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quarta-feira, 10 de abril de 2013

Spagna Lima


Marcelino escreveu que se fosse ator, seria ele. Há muito sei que se eu tivesse coragem seria alguém como ele. Temos muitos princípios e sonhos parecidos. A abissal diferença é que ele faz acontecer e eu, perdida entre agradar o mundinho seguro da classe média em que cresci e o mundo da arte, de que não consigo me desligar apenas sonho à espera de alguém como ele, que me carregue junto, como fez algumas vezes.

Leio sua carta com os olhos e rosto encharcado de lágrimas. Por ele, por mim, pelos amigos que perdi de vista. Pela situação que vivemos ambos no momento. Pelo nosso cansaço. Pela nossa incrível capacidade de seguir em frente.

Pela mente correm imagens do dia em que nos conhecemos, quando fomos buscar a cama que seria da Alice por uns dias aqui em Porto Alegre, emprestada pelo Vinícius Cáurio. Depois voam lembranças de São Paulo, sua amizade incondicional, sem medo de dizer o que precisava ser dito. Pra isso são também os amigos. Da sua força em buscar sempre mais. Sua força em me estimular a seguir.

Lendo sua carta sinto uma dor imensa por não ter conseguido ir a São Paulo nos últimos meses, ver os 10 anos de Alice e tudo mais. Lendo sua carta lembro dos amigos de quem precisei me despedir antes do previsto por mim ou por eles, acho.
Lendo sua carta penso na minha incapacidade de lutar mais por aquilo que quero. Lendo sua carta me sinto tão covarde que me dá vergonha. Lendo sua carta sinto.
Muito. Por aqueles que não consigo ajudar. Lendo sua carta sinto uma vontade imensa de mudar tanta coisa e olho pro momento e percebo que tive tantas oportunidades não aproveitadas. Lendo sua carta reconheço os tesouros que a vida me trouxe e que aproveitei. Lendo sua carta lembro das amizades que foram. Nem por isso deixaram de ser importantes. Quem disse que era pra sempre?

Lendo sua carta me sinto pequena, frágil, incapaz. Vontade imensa de tirar a dor lá de dentro dele. De dar colo, casa. O nosso apartamento é bom por isso. Por que nos permite chorar à vontade, ouvir a música que quisermos, na hora que der vontade. Dormir na hora de acordar e acordar na hora de dormir. Comer porcaria sabendo que não é legal. Só por que deu vontade.

Ao mesmo tempo uma compreensão do que ta lá dentro e dos rumos escolhidos e trilhados. Tive a sorte de ter amigos. Mas alguns são como sonhos realizados. Um deles é você, Rodolfo.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Por um movimento PRO cultura Paulista.

As pessoas me perguntam porque estou cansada de São Paulo. Bem, isto talvez ajude a entender um pouco do que vejo nas ruas, nos ônibus, em empresas, em restaurantes, pequenosa movimentos cotidianos, velados... Traduzidos por pessoas mais corajosas em expor seu pensamento tacanho:

http://www.manifesto.rg3.net/ e http://tinyurl.com/39xao6m


Estou cansada de cada vez que uso um termo diferente - mesmo que correto gramaticalmente, ser questionada pelo meu "chefe" e ter que catar explicação na gramática pra ele. De ouvir risadas com dedo na cara (olha o jeito que ela fala!) quando falo bergamota, mesmo sendo esse o nome em português da fruta e não um regionalismo como mimosa ou mexerica [http://tartarugamiga.blogspot.com/2009/09/de-hoje-nao-passou.html ]

Nunca pensei em me sentir estrangeira dentro do Brasil e estou cada vez mais triste e solitária. Me pediram uma vez pra levar um chimarrão numa produção. Levei, algumas pessoas pediram pra tomar, havia também 2 gaúchos que aproveitaram um pouco. Mas houve também aquele que ficou irritantemente fazendo gracinhas com "esse troço nojento que todo mundo bota a boca". Depois não sabem porque gaúcho chia tanto...Talvez seja pra se defender, aliando isso a sua natural arrogância gauchesca.

