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segunda-feira, 20 de julho de 2015
AMIZADE
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Ter razão ou ser feliz?
Um homem e uma mulher iam de carro a uma festa. Era a primeira vez que iam ao lugar e a mulher dizia a rota que acreditava ser a correta e pedia para que o marido solicitasse informação a alguém na rua, na dúvida. Mas ele dizia que sabia como chegar no local. Ela insistiu ainda duas vezes e como ele ia ficando cada vez mais nervoso, ela calou-se. Depois de muitas voltas desnecessárias encontraram a festa e entraram. Mais calmo, ele diz a ela que tinha razão, que o caminho que ela havia indicado serviria para que chegassem ao local rapidamente. Perguntou por que ela não insistiu em corrigi-lo.
"Por que acabaríamos brigando e chegaríamos na festa ambos irritados, sem aproveitá-la ou desistindo, voltaríamos para casa sem nos divertirmos e brigados um com o outro. Prefiro ser feliz a ter razão", respondeu ela.
A transição entre ter razão e ser feliz pode ser longa e lenta, mas vale a pena insistir na mudança em busca de paz. Até quando vamos insistir na vaidade ilusória de ter razão quando podemos simplesmente optar pela liberdade de ser feliz?
#paz
sábado, 1 de novembro de 2014
Amigos
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Momento de respirar.
Como lembrar de cada nome daqueles com quem dividimos bancos nos corredores a espera de informação?
Como esquecer o sorriso do pessoal que a toda hora entra no quarto pra verificar se tudo está bem ou ministrar um medicamento?
Das pessoas que nos acostumamos a ver no complexo da Santa Casa, tão angustiadas quanto nós? Aqueles com quem dividimos comida, água, café, carregador de bateria de celular, informações, lágrimas, bombons na Páscoa?
Dos amigos presentes de formas diversas.
Os que vieram na emergência trazer um afago enquanto esperávamos leito por 4 dias. Os que trouxeram comida, um par de meias ou ficaram junto na hora da cirurgia. Os que correram atrás dos médicos quando a gente não podia mais se dividir entre uma questão e outra. Os que mandaram mensagens e ligavam constantemente com oferecimentos sinceros e palavras de conforto. Os que ajudaram a buscar doação de sangue e aos que doaram. Os que, mesmo à distância, correram pra ajudar com questões burocráticas. Os que se juntaram a nós e aos milhares de pacientes e familiares em oração por saúde e paz.
A estes todos faço ainda um apelo mais: cuidem de sua saúde. Valorizem suas amizades. Temos tantas oportunidades e não temos o direito de desperdiçá-las.
ESTAMOS MUITO AGRADECIDOS.
sábado, 26 de janeiro de 2013
datas
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
João 3/1/1963 - 27/12/2012
Então associei a estas 'comemorações' de final de ano e quando falava no assunto, sempre dizia algo como "e aí, vamos esticar a festança de ano-novo?" só pra ver se ele ajudava a lembrar o dia. Mas então veio o momento em que isso simplesmente não importava. Com ele, comigo, com os outros. Nunca fui uma pessoa de datas, apesar de algumas sempre ficarem marcadas na minha cabeça por um motivo ou outro.
E provavelmente não seria diferente este ano, apesar da meia década, o que geraria muita 'pegação de pé' durante um tempo. Eu mandaria um SMS ou e-mail - talvez até ligasse - apesar de saber que ele não curtia muito; também não era nosso meio de comunicação mais eficaz. Sempre fomos amigos de marcar um café, sentar e conversar por horas. Isso nunca mudou. Somos pessoas de contato humano. À exceção do momento em que reatamos após um período de "crescimento pessoal" e ficamos dias conversando por SMS, sempre fomos pessoas de olho-no-olho. E isso, além do sorriso era algo que marcava o João. Quando não conseguia olhar no olho da pessoa... ish, a coisa tava séria, de uma forma ou de outra.
