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sábado, 25 de janeiro de 2020

AMAR ‘APESAR DE’, NÃO “POR CAUSA DE”.




Aprender a AMAR é um exercício constante de autoconhecimento.
Há a fase de amar por se reconhecer na outra pessoa.
Há a fase de amar pelo que acreditamos que a outra pessoa é ou gostaríamos que fosse.
Há muitas e variadas formas de amar e aceitar ser amado pode ser ainda mais desafiador.
AMAR respeitando as características boas ou não e o momento de evolução.
AMAR apesar de...
Amar incondicionalmente é o ponto a ser alcançado em plenitude.
AMAR não pressupõe reciprocidade, posto que a outra pessoa não é um prêmio a ser conquistado e exibido.
Poder AMAR, se permitir AMAR é o grande prêmio. Assim a vida me ensinou.


janeiro 2020

sábado, 13 de maio de 2017

JL

Levo o calor do olhar que recebi
A alegria do riso que ouvi
O amor de tudo que senti
Levo pra sempre a vida que vivi

Contigo 

sábado, 5 de setembro de 2015

Humanidade? II

Quanto tempo demora uma evolução positiva? 
O tempo que levarmos para perceber que começa em cada UM de nós?
































segunda-feira, 20 de julho de 2015

AMIZADE

Segundo o dicionário, AMIZADE é o sentimento afetuoso entre pessoas ou instituições, entre outras definições. Aprendi Ao longo da vida que amizade possa ser permanente ou transitória. Ela pode ser finita ou infinita. Podemos ser amigos de verdade de pessoas com as quais não conseguimos conviver ou ter contato permanente, mas nem por isso o sentimento diminui.
Tenho a felicidade de ter amigos dos mais diferentes lugares, conhecidos pelas mais diferentes situações. Pessoas que foram amigas quando eu mais precisei e que, seguramente sabem que podem contar comigo.
Pessoa que disse o que eu precisava ouvir e por isso a estimo ainda mais.
Pessoa que terminou oficialmente nossa amizade mas ainda mora no meu coração e orações.
Pessoas que me ajudaram das mais diversas formas – teto, comida, dinheiro, ombro, palavra certa: disponibilidade.
Pessoas que nem poderia começar a nominar sob pena de esquecer alguma nome pela felicidade que tenho de serem TANTAS!
Hoje, sem menosprezar nenhuma destas amizades, através daquela que provavelmente é a mais antiga, quero homenagear todas as pessoas que ao longo destes mais de 46 anos foram fundamentais no meu crescimento, no aprendizado sobre como devemos tratar uns aos outros.
Fabiana Giacomet Graziottin, que conheci ainda criança. A quem considero uma irmã, que me apresentou outros irmãos, me acolheu, segurou minha mão em momentos difíceis, me ajudou de todas as formas possíveis e imagináveis. Apesar da distância geográfica e não conseguirmos falar com a regularidade que eu gostaria, é uma das amigas mais admiráveis que tenho. Aprendi muito com ela e espero um dia poder retribuir tudo que ela é para mim.

Te amo, minha irmã!

domingo, 1 de março de 2015

PAZ!



          De um lado, instituições, movimentos e pessoas que apoiam o governo federal democraticamente instalado, organizam manifestações pelo país para, antecipadamente, enfraquecer a manifestação democrática de pessoas e instituições que querem o encerramento prévio do mandato da presidente.
Manifestações surgidas principalmente por que afinal começamos a ter ideia do tamanho da corrupção no país – existente desde o Brasil colônia, uma crise financeira e de valores éticos vêm há tempos abrindo brechas para movimentos fascistas que aparentam dar alento e esperança a quem é desprovido de muitos recursos financeiros, é desassistido pelo poder público e ignorado pelo segmento da população que detém a maior parte das riquezas financeiras do país.

Terreno fértil, como nos mostra a história da humanidade, para que estes movimentos surjam, floresçam e possam desencadear um período sombrio de intolerância estendida a todas as áreas de nossa vida. Já vimos o que o nazismo foi capaz de fazer na Alemanha ( e outros lugares)  inclusive com seus cidadãos que discordavam de suas ideias. Vemos cotidianamente o que o fundamentalismo dito religioso executa ao redor do mundo gerando horror, caos, medo, miséria.

Aí o cidadão que está vendo e se horrorizando com estas notícias de militarização de igrejas no Brasil e pensa sentado: ah, mas eu não posso fazer nada se engana e muito. Quem quiser efetivamente fazer algo não ficará sentado esperando a determinação de como se portar, vestir e agir. Não se verá obrigado a doar parte de seus rendimentos obtidos a custo de muito suor para pagar luxos e armas letais de aproveitadores que usam a ignorância e a fé religiosa em proveito próprio. Esperamos que MP e PF estejam investigando, mas a questão é: eu quero agir? Quero me manifestar? Quero viver num mundo pacífico onde, apesar das dificuldades, as pessoas ajudam umas às outras e respeitam as escolhas alheias?
Segundo o censo de 2010, a população brasileira era de 190 milhões, 732 mil e 64 pessoas. Estimativas atualizam este número para cerca de 200 milhões e 400 mil pessoas. Se um milhão está previsto para marchar em 15 de março e, digamos, outro tanto em 13 de março com opiniões opostas, significa que mais de 198 milhões de pessoas não estão se manifestando. Podem concordar com um lado ou outro mas ainda assim, certamente a maioria de nós ainda prefere que haja diálogo, justiça e paz.
O que acontece quando eu não manifesto minha vontade? Outros decidem por mim e então como posso me queixar? É preciso que estas pessoas que querem viver em paz, com respeito a todos os gostos, credos, cores, gêneros, orientações demonstrem a vontade do que eu creio ser da maior parte da população: como seres ditos racionais irmos às ruas, manifestar nosso desejo de paz, de respeito, tolerância e união. Uma manifestação pacífica, todos de roupas claras, com faixas e cartazes mas em silêncio, respeitando o espaço de carros, pedestres, ciclistas, animais.
Eu não sei você, mas eu estarei na rua no dia 14 de março, com algum cartaz pedindo pela paz.


quarta-feira, 13 de agosto de 2014

13 de agosto.

