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domingo, 17 de março de 2019

Para que serve a arte?


Quando vemos tanto ser destruído em termos de cultura, educação, engajamento social, esta guria de apartamento da capital continua descobrindo no interior do estado cada vez mais iniciativas que mostram a persistência e a vontade em fazer os cidadãos evoluírem dentro de suas comunidades.
Fui convidada a participar como avaliadora da Gincana Cultural de Charqueadas. Evento que acontece naquela cidade há 33 anos através da união de comunidade e gestores públicos. O evento acontece ao longo de um mês, mas envolve cultural e socialmente as pessoas ao longo de todo o ano.

A exemplo de escolas de samba, existem grupos que são concorrentes entre si. Além de uma ajuda financeira do município, promovem eventos para arredação de fundos. Estes eventos por si, já realizam a função de agregar e unir os envolvidos, torcedores e apoiadores.

Entre as tarefas da gincana existem diversas ações em benefício de entidades e da própria cidade. Algumas delas revertem em material escolar e alimentos. Outras, como a tarefa de uma encenação artística (conhecida como “o baile”) gera a definição de temas, a pesquisa, criação e desenvolvimento de figurinos, trilha sonora, iluminação, cenários, coreografias. Esta única tarefa faz com que muitos jovens tenham a oportunidade de aprender o valor do trabalho em equipe, tenham oportunidade de aprender sobre história, descobrir identidade de diferentes lugares e povos. Definido o tema em meados de novembro, tem início a criação da obra e seu desenvolvimento que culminam na apresentação em um espaço aberto, com adesão em peso da comunidade que, munida de cadeiras ou sentada no chão, assiste até a madrugada, as apresentações que se sucedem num palco/coreto com estrutura adequada de equipamentos para tal com direito a torcida organizada - também concorrente.

Apresentam-nos antecipadamente o briefing dos grupos - tudo com tempo estipulado e a organização é impecável, e temos a desafiadora tarefa na nossa gincana pessoal, de pontuar a adequação ao tema, conjunto cênico, interpretação e criatividade. Quando os integrantes do grupo que seguram as cortinas correm para o lado abrindo a cena o que se vê é um emocionante espetáculo de garra, alegria, força, cor e união. É possível perceber os meses de trabalho, ensaios, correria. Dos times mais antigos (TAMO NESSA POR CERVEJA - TNC e GRUPO DE RISCO - GR) à estreante ULTRA que com apenas 9 meses mostrou seriedade e comprometimento desde a apresentação do tema, a força com que cada ator e atriz e mantém sua atuação nos lembra do motivo pelo qual fazemos arte. A arte É libertadora.
Os temas propostos mostraram este ano a preocupação daquelas pessoas com a situação da mulher, intolerância e preconceitos e a origem do racismo nas Américas desde a África. Jovens de diversas idades levaram a seus familiares, vizinhos e amigos sua visão de mundo com esmero na criação e confecção estética dentro dos recursos disponíveis.

Ao contrário do que se poderia pensar, ao incentivar a concorrência saudável através de diversas ações sociais e artísticas numa região onde talvez as opções de entretenimento ainda sejam poucas, município e sociedade estão preparando os jovens para o mundo dentro de princípios éticos que deveriam nortear todas as relações humanas.

Muita gente pergunta qual a função da arte, do artista, da cultura. Alguns até mesmo dizem que não precisam de artista para nada mas mantêm seus discos e livros, vão a filmes e peças e quando saem, adivinhem? Escutam música.
Costumo responder que arte é vida. Atire a primeira pedra quem diz que vive tranquilamente sem televisão, cinema, livro, música, teatro, quem não tem um quadro na parede, uma foto, um objeto de arte/decoração em casa.

Neste caso, arte é o que agrega, ensina, enche os olhos e a alma de quem estava lá.
Vida ainda mais longa a estas Gincanas que podem servir de exemplo para todo o estado.

O acervo virtual na internet apresenta muitas fotos e vídeos dessas apresentações de gincanas da Charqueadas e São Jerônimo. Segue o link que ajuda a conhecer um pouco da história deste evento. https://www.portaldenoticias.com.br/noticia/3914/joao-turbina-personalidade-historica-da-gincana-de-charqueadas.html




sábado, 12 de janeiro de 2019

Função

Virou moda no braZiu dizer que não precisa de artista pra nada. Essa gente devia assistir só noticiário, devolver livros e discos, deixar de ir a shows, para começar.

Estão em cartaz dois filmes que colaboram para que mulheres mundo afora possam ver a injustiça de se permitirem estar à sombra e até mesmo servir a seus parceiros ficando relegadas a obscura posição de "minha mulher" deles.