Outro dia um amigo levou a mãe (dele) ao aeroporto e foram agredidos verbalmente – aos gritos, numa fila de carros junto à entrada do estacionamento. O motivo: “tinha que ser gaúcho pra atrapalhar a fila (detalhe: ele era o terceiro)! Por que vocês não vão embora? Vem pra NOSSA terra só pra atrapalhar a vida dos outros.” Meu amigo, diretor de relações institucionais da CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – órgão que regula TODO contrato de compra e venda de energia do país apenas disse: “talvez pra dirigir empresas que vocês não têm competência para...” Só não apanhou por que outras pessoas impediram. Mas não achou nenhum guarda pra prender o coitado do agressor em flagrante*.

Que culpa têm os nordestinos ou qualquer brasileiro, de ter uma cultura própria rica, vibrante, cantada e tocada com alegria e se os paulistanos têm inveja pois sequer sabem o motivo de seu "9 de julho"? (é bom que se diga noutros lugares do estado em que estive sempre fui muito bem-tratada)

Porque nunca vão ao parque da água branca ver o festival de cultura paulista?

http://jeinformaaplauso.blogspot.com/2010/03/voce-conhece-sua-terra.html

Pq não aprendem na escola o seu hino? Ninguém é obrigado, mas se alguém quer, deixa a pessoa aprender sobre sua identidade cultural!! Aliás, não consegui ouvir ainda, mas sei que foi trocado na década de 70 o original por um poema aos bandeirantes que foi musicado.

[Bandeirantes...gente de fora... Ah? Ah?...Sacou... ?]

Só porque SP virou uma salada de frutas sem cara - e não é isso que a faz única? , tem que ter algum ‘bode expiatório’ e todo mundo tem que ser apático desse jeito? Só é bom o que é importado de outros países??

Sugestão de leitura - link adicionado em 2011: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/o-manifesto-sao-paulo-para-os-1

E nessa onda de importação, ainda que a França maltrate seus migrantes ou muito me engano ou foi lá que surgiu uma lei, movimento, enfim, programa pra que filhos de imigrantes não abandonem totalmente suas culturas, seu idioma natal.

PQ SP NÃO FAZ UM MOVIMENTO PRO CULTURA PAULISTA??

http://jeinformaaplauso.blogspot.com/2010/05/conhecendo-sp-xv-festa-do-imigrante.html

PRO CULTURA BRASILEIRA?

http://jeinformaaplauso.blogspot.com/2010/06/naturalmente-brasileiro.html

O MAIS DOIDO, É QUE ESSA GENTE MESMO acha chique ir comer fondue em Gramado e passar o carnaval atrás de trio elétrico na Bahia... Ah, mas aí é só férias, tipo gringo, americano atrás de turismo sexual... Sei!

Será que ninguém percebe que siglas como da tal S.D.R. (Soberanos da Revolução http://www.elitesdr.com/) que incitam contra negros, obesos, deficientes, mulheres, doação de sangue e órgãos, adoção de crianças em comunidades virtuais aproveitam justamente este tipo de sentimento que deveria estar em total desuso?

POR ISSO É IMPORTANTE SABER DE ONDE VIEMOS!!! Pra evitar cometer certos erros novamente. ISSO É NEO-NAZISMO PURO! E as pessoas estão esquecendo como tudo começou!

Quero estar próxima dos meus amigos e familiares pra lembrar às pessoas que somos todos absolutamente iguais e lutar contra qualquer espécie de preconceito e tentar que eles não cometam estes mesmos equívocos.

LEMBRAR QUE A LEI 'DE RACISMO' brasileira*, também se aplica a procedência regional, segundo me explicou um amigo paulistano advogado após ler a lei LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989. [o que teria motivado a prisão em flagrante do exaltado lá do aeroporto]

Lembrarei sempre com muito carinho de todos os amigos brasileiros de tantos lugares diferentes que me ajudam e ajudaram por aqui. ADORO a cidade, conheci pouco do estado. Mas tá difícil.

Como diz um grande amigo paulistano, morador de outras paragens: sou brasileira. Mas já que não consigo ser em São Paulo, serei brasileira lá onde tem gente que entende o orgulho de conhecer sua identidade, história, de achar bonita a música, as danças sem ridicularizá-las, de receber bem os que vêm de fora, ainda que alguns por lá se esqueçam disso às vezes...

Espero sinceramente nunca ter agido dessa forma com nenhum "estrangeiro". Que aliás, quando são não-brasileiros, são tratados cheio de rapapés pelos brazucas, né?