13 de agosto de 1938.

Um mundo à beira de nova grande guerra. Nesse dia, o maior diamante brasileiro foi revelado ao mundo. Ele pesava 726,6 quilates e foi encontrado no rio Santo Antônio, em Coromandel, Minas Gerais.
Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, nascia um menino, como outros tantos naquele dia devem ter nascido pelo mundo, pelo país. Num ambiente humilde cresceu valorizando cada conquista através de trabalho, estudo, inteligência sempre com ética e honestidade.
Esse menino, tornado homem desde muito cedo, uniu-se a uma mulher tão batalhadora quanto ele. Juntos criaram uma família. E ensinaram aos filhos a importância do trabalho duro, do estudo. Com seus defeitos e virtudes, cruzaram mais de 45 anos de vida conjunta ajudando pessoas, procurando crescer como ser humano.
Esse foi o principal legado de meu pai: homem de poucas palavras e muitas ações, através do exemplo ensinou-nos a saber quem somos, a não temer conhecer a verdade e mudá-la se necessário. Assim, depois de muitos anos, entendi que meus pais escolheram nos dar a base para que buscássemos nossa própria verdade. Tenho muito orgulho disso. E espero tê-lo feito minimamente orgulhoso de mim.

Ele hoje completaria 76 anos.

Quase sempre comemorava com um churrasco em família, com amigos, unindo dia dos pais ao seu aniversário.
Algumas pessoas perguntam se o Dia dos Pais foi difícil. Pra mim, hoje é difícil. Ele adorava fazer aniversário pois adorava a casa cheia. Pra mim, o mês de agosto é difícil. O ano tem sido difícil. Mas todo dia é fácil entender o sentido de tudo isso.
Por mais que a saudade doa, fico realmente feliz por saber que nesta passagem ele deu mais alguns passos no sentido de seu crescimento e das pessoas que o rodearam.
Pai, sei que aí não se “comemora” aniversário. Mas te amarei sempre por ter aceitado esse desafio com coragem.
Obrigada.



Dia dos Pais em 2013, do jeito que ele gostava. Só faltou a Siomara e a família.




  

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Sensações e lembranças

Por que não basta a dor da separação – ainda que temporária, tem que haver a tortura da buRRocracia e da incompetência reinante no país.

Quem já passou por isso sabe: ‘perder’ um ente querido, um parente próximo dói ainda mais quando somos obrigados a nos deparar com pessoas, empresas e órgãos públicos despreparados para atender com informações precisas e humanidade quem passa por essa situação.

Na central de relacionamento com o cliente do consórcio ficam de mandar contrato por e-mail, 5 dias depois te dizem que o pedido foi feito, mas demora 15 dias úteis (pra mandar um e-mail!!) e te recomendam procurar uma loja na cidade. Lá, te dizem pra ir na central administrativa que fica na zona norte da cidade (perto do aeroporto, zona árida) e, como todos sabemos, as paradas de ônibus todas têm ventilador, né? Aí lá, tem-se que esperar abrirem após almoço e te informam que não tem mais administração na cidade, te falam pra LIGAR pra central de relacionamento que te mandou lá – e isso é só o começo, pois após mandar um e-mail detalhando o assunto e o tipo de retorno recebido, eles te mandam uma resposta "bom dia, Sr. Claudio, segue contrato conforme sua solicitação, esperamos que tenha uma ótima semana!". Eu devia ter respondido espirituosamente, mas me limitei a lembrá-los que, definitivamente, não prestam atenção ao cliente...

Pra encaminhar pedido de auxílio funeral e pensão, pelo telefone te mandam no 2o andar no ‘Tudo Fácil’ – centro da cidade – onde, depois de senha e fila, te dizem que é no TJ, e te dão endereço a umas 8 quadras dali. Lá, te dizem que é no FORUM, mais duas quadras pra frente. Ali te dizem pra ‘descobrir’ de qual das associações de funcionários ele pertencia, nela te pedem diversos documentos e depois de idas e vindas, FICAM com o original, mas outros lugares também só aceitam original...  E aí descobre-se que, na verdade, é noutro lugar.

Isso tudo sem falar no calor te cozinhando os miolos, tu ali, fragilizado, sentindo que te roubaram o direito a luto por ter que repetir 20 vezes por dia sem soluçar ou engasgar “MEU PAI MORREU, EU PRECISO SABER...”; cópia de certidão de óbito pra lá e pra cá, documentos e mais documentos e teu pai passa a ser como o anel perdido, vai ficando sem valor, sem importância. De repente percebe que só consegue chorar quando chega em casa, quando mais ninguém pode te acusar de tentar se passar por vítima ou coisa similar muitas vezes insinuada com o olhar ou pela voz da telefonista grosseira (que deve estar de mal com o mundo) que fica gritando mesmo depois de explicar que o pai nunca tinha morrido antes e que não sabia com que departamento era preciso falar.