Colette e A Esposa - este magistralmente interpretado por Glenn Close - são apenas exemplos que levam mulheres a pensar nas suas vidas, reavaliar seus interesses e seus direitos. Há pouco mais de 10 anos, interpretei uma mulher personagem de Tennessee Willliams que leva muitas pessoas às lágrimas e naquela oportunidade não foi diferente. Houve uma espectadora em especial, que saiu completamente abalada, aos prantos. Soube depois que ela fazia terapia há mais de 2 anos e naquela semana chegou no consultório e disse: "meu casamento é uma merda e por isso minha vida está essa bosta. Se não fizer algo logo, vou acabar morrendo.". Então explicou que havia visto a peça.

Pode um artista desejar prêmio maior que saber o quanto tocou o espectador? Descobrir quanto ajudou alguém a perceber o que não queria/conseguia discernir? Quando começamos aquele trabalho ele mexeu com cada um de nós de maneira bem peculiar e individual. Isso chegou ao público.

Fala-se muito em "função da arte". São muitas, provavelmente. Mas certamente VER o ser humano, expô-lo a si mesmo é um dos maiores desafios do artista e quando chega-se ao ponto de fazer com que sua vida mude, então...!

Foi um casamento, poderia ter sido o trabalho, a situação social da pessoa. O ponto é: quem teme a arte, teme por que? Por ela ter a capacidade de fazer pensar? A quem serve o sucateamento dos espaços culturais, o não-desenvolvimento do fazer artístico?

quinta-feira, 29 de março de 2018

Tenho direito a profissão!


“Numa democracia constitucional não cabe ao estado policiar a arte”.
A partir desta frase poderíamos lembrar questões recentes de censura às artes no país e até pensar que foi proferida por pessoa desavisada, sem conhecimento da atual onda de cerceamento que lava despudoradamente o Brasil de ponta a ponta. Mas foi proferida por quem acredita estar defendendo direitos enquanto empurra centenas de milhares de pessoas à informalidade e legando o público às mãos ineptas de supostos técnicos.
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A situação de que tratamos aqui é a Arguição de Descumprimento de Preceito fundamental (ADPF) n. 293, que pretende, grosso modo, retirar o direito de artistas cênicos e técnicos - entre outros - serem reconhecidos como profissionais.
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A alegação de que a Lei restringe o exercício de atividade artística é estapafúrdia pelo erro de interpretação que carrega. A Lei 6533/78 (e decreto 82385/78 que a regulamenta) que reconheceu como profissão o técnico e o artista cênico em nenhum momento coíbe o livre fazer artístico, ela visa regular o exercício da profissão que, por definição, é uma atividade especializada. Assim, profissional é quem adquiriu em fontes variadas e seguras o conhecimento da atividade que realiza. Pode qualquer pessoa criar e executar um cenário e garantir que ele não cairá sobre elenco e plateia ou incendiará em contato com um refletor?  Ainda mais grave é a arguição quando sugere ser desnecessária a exigência de registro do profissional técnico em benefício do interesse público. Desconhecerá responsabilidades em situações como a tragédia da casa noturna Kiss em Santa Maria no Rio Grande do Sul? O técnico é o responsável pelas instalações de som, vídeo e luz e sua operação. Pode-se admitir que pessoa não qualificada assuma os riscos que somente um técnico profissional conhece ao lidar com eletricidade ou trabalho em altura? Como saber se este amante da arte adquiriu conhecimento suficiente para dar aulas ou responder questões técnicas de segurança? COM O REGISTRO PROFISSIONAL.

A Lei é clara: são aceitos além de diplomas acadêmicos ou atestado de capacitação profissional. Para este atestado, o aspirante a um registro profissional leva na entidade representativa de categoria do estado onde reside todo o material que comprove sua atividade. De maneira geral são aceitos certificados e comprovações de cursos e profissionais com quem tenha trabalhado. Por ser a obtenção de atestado de capacitação uma prática tão simples, fica a dúvida de a que interesses serve a extinção de nossa profissão, por que é disso que se trata, em resumo.  
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Certamente não são os interesses da liberdade de expressão ou de quem trabalha em várias frentes, do ensino de técnicas artísticas ao labor exaustivo dos ensaios ou aos interesses de quem realmente zela pela segurança de público e trabalhadores em espetáculos de diversões.
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Num momento extremamente delicado nas relações profissionais, políticas, econômicas no país, a que serve este tipo de discussão inócua que pretende tirar direitos ao invés de defendê-los? Se realmente o estado não pode policiar a arte, pode ele arbitrar o desvalor de profissionais com responsabilidades éticas e técnicas reconhecidas por um registro cuja inexistência não trará benefício social algum, considerando desnecessário seu reconhecimento legal? Justamente não estará o Estado legando centenas de milhares de profissionais à informalidade de subempregos leiloados a “quem ganha menos” em benefício unicamente de contratantes que visam aumentar seus lucros reduzindo custos de produção ou, como é prática comum, oferecendo comida e transporte em troca do trabalho artístico que hoje é sustento de tantas famílias?

domingo, 25 de março de 2018

Troféu sem prêmio e sem voz?