Espero que estejam tratando bem melhor hoje em dia meus amigos paulistanos em POA e o outro em Salvador do que os brasileiros são tratados em São Paulo.

EXCELENTE TEXTO SOBRE O TEMA, SEM MINHA INDIGNAÇÃO http://champ-vinyl.blogspot.com/2010/08/carta-aberta-ao-movimento-sao-paulo.html

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Parabéns torcida SãoPaulina



Toda a loucura de ver jogo no estádio é poder gritar junto com a massa, cantar numa só voz a alegria de ver seu time jogar e torcer por ele. Isso, pra mim, é tão bom quanto ver um excelente espetáculo (e não é?) teatral, um ótimo filme, ver um show de música de alto nível, com a possibilidade de interagir como em praticamente nenhum deles.
Possibilidade de rir com os amigos, encontrar gente que não vê há tempo, xingar o árbitro - que não vai ouvir nada, claro! - e botar seus 'bichinhos' pra fora!

Se ontem, pela Libertadores, o São Paulo foi um time covarde, sua torcida ensinava aos torcedores das cadeiras sociais e à arquibancada superior colorada o que é o amor ao clube e o apoio que se espera de uma torcida. As cobranças não demoraram a vir pelos jornais da capital paulista e devem ter sido permanentes nos comentários pós-jogo dos torcedores triclores presentes ou não ao estádio. Mas os que lá estavam torceram e cantaram mesmo ao término da partida, demonstrando que torcida DE VERDADE apóia o time o tempo todo. Reclamar é fácil, apoiar incondicionalmente é que são elas.

"Roupa suja se lava em casa"? Pois se os São Paulinos saíram com queixas do estádio, levaram também a fé de lotar o Morumbi e fazer uma festa linda como a que nós pudemos fazer também. E sigamos com respeito mútuo.

PARABÉNS TORCIDA SAOPAULINA PELA POSTURA INVEJÁVEL!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

SP PRO PREconceito

Apenas lembrando que é crime previsto em
LEI Nº 7.716, DE 5 DE JANEIRO DE 1989 e segundo um advogado que consultei, está incluso procedência interna. Isso se aplica a vários comentários postados aqui: http://www.manifesto.rg3.net/, a partir do qual aconteceu o texto abaixo.

Porque o Brasil deve andar na contramão, quando a tão copiada França faz tudo pra que os estrangeiros lá residentes não percam sua identidade, não esqueçam seu idioma, faz bastante coisa pra que os franceses parem de tratá-los mal? Quando lutamos por leis antidiscriminação?
Ou será que este 'movimento ' está alinhado - ao que tudo indica - com o neo-nazismo de quem prefere esquecer a história recente da humanidade, como estas pessoas: http://www.elitesdr.com/ ?

Porque, ao invés de reclamar - talvez com inveja - de outras culturas, o paulistano (a maioria dos paulistas não compactua com isso) não tenta criar um movimento pra que se ensine sobre a rica cultura do estado?
PRO cultura paulista e não contra algo?
PRO CULTURA BRASILEIRA?
http://jeinformaaplauso.blogspot.com/2010/06/naturalmente-brasileiro.html

E olha que o paulistano age exatamente como gringo deslumbrado nas férias: adora ir pra Gramado comer fondue e correr atrás de trio elétrico na Bahia ou aproveitar as lindas praias de Santa Catarina ou Nordeste. Mas nas férias pode, né? Talvez seja por que se sente sem cultura e lá encontra “coisas diferentes”.

O Brasil, meus caros, é um ajuntamento de gente de lugares diversos. Alguém imagina SP sem seus italianos que chegaram em massa fugindo das guerras? Ou os japoneses idem? E por que essa birra com os nordestinos? Talvez por que o nordeste tenha, provavelmente, a cultura mais rica do país, né?
Quem eram os bandeirantes formadores das ‘nobres famílias’ paulistanas senão achacadores que pilhavam toda riqueza que podiam encontrar pela frente? Duvido que os tão ofendidos paulistanos desse movimento aceitassem sentar tijolo, carregar fruta no CEASA. Alguém tem que fazer o trabalho sujo pra nós, não?

