Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador Lei antifumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lei antifumo. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de agosto de 2009

Lei antifumo: hipócrita e eleitoreira.

Ontem a Ana me perguntou se eu tava soltando foguetes por causa da Lei Antifumo.
Não, não estou. Acho hipócrita, eleitoreira.
No começo fiquei P da vida pois havia aquela restrição a cenas teatrais, cinema, etc. Definitivamente era censura prévia. Já falei sobre isso.
Mesmo depois que voltaram atrás nessa questão, continuo achando o mesmo.

CLARO que eu pensei: ah, talvez eu agora possa ir a um restaurante e comer sem aquele cheiro insuportável, sem a fumaça no rosto, sentindo apenas o gosto da comida. Talvez eu possa ir a um bar, danceteria (agora falam 'balada', né?) e voltar pra casa apenas suada de tanto dançar, mas sem tossir desesperada, sem ter que deixar a roupa no varal por dois dias antes de lavar e sem ter que deitar de cabeça molhada pois é a única forma de conseguir dormir sem ter aquele cheiro empesteando quarto, roupas de cama, etc.
Mas a minha opção pra isso tudo foi deixar de ir a esses lugares. É claro que passei a ter outro tipo de vida, passei a fazer outros programas, mas ninguém fuma dentro de teatro ou cinema, então não foi tão complicado.

CLARO que sendo eu alérgica e completamente contra qualquer tipo de muleta psicológica (ainda sou adepta da terapia pra onde voltarei assim que possível) seria normal estar completamente a favor da tal Lei antifumo do Estado de SP.

MAS CONSIDERO HIPÓCRITA E ELEITOREIRA.

Na prática, pela legislação federal, já havia essa proibição. Os estabelecimentos comerciais faziam de conta que cumpriam a lei fingindo que havia realmente um espaço separado pra fumantes (como separar amigos fumantes de não-fumantes num bar? E contratavam apenas funcionários fumantes pra estes ambientes?)e o Estado (leia-se governo atual) agora quer 'posar' de bonzinho fazendo uma Lei específica pra SP e alardeando isso como a salvação da lavoura?

Em Porto Alegre, há uma lei semelhante desde 2006 (com especificações bastante claras*) e que ainda sofre adequações. Naturalmente, a repercussão em uma cidade com 10% o tamanho de São Paulo não chega nas discussões nacionais sobre o tema mas querem saber o que aconteceu lá desde então?
Eu conto.
Nada.
Risadas a respeito da Lei, algumas tentativas de certos estabelecimentos em coibir o uso de fumo em suas dependências, um ou outra advertência ou multa por parte do poder público e a maioria das pessoas hoje nem sabe que a tal Lei está em vigor na cidade.

Voltando à questão principal: por que eu acho hipócrita? Por que o Estado se locupleta com o pagamento de impostos advindo da venda de cigarros e assemelhados; permite a venda em casa esquina de cada cidade, em cada posto de gasolina, em cada buteco de estrada e quer proibir o uso de algo que permite a venda e com o qual (repito) se beneficia financeiramente?

Colocar avisos nos maços foi um benefício para a indústria fumageira que agora não deve mais sofrer processos pois se não é permitido fazer propaganda, se no maço há aviso de risco e a pessoa fumou, é POR VONTADE PRÓPRIA.
Ou seja: isto é veneno, não nos responsabilizamos por danos futuros. É isso que quer dizer.

Essa Lei faz parte de um plano para colocar o cigarro na lista de substâncias ilícitas?
Vai mudar a situação apenas proibindo o uso em lugares públicos?

Será que o "Estado" quer realmente que as pessoas parem de fumar pra diminuir os gastos com a saúde e por se preocupar realmente com a saúde da população?

O Estado de SP e o Estado brasileiro certamente não esqueceram as centenas de propriedades rurais espalhadas pelo país que plantam exclusivamente fumo/tabaco. Certamente não esqueceram as multinacionais que produzem e vendem 'defensivo agrícola' destinados especificamente a estas plantações. Não esqueceram das fábricas de cigarro, fabricantes de embalagens, frotas de distribuição e toda cadeia de empresas e EMPREGOS dependentes dessa dependência!