E aí a pensão não pode ser na conta conjuntas dos pais, pois só a pensionista pode ter acesso. Bom... O outro titular era o ‘falecido’ e acho que ele não vai mexer na conta. Não pode. Chegamos 15h50 ao banco, tiramos senha e 15 minutos depois, o rapaz que deveria abrir a nova conta diz que não pode abrir pois é apenas até 16h. Mas entramos antes disso, estamos com senha. Não pode, o sistema desliga automaticamente 16h. E como no Banrisul cai a toda hora, imagina o povo que fica uma hora esperando e chega 16h tem que ir embora... Amanhã, 10h novamente na fila do banco...
                   ..............................................

Chego na frente do prédio onde não entrava há mais de 30 anos e sem querer a mente é invadida por lembranças da infância, correndo entre os pilares e meus pais ali em volta, rindo. O prédio onde nossos pais se conheceram, onde meu pai trabalhou muito tempo e sem saber como segurar o choro vem forte, dolorido, como se tirasse a trava de água funda represada por muito tempo. Pelo menos ali, no TJ, na Praça da Matriz onde muito corri e brinquei, a memória não foi vilipendiada por maus tratos, mas aconchegada pelos ‘colegas’ desde a portaria, onde ao falar ‘auxílio-funeral’ senti conforto na voz que disse que eu podia subir e me indicou os elevadores. Onde a funcionária que já tinha sido de uma gentileza enorme pelo telefone, “me pegou no colo”, com um sorriso me trouxe água, explicando cada detalhe, avisando de coisas que eu nem sabia que existiam, adiantando assunto de pensão, lista de documentos pra eu não precisar ir a outro lugar, indo ao telefone e à internet buscar informações pra minimizar minha correria e sofrimento.

Pelo menos lá a memória da pessoa que se esforçou pra ser melhor ao sair do que entrar no mundo, foi acarinhada. 

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

mais amor!

Brasil anda intolerante e ao mesmo tempo submisso, não estranharei estarmos sob espécie de regime "talibã evangélico" em alguns anos.

Esse papo de que é um país que respeita a diversidade sempre foi 'marketing' junto com futebol e samba pra gringo, sabe?
Mas havia ainda algum respeito, mesmo não gostando, as pessoas "se toleravam" quando adeptas de crenças diferentes. Mas o que temos visto é uma total falta de amor, consideração e respeito. Não existe uma verdade absoluta e sendo o país um estado laico (rarara), é de estranhar que os recentes ataques de evangélicos a pessoas que praticam outras religiões "fiquem por isso mesmo" quando deveriam ser tratados como casos de agressão.

Lembrem, ainda sabemos ler e desafio quem encontrar em algum livro como Bíblia, Torá e Corão uma passagem que incite a violência e a intolerância. Todos pregam algo simples: o amor como forma de bem (con)viver e progredir como seres vivos.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

75 anos!

Todos nós conhecemos histórias de pessoas fortes, batalhadoras. De pessoas que obtém variadas formas de sucesso na vida profissional, pessoal, que enfrentam desafios.

E também histórias daquelas que enfrentam o desafio cotidiano de um tratamento pra saúde daqueles bem f#*&%.

Bem, neste 13 de agosto, celebramos os 75 anos de nascimento de uma dessas pessoas. Uma pessoa comum, dessas batalhadoras, determinadas, vencedoras. Que está enfrentando com coragem ímpar um desses desafios.

Cirurgia pra retirada de 1,8kg de um tumor. Internações, exames invasivos. Dor, medo, esperança. É o tipo de coisa que envolve a todos que estão perto. E contagia. Com a determinação de vencer.

Semana que vem começa o sexto ciclo da quimio. Aí veremos o que deve ser feito a seguir: nova cirurgia? Manutenção da quimio e seus efeitos?

O importante é perseverar. E aí recebemos mais uma lição, entre tantas.

No dia dos pais eu só conseguia pensar na força dele e de minha mãe. Cada um do seu jeito, com suas esperanças, medos, a idade deixando-os mais vulneráveis.
Acompanhar tudo de tão perto, cada consulta, cada internação, disputa por leito com pessoas tão necessitadas quanto, cada exame, jejum, contraste, máquinas e, às vezes, pessoas frias.

Mas cá estamos e não há alternativa. É seguir em frente. Como qualquer um de nós ele teme. Pensa em desistir. Mas pensar em “perder” é inadmissível pra este leonino que prefere usar um sapato a ir de chinelos ao médico, mesmo que isto signifique apertar uma ferida que não cicatriza. Será ele é bravo contra um câncer, não é um simples machucado que vai detê-lo!

Parabéns, pai. Por 75 anos de luta e exemplos de honestidade, força de vontade e determinação.

Um passo de cada vez, rumo aos 76! 


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Da inutilidade do ciúme.


Fidelidade eu tenho à marca do desodorante que uso. Da pessoa a quem escolho como parceira de vida espero a mesma lealdade que ofereço.

Conversando recentemente sobre o assunto fiquei convencida de que o ciúme é a forma mais patética de baixa autoestima e masoquismo.
E de autoestima baixa eu entendo.