A julgar pelos comentários virtuais pós festim, a classe teatreira de Porto Alegre teve a cerimônia de Açorianos e Tibicuera que merecia.

Há alguns anos, quando os grupos que participavam do moribundo projeto Usina das Artes resolveram usar a premiação – na época transmitida ao vivo em canal de televisão local - como espaço público de manifestação não pensaram que os premiados ficariam tão inebriados pela deferência que ‘esqueceriam’ de levantar questões tão importantes quanto o risco que se corria da extinção do projeto. Agora praticamente não existe, mas quase ninguém parece incomodado.

Premiado com troféu, mas calado pela ausência providencial de microfone, apesar da estrutura montada e das performances contratadas pela Secretaria, nem mesmo o sumiço da verba dos módicos prêmios às ‘principais’ categorias de premiação é motivo de indignação.

Ouça seu nome e passe no balcão para recebeu seu brinquedo novo. Essa é a nova modalidade de premiação que deveria ser o reconhecimento pela excelência do trabalho artístico. Criado devido à intensa movimentação teatral e pelo aumento progressivo do público de teatro em 1977, os Troféus Açorianos e Tibicuera hoje são figuras patéticas que envergonhariam Vasco Prado. 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Artistas ou empresários?

Pelas regras de editais que nos obrigam a sermos empresas, pela ausência de contratos e tanto a que somos obrigados no momento de nosso trabalho enquanto artistas é que somos compelidos a agir muitas vezes de modo tão... Tão "empresarial". Sim, não conheço ninguém que adore ter de recorrer à justiça para resolver questões aparentemente 'resolvíveis no papo'. 
Já tive uma sentença muito favorável na ação trabalhista que precisei mover contra a TV+: foi determinado que eles assinem a minha carteira de trabalho retroativamente, com todos os benefícios cabíveis e mais algumas coisinhas. Bem além do que ficaram me devendo e poderiam ter acertado diretamente em parcelas amigáveis.
HOJE, estou indo para uma audiência sobre uso indevido de minha imagem, em que pese ainda o fato de minha imagem e voz fazerem parte do meu trabalho e meio de sustento. Tá mais que na hora de TODOS nós pararmos com essa preguiça de ir à luta por nossos direitos. E de entidades do audiovisual, entre outras, agirem conosco da mesma forma que nos fazem cumprir regras que antes não faziam parte de nosso cotidiano nem legislação profissional pertinente.
Isso, ou LITERALMENTE PAGAR PRA VER NO QUE DÁ.

sexta-feira, 21 de março de 2014

MANIFESTO DOS ARTISTAS GAÚCHOS

O COLETIVO DE PROFISSIONAIS DAS ARTES CÊNICAS ATRAVÉS DO “CONVERSAS ABERTAS”, PROMOVIDO PELO SATED/RS (SINDICATO DOS ARTISTAS), VEM A PÚBLICO MANIFESTAR SUA POSIÇÃO EM RELAÇÃO À QUESTÃO CULTURAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL.

A cultura de um povo é sua identidade. É o que diz quem esse povo é, como pensa, age, fala, come, trabalha, nasce, cria vida, se diverte e faz arte.

O povo do Rio Grande do Sul que estufa o peito para falar de seus feitos passados, não luta pela valorização de sua arte, pelo seu direito à educação e à saúde através da cultura, que está sendo desmontada dia a dia pela falta de interesse em incentivar e apoiar a produção local.

A arte é um caminho para evolução do ser humano, tornando-o mais sensível para que ele aprenda a pensar e agir por SUAS ideias e conclusões.

É necessário que artistas e população tenham espaços democráticos, de fácil acesso e com infraestrutura adequada. É necessário que o público e os artistas levantem suas vozes para que as autoridades cumpram seu dever de servir ao povo.

A situação atual da Cultura no Estado é devastadora, não há políticas culturais efetivas e permanentes. O estado geral dos espaços públicos de cultura é uma afronta à população. Há muito a classe aceita uma condição indigna para poder fazer sua arte, mas agora levanta-se para exigir mudanças - precisamos de soluções reais e efetivas através de:

- políticas públicas eficazes e transparentes para a cultura e a arte;
- acesso real de grupos locais a TODOS os espaços culturais do Estado e Municípios;
- aprovação da PEC 150, pela Câmara Federal;
- manutenção adequada e permanente de espaços físicos e equipamentos públicos de cultura;
- abertura de vagas e concurso público e qualificação para técnicos em teatros públicos;
- aumento de financiamentos e editais públicos de fomento e pesquisa artística local;
- promoção da circulação de espetáculos regionais dentro do Estado e Municípios do RS.

