muito solícitos.
    Como a tentativa de nos fazer desistir não para por aí, ao solicitar que fossem abertos os banheiros do quarto andar, recebemos a resposta de que não havia água na Usina e não seriam abertos os banheiros. O grande mistério fica por conta de haver água em todos os outros andares. Contando mais uma vez com a pena dos técnicos, um deles nos ofereceu a chave do cinema a fim que pudéssemos usar o banheiro junto ao café do terceiro andar, pra que não precisássemos atravessar o saguão do térreo com centenas de pessoas em meio ao tal leilão. Afinal, é minimamente recomendável um local próximo do espaço teatral onde os artistas e público possam urinar e lavar as mãos. Além disso, é um local com espelho também – já que não temos camarim – que nos serve para caracterização (maquiagem, cabelo, figurino) dos personagens.
    Natural e infelizmente, estamos acostumados a maquiar com espelhinhos de 10 x 10 cm na sala, pra não nos chamarem de luxentos que só se maquiam em banheiros e/ou camarins.

    Programar leilão de camarotes do carnaval no dia em que há apresentação teatral na Usina, recusar a abertura de banheiros no andar em que ela acontece não é apenas descaso com a cultura. É um tiro silencioso no direito do público de assistir o que ele pretendia. É uma afronta à cidade, à população que paga suas contas, que paga impostos e vai ao teatro em busca de cultura, lazer, pagando ingresso pra que nós, artistas, possamos também pagar nossos impostos.

    No primeiro dia, caiu uma pancada de chuva e tivemos que ensacar e cobrir equipamentos e lâmpadas clamando aos céus misericórdia na hora de fazer a peça. No segundo dia, um vendaval levantava cadeiras e empurrava atores e cenário. Assim mesmo, seguimos, rezando durante toda a apresentação.
    No terceiro e último dia – esta quinta-feira 30 de janeiro, o grande vendaval e chuva de granizo levantaram pilhas de cadeiras, fizeram voar praticável que ao cair se desmanchou em pedaços – com risco de cair do terraço em alguém na rua. Nas salas do 4º andar, uma delas a sala que  ocupamos, há um teto interno de vidro e uma claraboia. Ouvimos um estouro e por sorte não havia ninguém na sala pois um dos vidros do teto estourou com o vento caindo sobre outros vidros, não no interior da sala. Ficamos no corredor até que a tempestade cedesse esperando faltar luz. Tentamos ainda montar o espetáculo e às 20h começamos a montagem pra depois nos vestirmos e maquiarmos para a apresentação das 21h.
    infelizmente o clima não ajudou desta vez e, debaixo de chuva, tivemos que recolher todo o equipamento e cenário.
    Com tudo isso, fica como recado o título tão apropriado de nossa peça, a partir de uma música de Roberto Carlos.
   “QUEREM ACABAR COMIGO”  mas isso eu não vou deixar, ele canta.

    JURO QUE NÃO, COMPLETO EU.



             Silvana da Costa Alves, portoalegrense nascida artista.