Esses sentimentos de “estamos sendo invadidos” foram justamente as armas encontradas dentro das pessoas por Hitler e sua camarilha de seguidores fanáticos. Encontraram ecos num povo dolorido pela reconstrução de seu país e buscaram em judeus, ciganos, homossexuais e estrangeiros um bode expiatório para sua dor, sua falta de perspectiva, sua ausência de otimismo.
Copiem a alegria nordestina e talvez possam sentir-se mais humanos.

É triste ver que um meio de comunicação como a internet possa ser tão mal utilizado. Por outro lado, facilita a vida de nossa polícia – que bem quietinha nos vigia a todos – nesse período de fichamento que vai recolhendo dados sobre estas pessoas, seus IPs, seus “desabafos” equivocados.

Por que ao invés de semear ódio e discórdia, não procuram conhecer SUA identidade?
Algumas dicas:
http://jeinformaaplauso.blogspot.com/2010/03/voce-conhece-sua-terra.html
http://jeinformaaplauso.blogspot.com/2010/05/conhecendo-sp-xv-festa-do-imigrante.html

domingo, 13 de junho de 2010

Naturalmente brasileiro



Antonio Nóbrega é desses brasileiros de modos simples mas com educação refinada e uma vida tão musical que seu nome hoje em dia é indissociável da arte. Tem um amor tão grande pela cultura popular brasileira que a leva pro palco mexida, ampliada e nos faz amá-la também.
Anos atrás o vi ao vivo pela primeira vez, no show que tinha o mesmo nome do CD que foi impossível não comprar: Madeira que Cupim Não Rói. Com a esposa bailarina, nos mostrava o Brasil que não temos o hábito de ver, numa grande brincadeira com figuras de animais e dançadores invadindo o palco.
Ele compartilha esse amor pela música e dança brasileiras com o público de forma tão divertida que fica impossível a gente não se apaixonar pela nossa cultura, não sentir vontade de procurar alguns vídeos, acompanhar programas da TV Cultura e sair dançando pela rua.

Em NATURALMENTE, ele transforma essa pesquisa pessoal de todos os cantos e recantos do Brasil – que faz por puro interesse pessoal há muitos anos - em uma deliciosa aula de ritmos, coreografias inspiradas em côco de roda, batuques, candomblé, umbigadas, bastões, sapateado, procedimentos coreográficos e assim vai desfiando parte do glossário da cultura corporal popular brasileira, como ele mesmo falou várias vezes. Intercala música, vídeo, coreografias das quais ele mesmo participa ativamente, com seus 58 anos de idade - e quase 40 estudando a cultura popular brasileira.
Ainda é possível ver – parece que os ingressos não estão esgotados. Pena que tanta gente compre e no dia resolva não ir e o SESC não libere pra quem não conseguiu comprar... Ficam lugares vazios, dá dó!

sábado, 5 de junho de 2010

"Cinema" no teatro

Tem algo que sempre falo, escrevo, penso, repiso: educação formal de base é algo muito esquecido nos últimos 15 anos (chutando). Ontem fui assistir “Cinema”, trabalho da Sutil Companhia de Teatro, que há muito tinha vontade de ver. O que eu nunca tinha lido a respeito – evito ler críticas antes – era sobre a estética utilizada. Talvez propositalmente não divulguem ou não queiram dar um rótulo.
Ultimamente jovens realizadores de diferentes manifestações artísticas vêm, novamente, visitando e experimentando o movimento surrealista. Palavrinha fácil nas bocas de filósofos de boteco, estética explicada geralmente com exemplos de trabalhos de Dali e Buñuel.
Gostar ou não é outro assunto.

Mas fiquei interessada especialmente pelo resultado nas pessoas que saíam da sala de teatro. Isso, pra mim, foi mais interessante que o próprio trabalho, pois no momento em que me ficou claro o surrealismo, o que aconteceu foi uma sucessão de imagens coladas aparentemente diferentes, mas que nada acrescentavam ao que já estava definido desde os 10 primeiros minutos de peça: fatos corriqueiros, aumentados ou fantasiados numa sala de cinema. Citações explicitas como a repórter falando que pessoas estavam estranhamente ‘presas’ na sala de cinema (Buñuel) ou o ator/personagem falando em russo apenas confirmavam a opção pelo surreal.

