Recebi um convite, no mínimo, instigante.
Assinar um “abaixo-assinado” para que alunas do Colégio
Anchieta possam usar “shortinhos” dentro da instituição. Fui me inteirar do que
estava acontecendo e uma frase que
definiu minha opinião: “não é pelo shortinho”.
Então é pelo que?
Pela discriminação que as professoras e funcionárias do
colégio eventualmente sofrem?
Pela diferença salarial que vislumbram em seus futuros?
Pela ausência de gurias negras do corpo discente da escola?
Pela discriminação que sofremos cotidianamente em ambientes
profissionais e tantos outros?
Pela mudança na legislação que permite que uma instituição
privada faça suas regras?
Pela climatização do caminho de casa ao transporte
climatizado e dele à sala de aula – provavelmente climatizada, ou vão querer me
convencer que as salas do Anchieta não tem ar condicionado?
Sendo o Anchieta uma instituição criada e gerida por religiosos, deve ser pela igualdade de gênero internamente na ICAR, não?
Acho a discussão específica tão necessária quanto uma injeção na testa.
O debate provocado sim, parece interessante, desde que essas
meninas consigam ver além do próprio umbigo.
Respeito é fundamental e isso só se consegue com uma
discussão franca e aberta até que comecemos a criar gerações de pessoas que não
ligam para a roupa que o outro usa: curta, aberta, fechada, cara ou barata. Que
não se incomodam com a crença ou a cor da pele, com a identidade de gênero ou
sexual de cada pessoa. ESSE É O PONTO.
O machismo só existe por que nós, PESSOAS de todos os
gêneros o perpetuamos. Que tal levar o debate adiante? Levantar na escola a condição
real de professoras e funcionárias? Extrapolar os muros bem guardados da escola
e de suas casas, olhando os crimes cometidos contra mulheres? Por que essas
meninas não vão a um abrigo onde mulheres agredidas se escondem com seus
filhos?
Brigar por causa de uma roupa, a meu ver, só é aceitável
quando estiver embasada por conquistas realmente importantes, como
universalização da alimentação e da saúde, respeito pelo/a profissional de qualquer gênero, direito a voto universal, igualdade de condições humanas, profissionais
(e tudo mais) em todos os níveis para todos os seres humanos.
Bom, daí, com as pessoas aprendendo a respeitar umas às
outras, como gostam de serem respeitadas, nem vai precisar brigar por um
shortinho, né?
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