A família teve sua companhia por meia década, eu por pouco menos da metade. Mas uma das coisas que ele me disse uma vez nunca me sairá da mente. Que ele sabia que esta era apenas uma etapa e que nós dois ainda nos veríamos muito em outra oportunidade. Essa certeza me conforta.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
Os amigos de sempre. Ou 'a vida que se leva'.
Há pouco tempo me propus não procurar mais. Fiz um pacto comigo. Respondo quem me procura, procuro as pessoas com quem tenho algum assunto pendente. Os demais... Acredito que estão bem. Se precisarem espero que a esta altura saibam que podem me ligar a qualquer hora.
É um esforço enorme. Fico morrendo de vontade de fazer contato, dizer "olá, tudo bem?". E o doido é que sei que a maioria também gostaria de falar comigo, de me ver. Mas decidi não ser a única a fazer o esforço nessa vida corrida que escolhemos viver. Sou facilmente encontrável então relaxei.
Não entendam como uma atitude mesquinha. Apenas estou otimizando meu tempo, procurando descansar; percebi que estou num momento em que preciso também de um pouco de paz. E também é pedagógico deixar que os outros percorram a parte do caminho que lhes toca. É importante as pessoas se esforçarem pelas coisas, saberem o esforço que valem. Se valem.
Neste ano de mudanças, perdas, reencontros, "perdi" temporariamente mais uma companhia deliciosa; mas esta bastava eu mandar uma mensagem "ei, tá de mal comigo?" pra que aparecesse em poucos dias. Se não aparecia, eu não devia insistir muito, era uma espécie de código: "ei, só vai até aí, não quero te ver sofrer". E assim foi. Ele esteve doente alguns anos. Poucos souberam. Ele contava tudo que a gente perguntava. Mas não dava espaço pra que se perguntasse. Não era importante "o que". Mas o momento dos encontros. Ele tratava a todos com muita gentileza mas separava as pessoas em categorias. Nesse ponto, era como o Zé Mario. Reservado. Afinal, pra que alarde?, é apenas vida!
Quando ainda em SP recebi a notícia de que Zé Mario estava internado, a única pessoa a quem recorri foi ele. Meu amigo, meu irmão João Luis de Castro Lima. Foi ele quem me deu a notícia, o que chamou de 'pior coisa que já tive que fazer na vida'.
De alguma forma torta tínhamos os três uma ligação especial. Muitas pessoas me perguntaram do Zé como agora fazem sobre o João. Perguntas banais que nem sempre eu soube responder. Por que nunca foram importantes. TEMOS e sempre teremos um amor imenso nos unindo. Não sei explicar, nem preciso. Só sei que é assim. Tivemos nossos altos e baixos, nos perdoamos e continuamos, irmãos que somos.
Não, ele não virou santo só por que desencarnou. É tão humano quanto qualquer um de nós. Magoou, foi magoado. Amou (AMA!) e é amado. Cresceu com seus erros, aprendeu a ser feliz, a estar em paz como lembrou Artur José Pinto. E nos deixa uma nova de chance de pensarmos nas oportunidades que temos todos os dias de fazer diferente. De fazer melhor. De lembrar que esta passagem é uma oportunidade de crescer.
"NÃO SE ALCANÇA O CUME DE UM MONTE COM O OLHAR, MAS COM OS PÉS..."
Este pensamento de Emmanuel foi o que pulou na minha frente quando busquei algum conforto em livros - nosso refúgio (alguns em gibis, né, Zé?). E é isso que João ajuda a pensar com esta partida repentina. Precisamos caminhar. Seguir.
Dói? Não chamaria de dor. É saudade antecipada. Não nos acostumamos com a falta de falar com o Zé. Agora os dois vão fazer novamente algo que adoravam: rir de mim que fiquei pra trás, tropeçando, aprendendo. Mas não rindo de caçoar. Apenas rindo por que a alegria marcou a maior parte de nossas conversas. A alegria será a forma que terei sempre pra lembrar de ambos tão sorridentes. O que tentaram tanto me ensinar e talvez só agora com meu companheiro "sorridente" e sempre de bem com a vida João (João, José, João!) eu esteja começando a entender.