Na saída, falava com um amigo sobre nossas impressões e confirmaram-se minhas expectativas: a maioria das pessoas saiu meio tonta, sem saber o que pensar, ou se deveria pensar. A grande dúvida é: ajuda você saber sobre a estética usada? Ou justamente esse estranhamento causado levaria a conjecturar sobre o que foi visto, pensar no que foi sentido por causa disso sem rótulos previamente identificados? Talvez as duas coisas. Nesta última hipótese, funciona. Pra mim, fica chato. Apesar de reconhecer – por conhecimento de causa – o enorme trabalho ao qual o grupo se dedicou. Eu mesma já tive oportunidade de estudar mais de perto o surrealismo quando o Teatrofídico preparava a versão de “O Anjo Exterminador” de Buñuel para teatro, em Porto Alegre.

- Que coisa maluca!
- Meu, cê entendeu alguma coisa?
- Nossa, muito divertido...
- Nunca mais vejo peça de graça!

Pessoas de idades bem diversas tinham reações diferentes não necessariamente vinculadas ao que se ‘esperaria’ de alguém daquela idade. Senhoras com sorrisos satisfeitos e jovens incomodados me lembraram a questão da educação formal. Já falei várias vezes disso de ter tido a oportunidade de aulas de música, artes, filosofia no colégio. Pois ficou muito claro que a experiência de vida e qualidade de ensino daquelas ajudava na apreensão deste trabalho e que a escola fraca e facilidade de ter tudo mastigado pela comunicação de massa destes dificultava o que poderia ter sido pura diversão, pois havia momentos engraçados de maneira muito simples.
Quando se espera “o de sempre” fica difícil deglutir algo novo.

sábado, 22 de maio de 2010

Conhecendo Andy Warhol em SP: Estação Pinacoteca



Abstraia tudo que, porventura, tenha lido ou visto sobre Andy Warhol.

O artista “ícone da arte pop” e inspiração de uma geração de artistas contemporâneos está parcialmente exposto na Estação Pinacoteca em SP desde março e quem correr, ainda o verá até o dia 23 de maio.
“Parcialmente” não deve ser o termo mais correto, já que – se por um lado parte de sua obra ali está – ELE se revela por inteiro e é possível, através da observação das obras e leitura dos textos de parede traçar uma linha psicológica bem clara de QUEM é – ainda hoje – Andy Warhol.
A começar pelo nome, que um erro de revisão atalhou (o pai se chamava Warhola) no seu primeiro emprego como ilustrador em NY, nada na vida - e conseqüentemente - na obra de Warhol pode ser considerado ordinário.

A sopa servida aos filhos pelos pais imigrantes e que, assim como o refrigerante de rótulo vermelho mais famoso do planeta, faz parte da cultura das pessoas nascidas nos Estados Unidos está presente tanto quanto as celebridades, confrontos raciais e a busca pela definição de si mesmo.

Num primeiro momento pode-se pensar que o trabalho artístico de Warhol é basicamente egóico. A linha definida pela curadoria mostra as sopas que a criança tomava, as personalidades políticas que tinham suscitado algum interesse no artista e os símbolos variados do que seria seu país de origem: os Estados Unidos da América, algo de que muito se orgulhava.

A presença da morte – geralmente de forma violenta – e a reinvenção (ou procura) de si mesmo em autorretratos pintados, fotografados, sobrepostos a tinta ou com perucas simulando ‘drag queens’ é constante como a observação de tudo à sua volta (sociedade, personalidades) e o gosto pelo cinema, através de suas estrelas ou mesmo ao filmar horas de alguém dormindo. A união disso se nota na série sobre a morte dos Kennedy, a figura de Jackie e o que ela significou.

Quer algo mais pessoal e ao mesmo tempo “pop” que a serigrafia sobre papel que retrata Pelé com uma bola encostada na cabeça lembrando uma “cabeçada”? Como Warhol, Pelé superou dificuldades de uma origem humilde – lembrando a idéia da reinvenção de si, e a estrela estampada na bola lembra-nos a estrela em que Pelé se transformou e por isso mesmo, um grande ícone pop.

Durante o percurso pudemos conversar a respeito disso e traçar um perfil que nos pareceu o mais claro sobre quem era a “pedra” que Warhol pretendia ser. Lacônico em entrevistas e reservadíssimo sobre sua vida pessoal – seu companheiro só descobriu o falecimento da mãe de Andy 12 anos após o fato, ele reservava para suas obras o que sentia com as experiências de morte e quase-morte. Quer entender isso? Vá até a Estação Pinacoteca até o dia 23 de maio, em São Paulo, perto da Estação da Luz e Museu da Língua Portuguesa e tire suas próprias conclusões. Com o mesmo ingresso também é possível percorrer o lindo prédio da Pinacoteca, ver exposições ali instaladas e a aconchegante lojinha com livros de arte.
Aproveite São Paulo!