Queremos fazer arte dignamente.

EXIGIMOS CONDIÇÕES DE TRABALHO.


Rio Grande do Sul, março de 2014.


sábado, 17 de dezembro de 2011

Vamos ao que interessa?

Acabou o mimimi dos prêmios de teatro em Porto Alegre? Vamos a assuntos mais sérios? 
Bombeiros e MP na usina e sambódromo. Quando é que eles vão no Renascença e no Câmara - sem falar na CCMQ olhar a situação periclitante das salas onde técnicos precisam trabalhar, se arriscando com o público a incêndios e acidentes pelo estado do equipamento?  
 Teremos que chamar o Chapolim colorado? Quem poderá nos salvar? Por que não vejo saída pra situação. Talvez quando a PMPA não puder realizar o em Cena por falta de espaços minimamente utilizáveis a população se junte à classe exigindo atenção devida. 
Que tempo é este em que as pessoas só pensam em se locupletar às custas dos outros? Se há responsáveis, que sejam responsabilizados. Criminalmente até, se houver incidentes. O que não pode continuar é esse desleixo total numa cidade que se incomoda tanto em sediar copa do mundo de futebol quando não tem estrutura; e não se enganem: a situação dos teatros é apenas a ponta do iceberg.
Trabalhadores da área artitica impedidos de reaver seu material de trabalho por que um espaço como Usina do Gasômetro está fechada por determinação judicial. Ainda que isso nos atrapalhe e muito, acho digno que finalmente se coloque luz sobre o assunto e se apure responsabilidades. A população de Porto Alegre tem o direito de saber o que está acontecendo. 
Descaso, desleixo, falta de vontade, morosidade. Equipamentos públicos atirados às traças. Funcionários da prefeitura, artistas e público desrespeitados. 
LEMBREMOS DISSO EM TEMPOS DE ELEIÇÃO!! Muitos desses que aí estão pretendem ficar ou voltar. E nós? Ficaremos calados??

O maior prêmio de todos.


Nunca recebi alguma indicação pessoal a prêmio e tenho tranqüilidade em reconhecer minhas limitações. Não vou mentir dizendo que nunca pensei no assunto, até por curiosidade em saber o que fazer com aquilo (a função toda). Mas muito já me peguei pensando na idéia toda e sua necessidade.
Inegável a importância, especialmente nos tempos atuais, de se colocar alguma premiação no currículo na hora de obter recursos pra investir no trabalho e claro, se remunerar com isso. Importância essa talvez subjetiva, como uma forma de dizer: olha só, já ganhei até prêmio, então não devo ser ruim, mesmo você não me conhecendo.

Mas quando começamos, pensávamos nisso?

Não tenho idéia exata de quando fui ‘picada’ pela arte de modo geral, mas minhas lembranças começam com uma apresentação de Os Saltimbancos na Assembléia Legislativa do RS, na década de 1970. Levada por minha mãe que corria comigo e minha irmã pelos corredores do prédio pra que a gente tivesse a chance de, numa platéia lotada, ficar num cantinho e ver de pertinho uma galinha e outros bichos dançando e cantando com muita cor, luz e animação.
Era melhor que ter ido ver Bambi no cinema – que me emocionara às lágrimas 'pobrezinho, perdeu a mãezinha dele’ minha mãe lembra que eu dizia – ERA VIVO!! Estava ali, sendo apresentado pra MIM. E outras centenas de crianças, claro. MAS ESTAVA ALI.
Eu já me sentia premiada por esta oportunidade e, relembrando Feuerbach, na versão interpretada por nosso saudoso Lever, “paguei por isso com toda minha vida”.

Não entendam mal, não acho que “pagar”, aqui, tenha a conotação tão negativa que muitos entendem. Simplesmente não poderia ter sido diferente. Eu não imagino minha vida sendo diferente, ainda que com muitos percalços, fugas eventuais, “carreira” (tenho direito de chamar assim?) irregular. Não imagino não ter conhecido as pessoas que conheci, vivido tudo que vivi, não importa se bom ou nem tanto.
Não poderia ter abdicado de, mesmo fora do palco, ter ajudado tantas pessoas a realizar o sonho de continuar fazendo de nossa arte única. Das amizades e afetos que ganhei.

E eis que, em final de 2005 e 2006, o maior de todos os prêmios.

Lembro em detalhes, até sons e cheiros. Havia um grupo grande de pessoas num bar na cidade baixa, em Porto Alegre. Trabalhávamos juntos então. E o Edu Kraemer – amigo, parceiro a quem admiro muito e será sempre um dos meus maiores afetos – me chama meio de canto e fala “tem um texto que eu queria muito fazer. É um casal.” E eu, metida que sou, nem o deixei falar e me atirei: eu quero fazer. Não sabia que aí começava uma história que me trouxe dor e alegrias mas sobretudo, a resposta pra todas minhas dúvidas e angústias com a forma com que resolvi levar minha vida.