O QUE SE LEVA DESSA VIDA É A VIDA QUE SE LEVA!
Mas levarão um puxão de orelha. Foram cedo demais.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Não estamos mortos
Mas eu gostaria de entender outro fenômeno. Por que é que quando alguém está num relacionamento se isola? Por que é que a maioria das pessoas acha isso "normal" pra si e atribui aos outros?
Explico: simplesmente não consigo marcar nada com ninguém e sou tranquilamente alijada de diversos eventos sobre os quais as pessoas comentam sem cerimônia na minha frente depois de ocorridos? Pessoas que costumavam me chamar pra ir ao cinema, teatro, pra sentar num café...
Algumas poucas eu ainda pressiono, mas os demais trazem a resposta na ponta da língua: ah, mas tu tá 'casada'!
E em que momento isso define que eu passo a ser outra pessoa?, a não querer desfrutar da companhia dos amigos? De que forma isso altera a pessoa que sempre fui? Continuo sendo a pessoa que tem suas próprias vontades, seus gostos. Continuo sendo um indivíduo. Jamais deixei um amigo de lado por conta de um relacionamento e se a pessoa com quem me relaciono não pudesse compreender, aceitar e estimular isso não seria a pessoa com quem resolvi passar o resto da minha vida. Estimulamos um ao outro a sentar com os amigos, a ver a família. Não nos colocamos nessa postura de que só podemos viver um para o outro e em conjunto.
É a mesma coisa em relação a trabalho. As pessoas param de achar que podemos encontrar algo interessante e não te oferecem nada.
Temos um trabalho que nos prende muito, não nos permite muitas definições em termos de horários, datas. E há épocas em que nos vemos pouquíssimo. Se eu fosse dessas pessoas a quem critico por abrir mão de sua vida em prol do outro, estaria ferrada, pois poucos são os que me procuram pra fazer qualquer coisa.
Das duas uma: ou me tornei ainda mais chata e desinteressante ou é essa idéia equivocada de que se você está com alguém não pode ser chamada pra nada pois sua resposta será não ou ' posso levar o fulano'? que está regendo a forma de agir das pessoas em relação a mim.
Dá pra eu decidir o que quero ou não fazer? Por que fui, sou e serei sempre assim pra mim e pros outros.
Se você age diferente, desculpe o julgamento, mas é um babaca.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
No apagar das luzes
http://apatotadoteatro.blogspot.com/2009/06/blog-em-construcao.html
Cacá Corrêa, ator, diretor, cenógrafo...um ARTISTA de talento inegável vai exercitar seus dotes mais além
Fique em paz, Cacá!
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Trégua de Natal
Talvez muitos não saibam, mas tenho horror de Natal. Disso em que o Natal se transformou dsede que eu tinha uns 10 anos ou menos. Queria ter conhecido o Natal da minha bisavó.
Mas nunca deixo de lembrar de seu verdadeiro significado!
Era noite de Natal de 1944. O menino e a mãe moravam em uma cabana na Alsácia, perto da fronteira Franco-alemã. O pai fora convocado para o Corpo de Bombeiros da Defesa Civil da cidade, que distava seis quilômetros.
Enviar o filho e a esposa para a floresta lhe tinha parecido uma boa ideia. Acreditou que ambos estariam a salvo.
Então, bateram à porta. A senhora foi abrir. Do lado de fora, como fantasmas contra as árvores cobertas de neve, estavam dois homens de capacetes de aço.
Um deles falou em uma língua estranha. Apontou para um terceiro vulto que jazia na neve.
Rapidamente, a mulher entendeu. Eram soldados americanos. Difícil dizer se eram amigos ou inimigos.
Eles estavam armados e poderiam ter forçado a entrada. No entanto, estavam ali parados, suplicando com os olhos.
Nenhum deles compreendia o alemão. Mas um deles entendia o francês.
A um sinal da mulher, entraram na casa conduzindo o ferido. O filho foi buscar neve para esfregar nos pés azuis de frio de todos eles.