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Entendendo a "lei"

Semana passada ouvi a seguinte história:
um colega não dormia bem há semanas pq havia uma obra cujos equipamentos pesados como betoneiras funcionavam a todo vapor madrugadas adentro, a despeito de reclamações de toda a vizinhança; segundo as autoridades procuradas, eles tinham licença da prefeitura.
Pergunto: então a prefeitura de São Paulo tem o direito de vender o horário de descanso das pessoas? Certamente quem autorizou tal despautério não autoriza nada semelhante próximo a sua residência.
Está dentro da legalidade se é paga uma determinada quantia em dinheiro aos "órgãos" (ou deveria dizer funcionários?) públicos, mesmo contrariando uma lei municipal de silêncio?
Outro dia a Comgás precisou fazer reparos na rede aqui na frente de casa. Mas era uma situação real de emergência: risco de vazamento e o que pudesse vir a partir daí.

Como é isso, afinal: me ajudem os defensores da atual administração ou os conhecedores da legislação.

sábado, 27 de março de 2010

VOCÊ CONHECE ‘SUA’ TERRA?

No RS, você não precisa gostar e estudar profundamente sobre a cultura local pra ver, o tempo todo, manifestações culturais tradicionais e ouvir com certa constância o Hino do Estado. Fazem parte do cotidiano certos hábitos. Pessoalmente, acho interessante você saber sobre a sua identidade, saber de onde veio pra ver melhor pra onde vai. Assim como a cultura Pernambucana é representada mais pelo frevo, como o Boi Bumbá (Bumba-meu-boi) nos lembra da região norte, especialmente do Maranhão, cada região tem suas tradições.
Assim é com o Estado de São Paulo. A diferença, é que, sendo a capital uma cidade cosmopolita (duvido que exista alguma nacionalidade não representada aqui) e a região destino de muitos migrantes, a cultura local está diluída há muito tempo. Da mesma forma que tive interesse em pesquisar sobre o hino paulista há alguns meses, senti vontade de conhecer mais da cultura da região onde vivo (antes tarde que nunca!). Ainda não consegui ir ao Parque da Água Branca na capital onde todo ano, em setembro, acontece um festival de cultura paulista tradicional, com comidas típicas, danças, artesanato, etc. (em 2010, XIV Revelando São Paulo - Festival da Cultura Paulista Tradicional, mas vou! Vendo um trecho de um programa da TV Cultura (Viola, Minha Viola) resolvi pesquisar ‘interneticamente’ sobre a cultura tradicional paulista, que compartilho aqui.
Comecei pelo Catira, dança tradicional cuja origem muda conforme quem conta a história: Minas Gerais ou São Paulo? Olhando daqui e dali, encontrei o site Terra Paulista, caprichado e talvez pouco acessado sobre as tradições do Estado. Glutona, fui logo olhar sobre a alimentação e lá estão a participação de nacionalidades diferentes, a contribuição indígena e a força da comida tropeira, caipira, dos desbravadores e colonizadores bandeirantes. Arquitetura local, moradias – o que me fez lembrar um antigo projeto de sair com uma amiga em finais de semana estrada afora e conhecer pequenas localidades e lugares diferentes, pouco visitados.
Abra o armário do site, na parte de COSTUMES, pra ver e ler sobre as roupas dos bandeirantes ou sociedade cafeeira da elite aos escravos. Sem esquecer, claro, dos ‘caubóis’, peões e caipiras. ADOREI a parte sobre as famílias formadoras do estado: imigrantes – só índio não é imigrante, né? Bem, em tempos imemoriais, talvez... (xiii, longa discussão), elites, indígenas, camadas ‘populares’, escravos; um instigante link “mulheres” e muitas outras coisas que se pode chamar de ‘bacana’.
Na cidade paulista de Mauá, por exemplo, cultiva-se a tradição de dançar o Catira. Há famílias que dançam o Catira há gerações, com um sapateado e palmeado singelos, realizada por homens mas sem nenhuma restrição à participação feminina. A dança de fitas, que eu nem imaginava que havia aqui também (como em outros estados) e a quadrilha – considerada ‘dança caipira’ – de origem francesa, tão característica do Estado estão entre as muitas manifestações relacionadas no item “festas, danças e folguedos”. Fiquei curiosa com a parte sobre o ‘neo-caipira’ e no site se pode escutar um pouco. Lembrou-me, não sei por que, o movimento ‘mangue beat’ em alguns momentos.
Eu me diverti bastante passeando pelo site. Entre também no link do Projeto Terra Paulista Espero que você tenha tempo pra curtir um pouco dessa cultura tão rica. Boa viagem!

