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domingo, 3 de março de 2013

Deficiências


Antiga discussão: o que a arte nos traz ou faz?

O que uma sessão de cinema pode nos faz pensar?

Ainda no meio da estréia de “Colegas”  já estava sentindo e pensando em como escreveria sobre tudo que aflorou na minha consciência naquele momento. Quase toda oportunidade que tive na vida de contato com pessoas com alguma deficiência física, Síndrome de Down ( ou deveria ser “up”, Marcelo Galvão?)  vieram de contatos profissionais, geralmente eventos em que trabalhei e em muitos deles havia um objetivo em comum: inclusão. E sempre foi instrutivo, divertido, esclarecedor e inclusivo pra mim! Eu era incluída nas brincadeiras de esconder a muleta de um, em ir dançar com o cadeirante ou escolher um lugar bem na frente pro deficiente visual "ver melhor".

Daí que fiquei pensando: não deveria ser REinclusão? Por que, em algum momento estas pessoas que sempre estiveram aqui começaram a ser separadas das outras ditas “normais”, não?
É só olhar entre os animais. Temos um cachorro que levou um tiro e perdeu uma das patas dianteiras ainda com 6 meses de vida. Em poucas semanas ele já estava novamente aprontando das suas e completamente reintegrado a seu cotidiano entre outros cachorros e animais diversos. Não mudou quem ele era, nem como o tratavam. Só nós, humanos, ficamos ainda um bom tempo pensando nele como o diferente, o coitadinho.

Em oportunidades como a sessão acessível do filme “Colegas” encontro amigos que trabalham em prol da tão falada inclusão e com verdadeira paixão com pessoas que não sei como uma parte de mim via como diferentes. Vasculhando a memória tentei encontrar os momentos na minha infância em que ouvi pessoas dizerem “tadinho, é doentinho”, “ah, coitada, ela tem um filho que é doente mental”. Acho que esse universo à parte, criado dentro da sociedade em que vivemos, foi quem colocou em alguma parte de mim alguma estranheza. Quem teve oportunidade de ler “O Filho Eterno” de Cristovão Tezza ou ver a peça adaptada do mesmo sabe o que é assumir essa predisposição a fugir do diferente.

Estranheza que vai por água abaixo quando encontro algum conhecido em alguma destas situações ditas “especiais”. Por que somos todos seres humanos. Uns negros, outros caucasianos, outros albinos, asiáticos, com um dedo ou perna a menos, alguém – como eu – com deficiência visual. Sim, sou diagnosticada com deficiência visual desde os 2 anos de idade e uso óculos praticamente toda minha vida e agora vai piorando com a idade – outro motivo de sectarização. Muito tempo isso causou estranheza, as pessoas sentiam vergonha, era motivo de letra de música e gozação. Hoje é moda usar óculos de grau com armações de todo tipo e até mesmo quem não precisa quer usar só pra fazer “tipo”, afinal, estão até nos editoriais de moda!

Não tenho nenhuma autoridade pra falar no assunto de modo a transformar numa pesquisa, mas fico muito intrigada com o ser humano. No que um deficiente visual é menos capaz que qualquer outra pessoa no desenvolvimento de trabalhos diversos que não impliquem, logicamente, ao uso dessa faculdade?  Marçal Souza já era um grande produtor quando perdeu a visão e talvez isso tenha aberto novas oportunidades e revelações a ele. Agora produziu o filme “Colegas” com a mesma competência de sempre. No que um deficiente auditivo é menos competente na finalização de um trabalho gráfico? Ou um cadeirante menos ‘feroz’ pra fechar um grande negócio?

Nos últimos anos vemos um esforço tremendo da sociedade através de regras, regulamentos e relações institucionais de empresas que vêem como positivo pra sua imagem a inclusão de pessoas com deficiências e não como a contratação de pessoas competentes e ponto. Tem seu lado positivo, claro, pois é através dessas ações que, espero, chegaremos logo a uma sociedade em que não precisaremos olhar, ouvir, caminhar, pensar da mesma forma pra que lembremos de uma premissa básica que nos une: amor. Não é pra soar piegas. É a verdade. Não há idioma maior pra unir pessoas e por que nos parece tão difícil?