A primeira lealdade é para comigo, meus sentimentos. Se realmente quero estar com esta pessoa, que motivação teria pra estar com outras? A partir daí avalio meus sentimentos e necessidades.
Depois, quando se é desleal, fica-se com pé atrás, acreditando que todos agem da mesma forma. Quem é desleal neste caso é apenas imaturo. E se você não é, mas tem medo que o outro seja, bem, você é inseguro, desconfiado e – com motivo ou não – se escolhe ficar nesta situação é um grande masoquista.

Quem em sã consciência quer viver em sofrimento e dor?


Por último, o ciumento que vive atrás de motivo pra brigar, que vive reclamando – repito, com motivo ou não, “proibindo” isto ou aquilo, acha realmente que fazendo isso vai evitar algo como uma “traição”?

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Spagna Lima


Marcelino escreveu que se fosse ator, seria ele. Há muito sei que se eu tivesse coragem seria alguém como ele. Temos muitos princípios e sonhos parecidos. A abissal diferença é que ele faz acontecer e eu, perdida entre agradar o mundinho seguro da classe média em que cresci e o mundo da arte, de que não consigo me desligar apenas sonho à espera de alguém como ele, que me carregue junto, como fez algumas vezes.

Leio sua carta com os olhos e rosto encharcado de lágrimas. Por ele, por mim, pelos amigos que perdi de vista. Pela situação que vivemos ambos no momento. Pelo nosso cansaço. Pela nossa incrível capacidade de seguir em frente.

Pela mente correm imagens do dia em que nos conhecemos, quando fomos buscar a cama que seria da Alice por uns dias aqui em Porto Alegre, emprestada pelo Vinícius Cáurio. Depois voam lembranças de São Paulo, sua amizade incondicional, sem medo de dizer o que precisava ser dito. Pra isso são também os amigos. Da sua força em buscar sempre mais. Sua força em me estimular a seguir.

Lendo sua carta sinto uma dor imensa por não ter conseguido ir a São Paulo nos últimos meses, ver os 10 anos de Alice e tudo mais. Lendo sua carta lembro dos amigos de quem precisei me despedir antes do previsto por mim ou por eles, acho.
Lendo sua carta penso na minha incapacidade de lutar mais por aquilo que quero. Lendo sua carta me sinto tão covarde que me dá vergonha. Lendo sua carta sinto.
Muito. Por aqueles que não consigo ajudar. Lendo sua carta sinto uma vontade imensa de mudar tanta coisa e olho pro momento e percebo que tive tantas oportunidades não aproveitadas. Lendo sua carta reconheço os tesouros que a vida me trouxe e que aproveitei. Lendo sua carta lembro das amizades que foram. Nem por isso deixaram de ser importantes. Quem disse que era pra sempre?

Lendo sua carta me sinto pequena, frágil, incapaz. Vontade imensa de tirar a dor lá de dentro dele. De dar colo, casa. O nosso apartamento é bom por isso. Por que nos permite chorar à vontade, ouvir a música que quisermos, na hora que der vontade. Dormir na hora de acordar e acordar na hora de dormir. Comer porcaria sabendo que não é legal. Só por que deu vontade.

Ao mesmo tempo uma compreensão do que ta lá dentro e dos rumos escolhidos e trilhados. Tive a sorte de ter amigos. Mas alguns são como sonhos realizados. Um deles é você, Rodolfo.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Momento de respirar.

Na hora de agradecer é fogo: como lembrar de todos, todos mesmo? Desde o primeiro atendimento na emergência, o carinho de cada funcionário diretamente ligado a nós durante estes 26 dias.

Como lembrar de cada nome daqueles com quem dividimos bancos nos corredores a espera de informação?

Como esquecer o sorriso do pessoal que a toda hora entra no quarto pra verificar se tudo está bem ou ministrar um medicamento?

Das pessoas que nos acostumamos a ver no complexo da Santa Casa, tão angustiadas quanto nós? Aqueles com quem dividimos comida, água, café, carregador de bateria de celular, informações, lágrimas, bombons na Páscoa?

Dos amigos presentes de formas diversas.
Os que vieram na emergência trazer um afago enquanto esperávamos leito por 4 dias. Os que trouxeram comida, um par de meias ou ficaram junto na hora da cirurgia. Os que correram atrás dos médicos quando a gente não podia mais se dividir entre uma questão e outra. Os que mandaram mensagens e ligavam constantemente com oferecimentos sinceros e palavras de conforto. Os que ajudaram a buscar doação de sangue e aos que doaram. Os que, mesmo à distância, correram pra ajudar com questões burocráticas. Os que se juntaram a nós e aos milhares de pacientes e familiares em oração por saúde e paz.

A estes todos faço ainda um apelo mais: cuidem de sua saúde. Valorizem suas amizades. Temos tantas oportunidades e não temos o direito de desperdiçá-las.

ESTAMOS MUITO AGRADECIDOS.


Cumpridor de tarefas ou ser humano?

Existe um abismo estreito e profundo entre cumpridores de tarefas e seres humanos.

Geralmente percebemos a diferença quando vivemos alguma situação extrema e difícil em que precisamos, sobretudo, de todo carinho possível. Não há como passar, pra todas aquelas pessoas solícitas que se oferecem pra ajudar, problemas e questões que só podem ser resolvidas e vividas por nós. Nesses momentos, tudo que precisamos é o carinho de um telefonema, uma mensagem de apoio, uma presença amiga.