sábado, 7 de novembro de 2009

Conhecendo São Paulo - Auditório Ibirapuera








Eis que depois de várias tentativas consigo aproveitar a oportunidade – através do gentil convite da assessoria de imprensa – e conhecer o Auditório Ibirapuera que fica dentro do parque de mesmo nome em São Paulo. A construção projetada por Niemeyer já atrai quando vista de fora e a sensação ao entrar é de que é maior dentro, devido a uma ilusão de ótica. As linhas, formas, combinação sóbria de cores, espaços e reflexos no piso deixam tudo com uma simplicidade sofisticada. Combinações de obras de arte para abrigar arte. Cordialidade é a marca registrada de toda a equipe que lá trabalha com um sorriso no rosto e o auditório em si é um espetáculo à parte. Muito espaço de palco e platéia, comodidade, acústica impecável!

Caso equipamentos de som e luz sejam do próprio espaço então a perfeição deve estar perto de encontrar sua casa. Não busquei dados técnicos específicos, mas os músicos me pareceram extremamente satisfeitos e havia espaço pra cerca de 20 pessoas e muitos instrumentos se espalharem pelo palco. O auditório tem ainda outros espaços de serviços (chapelaria, café), além da escola de música, cenotécnica, técnica de som e luz, produção de shows, etc, para estudantes da rede pública de ensino.

Muitas pessoas podem pensar que é complicado o acesso. Fui até lá de ônibus na maior tranqüilidade. Fica junto ao portão 3, bem defronte ao Obelisco – aquele em memória aos mortos da Revolução de 32, feriado de 9 de julho, lembram? Tem estacionamento e a segurança do Parque. Não tinha me sentido tão à vontade à noite num parque no Brasil e lembrei minha mãe contando de um concerto ao ar livre no Canadá, numa noite de verão. Bem, aqui não é exatamente ao ar livre, mas o espaço é bastante acolhedor.

Nem poderia deixar de ser quando somamos a qualidade do programa musical apresentado. Longe de ser grande fã de música instrumental e jazz, convidei uma amiga pianista pra ir junto e ambas saímos muito contentes. O entusiasmo contagiante dos músicos que tocam com Benjamim Taubkin (Trio +1) e dos grupos convidados: a ótima cozinha do Freefigeira e o batuque Coco da Xambá jogado pra cima do Bongar de Olinda completaram a noite com empolgação, criatividade e talento. O Paulistano precisa se apropriar mais destes espaços que a cidade oferece.
Até o final do ano, outros 8 diferentes programas estão previstos e informações mais completas podem ser obtidas no site do auditório.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Jazz a 2 reais na segunda-feira?

Toda segunda-feira é dia de jazz no Centro Cultural Popular Consolação, na cidade de São Paulo.
Hoje tem a participação de Michel Leme às 21h30.
Ingressos a 2 reais!

Comece bem a semana!


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A banda JONATAS JAZZ QUARTET formada pelos jovens músicos Jonatas Sansão (Bateria), Lucas Macedo (Sax), André Soratti - Kiko (Baixo) e Davi Sansão (Piano) influenciada por nada mais, nada menos que Oscar Peterson, Miles Davis, Sony Rolis, Art Blakey, Ray Brown entre outros grandes nomes do jazz, sobe ao palco do CCPC trazendo uma apresentação para os mais exigentes expectadores! Um prazer aos ouvidos e ao bolso! Todas as segundas, o som rola! Com cara de happy hour, a Jam Session, começa as 20:00 e rola até as 23:00. Com som agradável e boas companhias, sua semana será, sem dúvida, atípica e muito mais animada!
Aqui no CCPC, todas as segundas R$ 2,00!