O ferido estava com uma bala na coxa. Havia perdido muito sangue.
Eram três meninos grandes, de barba crescida: Gary, Fred e Mell.
Ema pediu ao filho que fosse buscar Schultz, o galo. Ela o estava guardando para quando o marido voltasse para casa. Talvez no Ano Novo. Mas agora Schultz serviria a um objetivo imediato e urgente.
Dali a pouco o aroma tentador do galo assado invadia a sala.
O menino punha a mesa quando bateram de novo à porta. Esperando encontrar mais americanos, depressa ele foi abrir.
O sangue lhe gelou nas veias. Lá estavam quatro soldados usando fardas muito conhecidas, depois de cinco anos de guerra. Eram alemães.
A pena por abrigar soldados inimigos era crime de alta traição. O garoto ficou parado, gélido, sem reação.
Ema se aproximou. Com calma nascida do pânico, ela desejou Feliz Natal.
Podemos entrar? - Perguntou o cabo alemão. Era o mais velho deles: 23 anos. Os outros tinham somente 16 anos.
Sim. - Falou Ema. E também poderão comer até esvaziar a panela. Mas temos três convidados que vocês poderão não considerar amigos.
Hoje é dia de Natal e não vai haver tiroteio. Coloquem todas as armas sobre a pilha de lenha.
Os quatro ficaram olhando para ela, indecisos.
Nesta noite única, - ela continuou - nesta noite de Natal, vamos esquecer a matança. Afinal de contas, vocês todos poderiam ser meus filhos. Hoje à noite não há inimigos.
Os soldados obedeceram. Entraram.
Os americanos também entregaram as armas, que foram parar em cima da mesma pilha de lenha.
Alemães e americanos se aglomeraram, tensos, na sala apertada.
Sem deixar de sorrir, Ema providenciou lugar para todos se sentarem.
Ela aumentou a ceia com aveia e batatas, um pão de centeio.
Um dos alemães examinou o ferido. A calma foi substituindo a desconfiança.
Com os olhos cheios de lágrimas, Ema pronunciou a oração: Senhor Jesus, Amigo e Mestre, sê nosso hóspede.
Em volta da mesa, havia lágrimas também nos olhos cansados da luta daqueles soldados. Meninos outra vez, uns da América, outros da Alemanha, todos longe dos seus lares.
No dia seguinte, eles tomaram das armas e cada grupo partiu para um rumo diferente, depois de terem se apertado as mãos em despedida.
Então, Ema entrou. Abraçada ao filho, abriu o Evangelho e leu na página da história do Natal, o nascimento de Jesus, a chegada dos magos vindos de longe.
Com o dedo ela acompanhou a última linha: ... E partiram para sua terra por outro caminho.
* * *
Estamos vivendo as vésperas do Natal de Jesus.
Proponhamos nosso armistício particular. Isso mesmo. Pensemos em alguém com quem nos tenhamos desentendido, magoado, ferido.
Agora é a hora de estender a mão, de perdoar, de abraçar.
Em nome de um Menino que veio pregar a paz e o amor.
Pensemos nisso! Mas pensemos agora!
Redação do Momento Espírita, com base no cap. Quatro horas, do livroRemotos cânticos de Belém, de Wallace Leal Rodrigues, ed. O clarim.
Em 21.12.2010
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
1 ano depois, novamente 14 de novembro.
E a gente tinha planos :) pra minha volta como sua vizinha... Agora vai demorar um pouco mais, amiguinho! kisses!
sábado, 5 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Bicha deixando de ser oca!
Descubro agora o que venho evitando pensar. Que vamos pra caminhos opostos e ao mesmo tempo o mesmo caminho (pra fora de São Paulo). Como ficarei sem sua lucidez frequente? Quero que vá dormir ainda uma noite comigo, me puxar a orelha e nos despedirmos pela manhã, com se fôssemos no ver na semana seguinte, eu aproveitando um dos seus convites pra ir ao teatro. Talvez você volte, talvez não, talvez eu volte ou DESvolte, quem saberá?