Eu ainda não sabia que ele queria montar Tennessee Wiiliams (talvez tivesse corrido ante a responsabilidade) , um texto breve, escrito antes de “Um bonde chamado desejo” – talvez até o ensaio pra tal peça.

Ainda que cada detalhe me venha à mente, vou encurtar o caminho das primeiras leituras, conversas com o Rafael Guerra (que compôs o elenco comigo), definição de formas. Apenas conto que quando o Edu avisou (ele não pergunta, ele define) que não ensaiaríamos todos juntos, confesso que tremi. Eu não teria a mínima chance de me esconder durante os ensaios. Algumas pessoas entenderão bem o que eu quero dizer.

Segunda e terça na hora do almoço eram momentos dedicados a ELA e quarta e quinta a ELE. Só nos reunimos na semana de estréia. Eu não tinha idéia de que o Rafa pudesse ter sofrido o que eu sofri. Mais de uma vez (e nunca soube se o Edu sabia disso na época ou apenas recentemente quando falamos no assunto) eu voltava ao escritório da Câmara do Livro e desatava a chorar pensando: não serei capaz! Eu não posso seguir com isso. Amanhã vou avisar o Edu que eu desisto.
Mas ele sempre me enrolava e eu terminava o ensaio sem ter tido coragem de fugir.
Ainda agora me emociono ao lembrar.
Montamos "Fala Comigo Doce como a Chuva".

Então estreamos e muitas histórias emocionantes apareceram. A maior delas, pra mim, ocorreu bem longe da Usina do Gasômetro, onde nos apresentávamos.

No consultório da terapeuta onde eu batia ponto uma vez por semana (acho que era na quinta-feira), sento-me na poltrona e a ouço falar antes de mim, pela primeira vez provavelmente. Ela tinha poucas chances de me ver atuar, em função de sua vida atribulada na época.

“Eu tenho uma paciente que chegou aqui há 2 anos, numa grave crise conjugal. Ela não dava mostras de descobriria isso tão cedo. Então ela chega aqui na terça-feira, senta nessa poltrona aí e me diz: meu casamento é uma merda e por isso minha vida é uma bosta. Fiquei muda, ainda sem saber como perguntar como ela havia chegado àquela conclusão e ela continua: fui ver uma peça no final de semana. E aquela mulher era EU!(...)
Fiquei pensando que sentimento te move, o que te estimula a subir todo dia num palco pra fazer supostamente a mesma coisa e ainda assim tocar uma pessoa dessa forma.”

Contei a ela das várias histórias que vivenciamos com esse trabalho. Este ano alguns colegas me brindaram com comentários muito bacanas e eu nem sabia que muitos deles haviam assistido.

Venho pensando em colocar isso no meu currículo. Alguém acha realmente que é necessário um prêmio maior que esse?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

No apagar das luzes

...de 2010 mais um excelente ator vai alegrar outros pagos
http://apatotadoteatro.blogspot.com/2009/06/blog-em-construcao.html

Cacá Corrêa, ator, diretor, cenógrafo...um ARTISTA de talento inegável vai exercitar seus dotes mais além

Fique em paz, Cacá!

domingo, 4 de julho de 2010

Macbeth no Sesc Pinheiros

Os comentários não eram favoráveis. Do meu lado reclamaram do “ritmo” durante o intervalo. Um casal da frente não voltou pro segundo ato. O público reclamante certamente é público levado ao teatro mais pelos nomes que costumam ver nas telas de suas televisões e que, provavelmente, pouco sabia sobre o que ia assistir. Este, acostumado a produtos pasteurizados, saiu “cansado” pela falta de hábito de ouvir textos mais elaborados, em que prestar atenção que está sendo dito para formular seus próprios pensamentos e conclusões não é uma constante.
De minha parte, gostei de ver o texto privilegiado numa montagem aparentemente simples e monocórdia. Texto, aliás, dito de forma segura - por talentos individuais que formaram um elenco homogêneo, demonstrando a dedicação e precisão da equipe em ensaios e o conhecimento do texto. Gosto da multiplicação dos papéis, com mudanças corporais e de voz a cada tipo apresentado. Muitos espectadores podem não ter percebido, mas assistiram a uma montagem não-condensada (mas editada) onde cada personagem tem seu espaço bastante preservado ainda que em alguns momentos certos ‘cortes’ fossem meio bruscos. Nada novo em coxias e contrarregragem assumidas. Lembrando: o mesmo Aderbal dirigiu "Hamlet" recentemente.
É rara a montagem de ‘Macbeth’ que evidencie o bom humor do bardo inglês. Os risos contidos em momentos pontuais confirmavam a percepção desse humor, mostrando a força dos diálogos e o envolvimento da platéia mais atenta a eles. As figuras das bruxas (as ‘três irmãs’) logo no começo pareciam determinar uma linha que não foi muito explorada e mesmo não sendo a forma que mais gostei de ver, foi criativa ao mostrá-las como senhoras inglesas fofocando na hora do chá.
Senti que a última cena de Lady M., onde sua ‘loucura’ é mostrada, perdeu força ao ser guiada por uma serva e um médico. Seguindo por aí, confesso que esperava – não sei como – um pouco mais de força por parte de Renata Sorrah que, mesmo assim, estava excelente.
Não sou fã de microfones no teatro, mas muitas vezes é necessário e, tendo incomodado no começo, passa a ser natural ao ouvido depois de alguns minutos, pelo fato de ser ambiente e não lapela. A espectadora ao meu lado não se furtou de dizer "esse microfone pega tudo, até o barulho das cadeiras, coisa chata". Se não tivesse microfone, ela deixaria de ouvir o ruído que é igualmente parte do espetáculo?
A nota triste ficou por conta de um comentário logo atrás de mim: “teatro tem que ser comédia, não adianta...” E assim retoma-se a discussão: que espaço tem essa arte não-industrializável num mundo tão tecnológico, imediatista, onde idéias são expressas em 140 caracteres? Seria, afinal, a morte do teatro que vem sendo apregoada desde seu nascimento?