Deficiente, pra mim, é aquele incapaz de ver o outro como um igual pois lhe falta amor.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

um instante de beleza

Em Beleza Americana, havia a lembrança dos instantes de beleza que passam por nós e deixamos passar batidos na maioria das vezes. O balé do saco plástico é tão belo quanto uma obra de arte. Aproveitemos a possibilidade de viajar um pouco na arte de Van Gogh

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sábado, 31 de dezembro de 2011

Charme

Eu assumo.
Sempre achei Joshua Charles um charme.

 
Acho que a primeira vez em que o vi atuando foi em Três Formas de Amar e apesar de não ter virado fã de carteirinha, dessas de ver tudo, saber de tudo e tal, sempre me chama a atenção quando aparece.
Além do trabalho em si, ele é uma gracinha, né?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Chico

Esta semana, no dia 10 de maio, fui com minha mãe ver o filme de Daniel filho baseado na biografia feita por Marcel Souto Maior.

Impressionante como é bem elaborado. Rico em detalhes de época, com locações em 7 cidades, trilha impecável e a dedicação de cada pessoa envolvida se faz notar a cada minuto de filme. Ainda que muito da obra de Chico não esteja nessa montagem, foi filmada e daria, se não um novo filme, mais uma bela meia hora de filme sem incomodar ninguém na platéia.

Não li todas as críticas a respeito mas faria, se ousasse tanto, minhas as palavras do post anterior sobre a qualidade do cinema ali produzido. Dado o objeto da cinebiografia, impossível não falar da doutrina espírita. Mas o principal, é o desprendimento que ele certamente teve em toda sua vida dedicada a quem dele necessitava. Isso, narrado por pessoas que com ele conviveram, por si só nos faz admirar pessoas como Madre Teresa, Gandhi e todos aqueles que perceberam a importância do amor fraterno incondicional. Nisso todos que trabalharam no filme e deram seu depoimento foram unânimes ao próprio Chico: não há religão A que seja melhor que a religião B. Há a mudança dentro de cada um, o nome e a forma, pouco importam, desde que lembremos sempre da bola do jogo, O AMOR.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O Chico

Esse é o filme que tenho vontade de ver...

Tarcisio Passos
Crítico de Cinema


"Fui ontem, na noite de estreia, assistir ao filme mais badalado dos últimos anos: Chico Xavier - O Filme. Sessões lotadas e muita expectativa. Uma expectativa que podia ser notada no semblante de cada um que encarava aquela fila. Uma salada etária e, provavelmente, recheada de muitos credos.

O filme é de uma beleza incrível. Conta a história de um dos maiores e mais respeitados espíritas do mundo - Chico Xavier - (interpretado nas três fases de sua vida por Matheus Costa, Ângelo Antônio e Nelson Xavier), desde a sua infância até a sua morte, ou melhor, até a sua desencarnação.

Com relação a filmes, costumo brincar dizendo que adoro saber o final antes de assisti-lo. E neste, em particular, disse a todos que estavam lá comigo, que já sabia o que aconteceria... que seria moleza.

Disse em alto e bom tom: fácil, fácil esse final: o Chico morre no final!
Sessão lotada, acomodamo-nos nas primeiras filas do cinema, e mesmo que tudo pudesse nos levar a uma pré-impressão do que seria o filme, qual o seu significado e qual o seu objetivo, engana-se quem imaginou que o filme seria uma propaganda ao espiritismo ou mesmo uma publicidade ao próprio Chico Xavier.

O filme é apenas a celebração de um grande homem, que este ano, caso estivesse vivo (encarnado), completaria um século de vida. Deste, seriam 96 anos de dedicação, não à doutrina espírita, mas à bondade, ao desejo de servir ao próximo. O filme emociona, alegra e nos faz refletir o quanto e por tão pouco sacrifício, fazer o bem é um exercício que fortalece a nossa alma.