Dentro de um hospital a vida corre diferente. O tempo passa de forma estranha. Parece lento e ao mesmo tempo é rápido. Os dias e situações se confundem na memória de quem fica muito tempo lá. Situações complicadas são o cotidiano de pessoas que escolheram a área da saúde como ofício. Há algum tempo procura-se resgatar a humanidade entre os profissionais da saúde. E percebe-se como isso está sendo posto em prática dentro do Complexo Hospitalar Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.

Após quase 30 dias dentro da Santa Casa só podemos olhar com gratidão pra cada uma dessas pessoas. Pessoas com quem compartilhamos aflições por familiares hospitalizados e também pessoas que lá estão por uma escolha de vida. É praticamente um sacerdócio dedicar-se da maneira como fazem funcionários da copa, da limpeza, da enfermagem, os médicos, funcionários administrativos. A administração procura fixar a idéia de que os pacientes e seus familiares precisam ser tratados como clientes. Falha, pois todos nos trataram como seres humanos e por isso, não há preço. Não há salário que os faça ainda melhores do que já são.

Uma amiga está com a mãe hospitalizada no mesmo andar e por isso nossa vida ficou, durante semanas, centralizada no Hospital Santa Rita. Observamos situações diversas em que paciência, dedicação, carinho, competência são constantes em cada atendimento. Em casos felizes como o nosso em que levamos meu pai pra continuar o tratamento em casa seria fácil trabalhar com alegria e dedicação. Mas o que dizer de momentos em que foi necessário um atendimento de urgência no meio da madrugada ou atenção emergencial numa tarde aparentemente calma? A mesma dedicação, calma, carinho, competência, agilidade. Humanidade.

Se há falhas, ficam por conta da falência do sistema de saúde do país, não importando se temos um plano de saúde especial, pois a falta de leitos e superlotação da emergência são apenas a ponta visível do iceberg.


Palavras são sempre poucas pra expressar gratidão quando tudo que nos ocorre são lágrimas. Tristeza, alegria. Lágrimas.
Lágrimas que muitas vezes surgem em momentos de desespero brotam em nossos olhos sem que saibamos como contê-las. Mas não é necessário, pois neste momento elas são de gratidão profunda por cada ser humano que encontramos nesses corredores.

Mas esta postagem era pra ser mais simples. Nossa família só quer dizer com um olhar sincero: ESTAMOS MUITO AGRADECIDOS. 

quinta-feira, 21 de março de 2013

Para Ana, com amor

Difícil saber o que é mais angustiante.
A pessoa passando mal em casa.
A pessoa passando mal por horas na emergência.
A pessoa ficando fraquinha deitada numa maca esperando um leito liberar.
A pessoa só poder receber visita e falar com a família duas vezes no dia por 15 minutos quatro dias seguidos, sem saber o que está acontecendo.
A pessoa ficar sem seus medicamentos vários dias até alguém entender que precisa de verdade ministrá-los.
A pessoa ficar por dias e dias acamada esperando curar e examinar partes do corpo pra liberar cirurgia.
A pessoa saber que no andar térreo do hospital em que está existem, diariamente, filas enormes pra conseguir um tratamento.
A pessoa sentir dor física.
A pessoa estar dependente dos outros pra tudo, virar na cama ou ir ao banheiro.
A pessoa ficar irritada por estar deitada e presa a um quarto e descontar em que tá perto.
A pessoa passar por procedimentos de exame e preparo pra cirurgia que simulam ou trazem efeitos necessários, mas tristes e desgastantes.
A pessoa estar só pele (ressecada) e osso.
A pessoa ter dificuldade pra falar, comer ou respirar.
A pessoa depender de sonda pra se alimentar.
A pessoa achar que está incomodando os familiares e amigos.
ou
a gente olhar e ver um ente mais que querido e amado, um ser humano que te carregou, criou e amou passando por tamanha prova.

Um forte abraço a todos a todos que sabem o que é isso e para aqueles que não tendo passado, são solidários de todas as formas possíveis.

terça-feira, 19 de março de 2013

Experiência Antropológica

Toda vez que passo por uma experiência dessas, tenho esse ímpeto de compartilhar com o mundo, pois sinto o quanto aprendo e quanto isso pode me fazer uma pessoa melhor. Volto ao hospital onde levava um querido amigo anos após ter me despedido dele.
Creio que todo mundo deveria ter a possibilidade de passar 24 horas acompanhando a rotina de um hospital, pra dar mais valor à sua saúde, à prevenção de doenças, acidentes e, sobretudo, ao profissional da área da saúde.
Juntamente com a educação, é a área que eu respeito com todas as minhas forças. Especialmente aqueles que fazem mais do que um trabalho remunerado. Que cotidianamente doam seu carinho, sua atenção, sua paciência a pessoas que nunca tinham visto e seus familiares.

Já escrevi antes sobre a comunidade que se forma dentro do ambiente do hospital; quero lembrar da imensa rede de amigos que de alguma forma está disponível pra realmente ajudar. Todos em vibração, preces, pensamentos positivos e vários completamente prontos pra fazer o que for necessário pra ajudar.

Mais que nunca creio firmemente que uma campanha antitabagismo seria eficaz se incluísse (ou fosse apenas composta por) uma visita de 12 horas na ala de tratamento do câncer. Naturalmente existem diversos tipos de câncer. Mas muitos são sabidamente causados pelo fumo. Incluir imagens ou frases no maço de cigarros não dá a real dimensão.