quarta-feira, 9 de junho de 2010

A arte do Ator



Palco nu. Uma atriz, dois atores. Um diretor. Companhia Chapitô. Luz, trilha sonora. Um pano, um livro, roupas de ensaio. Rostos limpos. Uma boa história.

A Tempestade de Shakespeare com mais de 20 personagens foi apresentada com os 3 atores revezando-se em 12 desses personagens e demonstrando que o teatro é sempre a arte do ator. Pra quem conhece, impossível não lembrar do trabalho de Birindelli no seu Il primo Miracolo e tantos outros espetáculos de ATORES com formação corporal e de interpretação profundas.

Aqui, a companhia usa a imaginação da platéia como sua única aliada ao contar a história de traição, amor, magia. Uma criação coletiva de atores com qualidades invejáveis que mudam de personagens 'apenas' com alteração de voz e postura e nós, felizes, compramos isso e nos deliciamos com os tipos apresentados e enxergamos a ilha, sentimos a chuva, vemos as pessoas no barco e o naufrágio.

Se isso não é TEATRO, nada mais é.


Autoria - criação coletiva da Companhia do Chapitô
Direção - John Mowat
Atores - Jorge Cruz, Marta Cerqueira e Tiago Viegas

Nesta vinda ao Brasil com apresentações também em Brasília e Londrina.

sábado, 5 de junho de 2010

"Cinema" no teatro

Tem algo que sempre falo, escrevo, penso, repiso: educação formal de base é algo muito esquecido nos últimos 15 anos (chutando). Ontem fui assistir “Cinema”, trabalho da Sutil Companhia de Teatro, que há muito tinha vontade de ver. O que eu nunca tinha lido a respeito – evito ler críticas antes – era sobre a estética utilizada. Talvez propositalmente não divulguem ou não queiram dar um rótulo.
Ultimamente jovens realizadores de diferentes manifestações artísticas vêm, novamente, visitando e experimentando o movimento surrealista. Palavrinha fácil nas bocas de filósofos de boteco, estética explicada geralmente com exemplos de trabalhos de Dali e Buñuel.
Gostar ou não é outro assunto.

Mas fiquei interessada especialmente pelo resultado nas pessoas que saíam da sala de teatro. Isso, pra mim, foi mais interessante que o próprio trabalho, pois no momento em que me ficou claro o surrealismo, o que aconteceu foi uma sucessão de imagens coladas aparentemente diferentes, mas que nada acrescentavam ao que já estava definido desde os 10 primeiros minutos de peça: fatos corriqueiros, aumentados ou fantasiados numa sala de cinema. Citações explicitas como a repórter falando que pessoas estavam estranhamente ‘presas’ na sala de cinema (Buñuel) ou o ator/personagem falando em russo apenas confirmavam a opção pelo surreal.

Na saída, falava com um amigo sobre nossas impressões e confirmaram-se minhas expectativas: a maioria das pessoas saiu meio tonta, sem saber o que pensar, ou se deveria pensar. A grande dúvida é: ajuda você saber sobre a estética usada? Ou justamente esse estranhamento causado levaria a conjecturar sobre o que foi visto, pensar no que foi sentido por causa disso sem rótulos previamente identificados? Talvez as duas coisas. Nesta última hipótese, funciona. Pra mim, fica chato. Apesar de reconhecer – por conhecimento de causa – o enorme trabalho ao qual o grupo se dedicou. Eu mesma já tive oportunidade de estudar mais de perto o surrealismo quando o Teatrofídico preparava a versão de “O Anjo Exterminador” de Buñuel para teatro, em Porto Alegre.