A vida de Chico Xavier foi marcada por sacrifícios. Ele enfrentou-os e seguiu em frente. Ajudou e foi ajudado. Sobreviveu a uma enxurrada de acusações, críticas e desconfianças. Muitos de nós passamos por tudo isso. Mas a grande virtude do Chico (a gente se sente tão íntimo do mestre espírita) foi, sem dúvida, a sua capacidade de transformar essas dificuldades a favor do bem.

A bondade era sua, sempre presente, companhia.

O filme é extremamente lindo. Surpreendente a maneira como Daniel Filho (Diretor) retratou a vida e obra do Chico Xavier. O filme não tem a pretensão de formar novos seguidores do espiritismo.

Mas não há um segundo sequer do filme que você, espírita ou não-espírita, não se emocione, não se questione. Muitos se verão neste filme.
Pois bem, recomendo a todos que venham assistir ao filme. Aqui, na sessão de estreia, além da beleza do filme, uma certeza: O Chico não morreu... Enquanto houver a bondade, ele estará vivo. Eu errei o final do filme, mas o pós- filme me surpreendeu ainda mais...

Encerra-se o filme e as pessoas saem... Silêncio... Um lindo silêncio...
Coisa mais linda que eu já pude presenciar em um cinema em toda a minha vida.
Obrigado Chico, esteja em Paz!

Vá assistir ao Chico. Eu recomendo.


Tarcisio Passos

Crítico de Cinema

terça-feira, 9 de março de 2010

Ouvindo o Café Filosófico da Cultura, fixei no ponto em que falavam que somos um cérebro ligado a um intestino ambulante. Lembrei direto do desenho animado 'irmão' do meu adorado "Billy e Mandy" em que o cérebro de Heitor Ado e o estômago ficavam em um urso depois de um acidente onde mais nada restara de seu corpo.
http://desciclo.pedia.ws/wiki/General_Cicatriz#Mal_Encarnado

[hummm, de repente me deu uma saudade dos desenhos antigos.]

No Café Filosófico o palestrante falava justamente da prisão para um deus que isso significa.

Mas é doido como algumas produções estrangeiras tocam em algumas questões aparentemente por coincidência.
Tipo o filme "Feitiço do Tempo" com Bill Murray, onde a repetição do mesmo dia e o que ocorre com as tentativas frustradas e as opções de mudança do protagonista remetem diretamente à questão da reencarnação.

sábado, 6 de março de 2010

Coincidentemente feminos?

Por uma estranha coincidência, alguns filmes com uma temática digamos mais feminina têm feito parte das minhas idas ao cinema. Apreciadora ainda incondicional do espaço e da programação do Cinesec.
Vi "Caramelo", "Duas Senhoras" e agora ainda recebi a recomendação do meu amigo Marcelo Restori que esteve rapidamente pela cidade com o filhote lindo Frederico. Nos nosso papos longos ele me sugeriu ver "O Círculo" do diretor Jafar Panahi. Adoraria ver na telona, mas na falta disso, vou atrás na telinha mesmo. Lembrei dos filmes da Deepa Mehta...

Em "Caramelo" as mulheres todas se encontram num mesmo salão de estética onde a depilação é feita com caramelo. A partir dali, as histórias são tristes, patéticas ou de esperança. Mas, definitivamente, femininas. Já em "Duas senhoras" poderia ser também uma história entre dois homens, mas seguramente alguns 'detalhes' seriam abordados de maneira bem diferente. Interessante o uso de não-atores nesta história de carinho entre uma judia e uma muçulmana.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Filmes - mostra de Cinema

Hoje tive a oportunidade enfim de ver "O Jantar", de Ettore Scola, que conheci primeiro por "Feios, Sujos e Malvados". Bem menos 'pesado' que este último, mas nem por isso menos profundo. Gosto tanto de histórias que metam a mão na consciência humana, no "como somos" e "como fomos criados".