Chegar antes do amanhecer e acompanhar a espera na fila do SUS pra marcar uma consulta que pode demorar meses pra acontecer. Depois dela a longa espera por exames. Outro tanto pelos primeiros cuidados e tratamentos. Hoje creio que a imensa maioria perde mesmo a vida nessas filas.

Mesmo na ala reservada a convênios e particulares, o quadro é triste. Os profissionais correm o dia todo de um lado a outro do corredor de portas enfileiradas e quando se passa por elas enquanto abertas, percebe-se a dor que lá habita. A maioria das pessoas não tem parentes ou amigos que possam cuidá-las ao longo do dia e sobrecarregam a enfermagem. Nos olhos, a dor mal-disfarçada por medicação pesada que causa efeitos igualmente indesejáveis.

Pacientes que fumaram por décadas não são sequer sombra das pessoas que foram. Respirar, comer e todas as necessidades fisiológicas mais humanas transformam-se em obstáculos a serem vencidos com determinação que alguns não têm mais. Tristes imagens de olhares perdidos sendo vencidas dia após dia na fragilidade do corpo.

Nessas horas que me convenço de algo que penso há muito: corrupção e desvio de verbas públicas devem ser tratados como crimes hediondos, posto que inconcebível ver seres humanos tratados como lixo pra que uns poucos acumulem cifras que não gastariam em dezenas de vidas, se merecessem tê-las.

Perdão é divino, se costuma dizer. Tenho muito dificuldade em perdoar quem rouba a vida e saúde alheias.

domingo, 3 de março de 2013

Deficiências


Antiga discussão: o que a arte nos traz ou faz?

O que uma sessão de cinema pode nos faz pensar?

Ainda no meio da estréia de “Colegas”  já estava sentindo e pensando em como escreveria sobre tudo que aflorou na minha consciência naquele momento. Quase toda oportunidade que tive na vida de contato com pessoas com alguma deficiência física, Síndrome de Down ( ou deveria ser “up”, Marcelo Galvão?)  vieram de contatos profissionais, geralmente eventos em que trabalhei e em muitos deles havia um objetivo em comum: inclusão. E sempre foi instrutivo, divertido, esclarecedor e inclusivo pra mim! Eu era incluída nas brincadeiras de esconder a muleta de um, em ir dançar com o cadeirante ou escolher um lugar bem na frente pro deficiente visual "ver melhor".

Daí que fiquei pensando: não deveria ser REinclusão? Por que, em algum momento estas pessoas que sempre estiveram aqui começaram a ser separadas das outras ditas “normais”, não?
É só olhar entre os animais. Temos um cachorro que levou um tiro e perdeu uma das patas dianteiras ainda com 6 meses de vida. Em poucas semanas ele já estava novamente aprontando das suas e completamente reintegrado a seu cotidiano entre outros cachorros e animais diversos. Não mudou quem ele era, nem como o tratavam. Só nós, humanos, ficamos ainda um bom tempo pensando nele como o diferente, o coitadinho.

Em oportunidades como a sessão acessível do filme “Colegas” encontro amigos que trabalham em prol da tão falada inclusão e com verdadeira paixão com pessoas que não sei como uma parte de mim via como diferentes. Vasculhando a memória tentei encontrar os momentos na minha infância em que ouvi pessoas dizerem “tadinho, é doentinho”, “ah, coitada, ela tem um filho que é doente mental”. Acho que esse universo à parte, criado dentro da sociedade em que vivemos, foi quem colocou em alguma parte de mim alguma estranheza. Quem teve oportunidade de ler “O Filho Eterno” de Cristovão Tezza ou ver a peça adaptada do mesmo sabe o que é assumir essa predisposição a fugir do diferente.

Estranheza que vai por água abaixo quando encontro algum conhecido em alguma destas situações ditas “especiais”. Por que somos todos seres humanos. Uns negros, outros caucasianos, outros albinos, asiáticos, com um dedo ou perna a menos, alguém – como eu – com deficiência visual. Sim, sou diagnosticada com deficiência visual desde os 2 anos de idade e uso óculos praticamente toda minha vida e agora vai piorando com a idade – outro motivo de sectarização. Muito tempo isso causou estranheza, as pessoas sentiam vergonha, era motivo de letra de música e gozação. Hoje é moda usar óculos de grau com armações de todo tipo e até mesmo quem não precisa quer usar só pra fazer “tipo”, afinal, estão até nos editoriais de moda!

Não tenho nenhuma autoridade pra falar no assunto de modo a transformar numa pesquisa, mas fico muito intrigada com o ser humano. No que um deficiente visual é menos capaz que qualquer outra pessoa no desenvolvimento de trabalhos diversos que não impliquem, logicamente, ao uso dessa faculdade?  Marçal Souza já era um grande produtor quando perdeu a visão e talvez isso tenha aberto novas oportunidades e revelações a ele. Agora produziu o filme “Colegas” com a mesma competência de sempre. No que um deficiente auditivo é menos competente na finalização de um trabalho gráfico? Ou um cadeirante menos ‘feroz’ pra fechar um grande negócio?

Nos últimos anos vemos um esforço tremendo da sociedade através de regras, regulamentos e relações institucionais de empresas que vêem como positivo pra sua imagem a inclusão de pessoas com deficiências e não como a contratação de pessoas competentes e ponto. Tem seu lado positivo, claro, pois é através dessas ações que, espero, chegaremos logo a uma sociedade em que não precisaremos olhar, ouvir, caminhar, pensar da mesma forma pra que lembremos de uma premissa básica que nos une: amor. Não é pra soar piegas. É a verdade. Não há idioma maior pra unir pessoas e por que nos parece tão difícil?