- Que coisa maluca!
- Meu, cê entendeu alguma coisa?
- Nossa, muito divertido...
- Nunca mais vejo peça de graça!

Pessoas de idades bem diversas tinham reações diferentes não necessariamente vinculadas ao que se ‘esperaria’ de alguém daquela idade. Senhoras com sorrisos satisfeitos e jovens incomodados me lembraram a questão da educação formal. Já falei várias vezes disso de ter tido a oportunidade de aulas de música, artes, filosofia no colégio. Pois ficou muito claro que a experiência de vida e qualidade de ensino daquelas ajudava na apreensão deste trabalho e que a escola fraca e facilidade de ter tudo mastigado pela comunicação de massa destes dificultava o que poderia ter sido pura diversão, pois havia momentos engraçados de maneira muito simples.
Quando se espera “o de sempre” fica difícil deglutir algo novo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Réquiem e Epifanias

Livremente inspirado em Caio F.

"Réquiem para um rapaz triste" reflete as personagens femininas de Caio.
Epifanias II traz novamente crônicas com um olhar peculiar do escritor sobre o cotidiano, publicadas na jornal O Estado de São Paulo.



DOMINGO SIM, OUTRO NÃO.

sábado, 3 de outubro de 2009

O Zoológico de Vidro.

Semana cheia.
E a idéia firme de postar algo sobre um espetáculo que vi. Um dos raros casos que merece ser assim chamado, na minha modestíssima e nada abalizada opinião. A segunda vez em SP que me sinto compelida a levantar para aplaudir ainda gritei 'bravi' visto que toda equipe compôs um trabalho à altura do texto sob a batuta firme de Ulisses Cruz.
Não pensem que estava predisposta a gostar apenas pelo fato de gostar da obra de Tennessee Williams. Não a conheço toda, tampouco.

Mais conhecida no Brasil pelo título "À Margem da Vida" (The Glass Menagerie) que teve aqui várias montagens, O ZOOLÓGICO DE VIDRO - em cartaz em São Paulo encanta desde o princípio pela primorosa tradução que traz a essência do trabalho do autor. Depois, a condução da pesquisa sobre toda sua obra, o envolvimento que se percebe na precisão e delicadeza do que é trazido à cena. Precisão da iluminação, cenário, trilha sonora, trabalho dedicado de todos os profissionais envolvidos, nítido no resultado apresentado por um elenco aplicado, que entende que teatro é a arte de toda uma equipe trabalhando junta.
Percebe-se a clareza do rumo que o diretor queria, percebe-se que o cenário está adequado funcionalmente e traz à nossa vista o ambiente em que vivem aqueles personagens. Onde iluminação e trilha sonora pontuam divinamente momentos delicados e noutros, a pontuação se dá pela arte de atores seguros, experientes, guiados por uma direção consciente.

Como atriz, sei que muitas vezes essa 'impressão' de organização, trabalho dedicado, etc é pura fantasia e na verdade tudo pode ter sido meio maluco. Mas não há forma de trazer emoção verdadeira do espectador se a dedicação não é real.
E minhas lágrimas eram reais.

Tive a felicidade de atuar em "Fala Comigo Doce como a Chuva", trabalho que me custou algumas noites de sono, lágrimas de preocupação e outras tantas da personagem.
Emoção real. Pra nós e pra quem via.
Produção bem mais modesta. Nem por isso menos envolvente. E onde recebi o maior retorno (e elogio) profissional da minha vida. Vindo do público!
Mas isso é história.

Não deixe passsar a oportunidade
de ver TEATRO.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Caio F. gratuitamente em SP

O grupo Teatro do Indivíduo apresentará um recorte destacando a produção de crônicas, contos, peças de teatro e cartas da obra do escritor gaúcho.


Local: Sala de Leitura. 3º andar

ENTRADA GRATUITA

Direção Geral: Rodolfo Lima


Programação:

Dia 22, terça-feira

16h – Leitura de “CONTOS” – com Cleber D’Nuncio e Rodolfo Lima.

19h – Intervenção com as “CARTAS” trocadas entre vários amigos. Com Fernanda Brandão, Ivania Davi e Rodolfo Lima

Dia 29, terça-feira

16h – EPIFANIAS” Intervenção Cênica. Crônicas de Caio F. escritas no O Estado de São Paulo. Com Cleber D’Nuncio, Cleber Tollini e Rodolfo Lima

19h – Espetáculo “Réquiem para um rapaz triste” inspirado nas personagens femininas de Caio. Adaptação e Interpretação: Rodolfo Lima – Direção: Ivania Davi

SESC CONSOLAÇÃO

Rua Dr. Vila Nova, 245
Vila Buarque
São Paulo - SP

ENTRADA GRATUITA

domingo, 13 de setembro de 2009

Dicas para a semana em São Paulo

segunda a quarta:
A ALMA IMORAL (apenas imperdível-livro e peça)

Neste monólogo, a atriz parte do livro homônimo para tratar de dilemas éticos, em especial da tensão entre tradição e ruptura. Premiado com o Shell 2007 de melhor atriz.