Ontem assisti "Aquiles e a Tartaruga" do Takeshi Kitano de quem já havia assistido uns 3 ou 4 filmes. Não, nenhuma relação direta com minha filha Isla que não por acaso dá nome ao BLOG. A questão central é sobre ir atrás de um sonho. Da vocação, da vontade... o nome não importa. Ainda mais que o sonho em foco é artístico; porém talvez não pela arte em si. Com o próprio Takeshi em cena.

De qualquer maneira, dois excelentes filmes. Pra serem vistos e apreciados em qualquer época.

Vi também 'Alô, alô Terezinha' e devo dizer: é a cara do Chacrinha!

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Com larga experiência e formação como ator, apresentando há muitos anos 'seu' "Il Primo Miracolo" em que, com roupas de ensaio, num espaço cênico qualquer, sem iluminação ou trilha sonora, desempenha magnificamente vários papéis da comédia de Dario Fo, Roberto Birindelli, agora foi "O Atirador", segundo curta-metragem de Juliano Verardi com a sua produtora Cinema Elefante.
Junto a Birindelli, Angela Rechia, jovem atriz gaúcha recentemente premiada no festival de teatro Cidade de São Paulo (agosto de 2009) faz parte deste 'thriller' ambientado no centro da cidade de Porto Alegre que já participou de diversos festivais no Brasil e um no Peru.
Longa vida!

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Atirador

Bacana o lançamento no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo. Já de volta a SP, com trabalho engatilhado. Depois conto mais de O Atirador, segundo curta da Cinema Elefante.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

craque

Outra ida meteórica a POA. Menos de 48h em terras gaudérias.
Estou ficando especialista nisso, rsrsrs.
Vou pro lançamento de O Atirador.

terça-feira, 28 de julho de 2009

WELCOME

Bem-vindo faz parte da categoria de filmes que você dificilmente verá, mas se vir, não esquecerá.

Gente comum. Como você e eu. Philippe Lioret dirige sem demagogia.

Dificuldades que a maioria dos brasileiros não conhece de perto. Mas perseverança é tudo, não?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Em abril eu vi...

Sempre há uma ligação biográfica em cada trabalho artístico.

Recentemente comecei a conhecer o trabalho cinematográficoda realizadora naturalizada canadense Deepa Mehta. A crueldade e singeleza com que individualiza questões de seu país natal, a Índia, encantam, chocam e fazem pensar. Seu olhar agudo percebe a realidade numa cidade contemporânea, mescla de usos ocidentais e costumes tradicionais em “Fogo” e através da simplicidade do olhar infantil temos uma versão não-romantizada da independência política do país em 1947, no filme “Terra”. Aliás, o olhar infantil se faz sempre presente.
A individualização nos permite compreender, humanamente, as situações vividas,
coisa impossível através de textos históricos ou artigos jornalísticos. Entre outros filmes, há ainda “Água” de 2005 que, imagino, complete uma trilogia.

Em “Fogo” (1996), o olhar sobre a realidade feminina e a não menos perdida realidade masculina na índia ‘moderna’ nos traz sons, cores e até – ouso dizer – odores atuais sem perder a ligação com a identidade tão religiosa do país.

“Terra” (1998) poderia ser resumida na cena em que três crianças conversam sem se importarem com as diferenças que mataram mais de um milhão de pessoas apenas no ano da independência da Índia. Poderia. Mas é muito mais que isso. Ali a realizadora consegue deixar no ar certas questões; onde deixamos nossa inocência? Quando deixamos de ser simples para complicar a ‘essência’ de ser humano’?

Longe de serem filmes comerciais, mas também longe de serem ‘apenas’ filmes-cabeça merecem sim, uma busca e uma reserva em nosso tão atarefado cotidiano de um tempo para sentir o fogo, a terra e – pretendo em breve - a água da Índia.