Deficiente, pra mim, é aquele incapaz de ver o outro como um igual pois lhe falta amor.

sábado, 26 de janeiro de 2013

datas

Falo repetidamente da importância dos amigos na minha vida. Talvez nunca seja demais lembrar do amor que nutro pela humanidade, mesmo quando ela decepciona ou magoa. Pessoalmente ou em larga escala.

"Há pessoas pra quem eu conto apenas parte da minha vida. Há aqueles a quem confiaria minha carteira e minha coleção de gibis." Mais ou menos isso um amigo escreveu uma vez, dando a dimensão da importância de sua coleção em sua vida e claro, a dimensão da confiança depositada.

Tenho a fortuna de ter grandes amigos. Mesmo aqueles que fico sem encontrar muito tempo. Mesmo aqueles que foram amigos por determinada época não foram, por isso, menos importantes. Há uma pessoa que a vida me apresentou bem cedo, ainda na infância. Não posso dizer que somos "amigas de infância" pois a gente brigava muito na época. Mas felizmente essa época foi curta e surgiu e prevaleceu algo maior e melhor: um amor que me emociona demais ao lembrar de seu carinho em tantas ocasiões. Ela ficou a meu lado precisei de apoio e conforto, me puxou a orelha quando eu precisei. Me recebeu em sua casa, ficou contando história ao lado da cama de hospital onde esperávamos o resultado de um exame dolorido demais.

hoje é o dia em que o calendário lembra de marcar sua chegada ao nosso convívio na terra. O dia em que a família e os amigos gostam de dizer "feliz aniversário". O dia em que eu liguei pra ela mas minha vontade era pegar um avião e passar inteirinho com ela. Fico emocionada e muito feliz de ver a pessoa maravilhosa em que ela se tornou mas, sobretudo, de perceber que ela não descansa nem desiste. Profissional ou pessoalmente. É um exemplo de perseverança e dignidade.

Deixo declarado meu amor em mais este aniversário, Fabi. Foi ótimo escutar tua risadinha ao telefone, saber que o dia será divertido e em companhias idem. Tu mereces! 
Amo-te.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

João 3/1/1963 - 27/12/2012

No começo eu demorei um pouco pra acertar o dia. Aliás isso sempre me acontece, tenho dificuldade em registrar datas, então não costumo ser muito expansiva em parabenizações, mesmo em tempos que rede sociais nos ajudam nisso.

Então associei a estas 'comemorações' de final de ano e quando falava no assunto, sempre dizia algo como "e aí, vamos esticar a festança de ano-novo?" só pra ver se ele ajudava a lembrar o dia. Mas então veio o momento em que isso simplesmente não importava. Com ele, comigo, com os outros. Nunca fui uma pessoa de datas, apesar de algumas sempre ficarem marcadas na minha cabeça por um motivo ou outro.

E provavelmente não seria diferente este ano, apesar da meia década, o que geraria muita 'pegação de pé' durante um tempo. Eu mandaria um SMS ou e-mail - talvez até ligasse - apesar de saber que ele não curtia muito; também não era nosso meio de comunicação mais eficaz. Sempre fomos amigos de marcar um café, sentar e conversar por horas. Isso nunca mudou. Somos pessoas de contato humano. À exceção do momento em que reatamos após um período de "crescimento pessoal" e ficamos dias conversando por SMS, sempre fomos pessoas de olho-no-olho. E isso, além do sorriso era algo que marcava o João. Quando não conseguia olhar no olho da pessoa... ish, a coisa tava séria, de uma forma ou de outra.

A família teve sua companhia por meia década, eu por pouco menos da metade. Mas uma das coisas que ele me disse uma vez nunca me sairá da mente. Que ele sabia que esta era apenas uma etapa e que nós dois ainda nos veríamos muito em outra oportunidade. Essa certeza me conforta.

E lá foi ele na frente.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Os amigos de sempre. Ou 'a vida que se leva'.

Há tempos venho me sentindo cansada. Cansada de ser a que toma a iniciativa de sempre procurar as pessoas. Pelo fato de que realmente sinto falta delas, de saber como vão, o que está rolando na vida delas, se estão precisando de algo ou apenas pra dizer "oi".
Há pouco tempo me propus não procurar mais. Fiz um pacto comigo. Respondo quem me procura, procuro as pessoas com quem tenho algum assunto pendente. Os demais... Acredito que estão bem. Se precisarem espero que a esta altura saibam que podem me ligar a qualquer hora. 

É um esforço enorme. Fico morrendo de vontade de fazer contato, dizer "olá, tudo bem?". E o doido é que sei que a maioria também gostaria de falar comigo, de me ver. Mas decidi não ser a única a fazer o esforço nessa vida corrida que escolhemos viver. Sou facilmente encontrável então relaxei. 
Não entendam como uma atitude mesquinha. Apenas estou otimizando meu tempo, procurando descansar; percebi que estou num momento em que preciso também de um pouco de paz. E também é pedagógico deixar que os outros percorram a parte do caminho que lhes toca. É importante as pessoas se esforçarem pelas coisas, saberem o esforço que valem. Se valem.