Então, É SIM, ELEITOREIRA. DEMAGÓGICA. E todos outros substantivos, adjetivos e sei-lá-mais-o-quê que quiserem usar na mesma linha de "aproveitadores".

adendo em 11 de agosto:
Após 2 dias, relendo e revisando este post, percebi que havia esquecido um outro ponto. CORRUPÇÃO. Sim! Lembraram que ainda é considerado bonitinho levar vantagem em tudo? Quanto ganharão de salário estes novos funcionários/fiscais do governo que deverão ter uma agenda lotadíssima pra andar em TODO o estado a fiscalizar o cumprimento de mais uma Lei?
Não está aberta mais uma porta para corrupção?

Mais uma CORTINA DE FUMAÇA...
..................................


*Art. 1º Fica proibido, no Município de Porto Alegre, o uso de cigarros, cachimbos, cigarrilhas, charutos ou qualquer outro produto fumígeno, derivado ou não do tabaco, em recintos coletivos fechados.


Parágrafo único - Entende-se por recinto coletivo fechado todos os recintos destinados a utilização simultânea de várias pessoas, cercados ou de qualquer forma delimitados por teto e paredes,divisórias ou qualquer outra barreira física, vazadas ou não, com ou sem janelas, mesmo abertas.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fagundes, meu 'ídolo'

Para encarnar fumante em peça, Antonio Fagundes diz que vai "peitar" lei

LUCAS NEVES
da Folha de S.Paulo

Se todo ator incorpora traços dos tipos que interpreta, parece que Antonio Fagundes, 60, escolheu o que levar de seu personagem em "Restos", de Neil LaBute, antes da estreia no dia 20, em São Paulo, no teatro Faap: o ataque à patrulha antitabagista.

Em cena, dirigido por Márcio Aurélio ("Agreste"), ele encarna um fumante inveterado que repassa - com suspiros saudosistas e certa birra dos modos contemporâneos - as fases de sua relação com a mulher cujo corpo está sendo velado.

Ela morreu de câncer, ele está na fila. Pouco importa. "Guardem seus panfletos ou qualquer outra merda sobre o assunto, ok? A vida é minha, pelo menos o que resta dela", diz à plateia.

O texto de LaBute é farto em rubricas que pedem um cigarro à mão. Mas a Lei Antifumo que entra vigor na sexta no Estado de São Paulo impede que atores fumem em cena sem autorização judicial. É aí que Fagundes toma emprestado o tom incisivo do personagem:

"Vou peitar isso e fumar. Temos um problema de censura. É um precedente grave se a gente não fala nada. Fiquei surpreso que os fumantes tenham ficado quietos. O brasileiro está muito quieto para tudo. Espero que os fumantes não votem nas pessoas que aprovaram essa lei. É engraçado, porque parece que o [governador José] Serra é ex-fumante. Não tem coisa pior do que ex".

Para Fagundes, "começa assim; amanhã, vão dizer que não pode beijar na boca porque passa gripe suína; depois, não pode mostrar assassinato [em cena], porque é contra a lei. As pessoas ainda não perceberam, a liberdade não se perde de uma vez. Os puritanos proibiram o teatro na Inglaterra por décadas pois achavam que era satânico. Caminhamos para isso".

Sem patrocínio para a montagem de "Restos", o ator também tece críticas ao debate sobre a reforma da Lei Rouanet, que concede às empresas que investem em produções artísticas isenção de parte do Imposto de Renda devido.

"As pessoas que redigem a lei deveriam entender o mecanismo de produção de teatro, saber quanto custa manter um espetáculo em cartaz, anunciar num jornal. Não tem ninguém nessas comissões que já tenha feito teatro? [Quando se fala em mudar a lei] Dá a impressão de que é um movimento rancoroso, do tipo 'só estes caras que não precisam [por serem famosos] recebem dinheiro'. É claro que precisam!"

Por conta das restrições previstas na Rouanet aos gastos com divulgação, os espetáculos estreiam, segundo Fagundes, com "morte anunciada". "Você fica em cartaz por pouco tempo. Ou seja, se antes se falava em espetáculos de elite, agora são peças para a elite da elite, porque não são só para quem pode pagar, mas para quem corre para pagar", observa.

Mais sobre a repercussão de parte da Lei antifumo: http://br.groups.yahoo.com/group/bancodeatores/message/6369
http://www.leiantifumo.sp.gov.br/lei.php

CONTRA CENSURA ARTÍSTICA!