Duração: 75 minutos
Classificação: 18 anos
Supervisão: Amir Haddad
Texto: Nilton Bonder
Adaptação e interpretação: Clarice Niskier

ingresso: R$50,00


Livraria Cultura - Conjunto Nacional Teatro Eva Herz

Av. Paulista, 2.073 - Bela Vista - Centro. Telefone: 3170-4059.




Não aceita cheques. Não aceita reservas. Tem ar condicionado. Vende ingresso pelo telefone. Tem acesso para deficiente. Tem local para comer. 166 lugares. Estac. (R$ 10 a 1ª h mais h adicional).

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Aquidentro aquifora

Há algum tempo procuro acompanhar, ainda que não da forma como gostaria, o trabalho de Cristiane Zuan Esteves. E mais recentemente - desde que vim morar em SP - o do OPOVOEMPÉ.

O 9:50 QUALQUER SOFÁ foi o trabalho que primeiro vi do grupo e fiquei percebendo de longe algumas intervenções mundo afora e sabendo do desenvolvimento desse novo espetáculo (ou experimento como elas preferem chamar) também através de algumas palestras/encontros lá na Casa da Caldeiras, onde fica a sede fixa da meninas.

Compromissos de trabalho e a chuva constante ainda não me permitiram ver o ato aquifora que sai da Galeria Olido (centro de São Paulo) nas terças e quartas às 16h pra integrar o trabalho à pólis, como esperava quem acompanhou a pesquisa. Depois de quase uma hora sob chuva esperando um ônibus que não chegou a tempo de me permitir chegar no horário na estréia semana passada, hoje ficou claro que minha insistência pra ver aquidentro não foi em vão.

aquidentroaquifora
é um 'experimento' aparentemente descompromissado por sua leveza e maneira divertida de fazer/ser/sentir o humano na vida/mundo. Sempre gostei desse pensar e do trabalho muito sério que norteia a linguagem do grupo.

Parabéns, gurias! Tá tudo muito bem amarrado desde a concepção e guardarei pra sempre o programa "caixa de remédio" com bula e tudo! Lindo.

Espero ver aquifora em breve!

domingo, 6 de setembro de 2009

"O sistema"

“Crie seu próprio método. Não seja dependente, um escravo. Faça somente algo que você possa construir. Mas observe a tradição da ruptura, eu imploro.”
Stanislavki
Acabei de ler no Blogosférico Cultural. Para um rápido resumo e indicação de bibliografia, leia o artigo que está bem legal.
Essa 'tradição da ruptura' me lembrou "A alma imoral" de Nilton Bonder... Hum, tudo está convergindo...


Bom domingo e feriado!

domingo, 23 de agosto de 2009

A clareza de Boal.

Todo teatro é necessariamente político, porque políticas são todas as atividades do homem, e o teatro é uma delas. Os que pretendem separar o teatro da política, pretendem conduzir-nos ao erro – e esta é uma atitude política. Teatro é uma arma muito eficiente. Por isso, é necessário lutar por ele. Por isso, as classes dominantes permanentemente tentam apropriar-se do teatro e utilizá-lo como instrumento de dominação. Ao fazê-lo, modificam o próprio conceito de que seja o “teatro”. Mas o teatro pode igualmente ser uma arma de liberação. Para isso é necessário criar as formas teatrais correspondentes. É necessário transformar. (Augusto Boal) – Trecho do livro Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas - Explicação

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Alterego de Marcelino?

"Encontrei meu alterego", disse Marcelino Freire a Rodolfo Lima logo após a pré-estréia de BICHA OCA, no bate-papo que rolou depois da apresentação.
Pessoalmente, fiquei encantada com a qualidade dada por Rodolfo ao personagem que tem passado, presente e futuro bem definido. Do riso às eventuais lágrimas e vice-versa, é possível notar nuances no personagem criado a partir de costuras de contos escritos por Marcelino e que encerra com um texto recente, sugerido pelo autor a Rodolfo e ao diretor Edu Reis que quebraram a cabeça e, ainda que não acreditem, solucionaram bastante bem o final.
De resto, sou suspeita, pois apesar de amiga, sou hoje fã de Rodolfo. (Não é 'além' não. É APESAR mesmo!)

A ESTRÉIA OFICIAL ESTÁ MARCADA PARA O PRÓXIMO DIA 12 DE AGOSTO.