Neste ano de mudanças, perdas, reencontros, "perdi" temporariamente mais uma companhia deliciosa; mas esta bastava eu mandar uma mensagem "ei, tá de mal comigo?" pra que aparecesse em poucos dias. Se não aparecia, eu não devia insistir muito, era uma espécie de código: "ei, só vai até aí, não quero te ver sofrer". E assim foi. Ele esteve doente alguns anos. Poucos souberam. Ele contava tudo que a gente perguntava. Mas não dava espaço pra que se perguntasse. Não era importante "o que". Mas o momento dos encontros. Ele tratava a todos com muita gentileza mas separava as pessoas em categorias. Nesse ponto, era como o Zé Mario. Reservado. Afinal, pra que alarde?, é apenas vida!

Quando ainda em SP recebi a notícia de que Zé Mario estava internado, a única pessoa a quem recorri foi ele. Meu amigo, meu irmão João Luis de Castro Lima. Foi ele quem me deu a notícia, o que chamou de 'pior coisa que já tive que fazer na vida'. 

De alguma forma torta tínhamos os três uma ligação especial. Muitas pessoas me perguntaram do Zé como agora fazem sobre o João. Perguntas banais que nem sempre eu soube responder. Por que nunca foram importantes. TEMOS e sempre teremos um amor imenso nos unindo. Não sei explicar, nem preciso. Só sei que é assim. Tivemos nossos altos e baixos, nos perdoamos e continuamos, irmãos que somos.

Não, ele não virou santo só por que desencarnou. É tão humano quanto qualquer um de nós. Magoou, foi magoado. Amou (AMA!) e é amado. Cresceu com seus erros, aprendeu a ser feliz, a estar em paz como lembrou Artur José Pinto. E nos deixa uma nova de chance de pensarmos nas oportunidades que temos todos os dias de fazer diferente. De fazer melhor. De lembrar que esta passagem é uma oportunidade de crescer.

"NÃO SE ALCANÇA O CUME DE UM MONTE COM O OLHAR, MAS COM OS PÉS..."
Este pensamento de Emmanuel foi o que pulou na minha frente quando busquei algum conforto em livros - nosso refúgio (alguns em gibis, né, Zé?). E é isso que João ajuda a pensar com esta partida repentina. Precisamos caminhar. Seguir. 

Dói? Não chamaria de dor. É saudade antecipada. Não nos acostumamos com a falta de falar com o Zé. Agora os dois vão fazer novamente algo que adoravam: rir de mim que fiquei pra trás, tropeçando, aprendendo. Mas não rindo de caçoar. Apenas rindo por que a alegria marcou a maior parte de nossas conversas. A alegria será a forma que terei sempre pra lembrar de ambos tão sorridentes. O que tentaram tanto me ensinar e talvez só agora com meu companheiro "sorridente" e sempre de bem com a vida João (João, José, João!) eu esteja começando a entender.

O QUE SE LEVA DESSA VIDA É A VIDA QUE SE LEVA!

Mas levarão um puxão de orelha. Foram cedo demais.



terça-feira, 13 de novembro de 2012

Não estamos mortos

É natural que quando alguém desencarna, morre, falece, os conhecidos amigos e familiares demorem um tempo a acostumar que não podem chamá-la pra fazer alguma coisa juntos, podem demorar a tirar seu número da agenda do celular, essas coisas.

Mas eu gostaria de entender outro fenômeno. Por que é que quando alguém está num relacionamento se isola? Por que é que a maioria das pessoas acha isso "normal" pra si e atribui aos outros?
Explico: simplesmente não consigo marcar nada com ninguém e sou tranquilamente alijada de diversos eventos sobre os quais as pessoas comentam sem cerimônia na minha frente depois de ocorridos? Pessoas que costumavam me chamar pra ir ao cinema, teatro, pra sentar num café...
Algumas poucas eu ainda pressiono, mas os demais trazem a resposta na ponta da língua: ah, mas tu tá 'casada'!

E em que momento isso define que eu passo a ser outra pessoa?, a não querer desfrutar da companhia dos amigos? De que forma isso altera a pessoa que sempre fui? Continuo sendo a pessoa que tem suas próprias vontades, seus gostos. Continuo sendo um indivíduo. Jamais deixei um amigo de lado por conta de um relacionamento e se a pessoa com quem me relaciono não pudesse compreender, aceitar e estimular isso não seria a pessoa com quem resolvi passar o resto da minha vida. Estimulamos um ao outro a sentar com os amigos, a ver a família. Não nos colocamos nessa postura de que só podemos viver um para o outro e em conjunto.
É a mesma coisa em relação a trabalho. As pessoas param de achar que podemos encontrar algo interessante e não te oferecem nada.

Temos um trabalho que nos prende muito, não nos permite muitas definições em termos de horários, datas. E há épocas em que nos vemos pouquíssimo. Se eu fosse dessas pessoas a quem critico por abrir mão de sua vida em prol do outro, estaria ferrada, pois poucos são os que me procuram pra fazer qualquer coisa.
Das duas uma: ou me tornei ainda mais chata e desinteressante ou é essa idéia equivocada de que se você está com alguém não pode ser chamada pra nada pois sua resposta será não ou ' posso levar o fulano'? que está regendo a forma de agir das pessoas em relação a mim.

Dá pra eu decidir o que quero ou não fazer? Por que fui, sou e serei sempre assim pra mim e pros outros.
Se você age diferente, desculpe o julgamento, mas é um babaca.