Mas precisamos tentar, não é?
Voe minha bicha e deixe de ser oca! Somos melhores que tudo isso que anda por aí!
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Zé Mario Storino 1° nov 57 - 14 nov 09

Eu tenho essa mania de exorcizar meus fantasmas escrevendo. Digitando, como ele me corrigiria. Quando perdi um outro amigo, alguns anos atrás, algumas pessoas ao me verem sacar de um pequeno papel em sua despedida, acharam que eu fosse desfiar aqueles elogios intermináveis que fazem parecer santo aquele que se foi. Me abstenho disso.
Primeiro, por que temos claro que ninguém está aqui de bonzinho.
Segundo, por que cada um conhece uma faceta de quem se foi e ficar enaltecendo as qualidades apenas na ocorrência da morte física é piegas e desnecessário. Mas a gente é assim, né? EU SOU ASSIM. Mas espero ter começado a aproveitar melhor meus amigos. Só não sei se tenho tempo de escrever mais do que alguns depoimentos 'orkustísticos' pra eles. Mas darei um jeito.
A morte do corpo físico é a única certeza que todas as pessoas têm na vida. Disso não depende crenças, fé religiosa, conhecimentos científicos... E mesmo assim, agimos como se não existisse.
"És pó".
Eu luto muito contra minhas imperfeições e sei que voltarei ainda algumas vezes pra mudar algumas delas. O mais que tudo, preciso aprender com as pessoas que a vida tem a generosidade de me apresentar. E sinto apenas que a distância geográfica tenha espaçado nossos papos, mas nunca nossos corações.
Talvez as pessoas pensem que os depoimentos no orkut e tudo que for dito agora sobre ele é apenas causado pela dor da perda. Ledo engano. É a mais pura verdade.
Assim como todos, ZM tinha lá seus defeitos. Mas eu não conheci. Levante a mão quem um dia o viu brigar, xingar, falar mal de alguém. Levante a mão quem um dia o viu deixar de atender um pedido de ajuda. Levante a mão quem um dia o viu reclamar de alguma agrura da vida.
CARALEO! Tava tudo ali, e eu aproveitei tão pouco. Nos conhecemos apenas lá por 1993, quando fui substituir uma atriz em "A Revolta dos Perus" em Porto Alegre. Aquele trabalho me ensinou horrores, me trouxe amigos e colegas muito bacanas, mas - desculpem Lisi, Carlos, Meme(+), Roberto - o Zé Mario foi o mistério mais emocionante que me acompanhou ao longo destes anos. Depois ainda fizemos outro espetáculo infantil juntos e trabalhamos ainda com Paulo Guerra mesmo que não juntos no elenco.
Zé Mario Storino. Ator, cantor, locutor, operador de som, luz e o que mais viesse. Até parecia mineiro, não fosse carioca optante por Porto Alegre, coisa que por mais me explicasse, eu nunca entendi muito bem.
Nossos papos passavam pela culinária, livros, peças, tanta coisa de cultura que a gente curtia dividir. Às vezes eu tava chateada com alguém ou alguma coisa, ele apenas ouvia. Não me criticava, não defendia ninguém. Lá pelas tantas soltava um comentário que mais parecia um conselho. Quando ele contava sobre um novo trabalho com que estava envolvido, era só pra ressaltar as coisas boas. As ruins, se houvesse, ele se abstinha de contar. Quando tinha algum "porém" ele já havia falado pra pessoa e se falava pra gente, era no intuito de usar como exemplo pra alguma coisa. Sem citar nomes, de preferência.
Ele deve ter se atrasado pra algum compromisso, mas eu nunca soube ou ouvi dizer.
Acho que o perfil dele no Orkut denota bem o tipo de mentalidade que ele mantinha: "pro alto e avante!" E os depoimentos não são exagerados ou mentirosos.
Falhei com ele: nos últimos meses tão louca aqui correndo atrás de mim mesma que tive pouco tempo pros nosso papos internéticos que vieram substituir os telefonemas de longas horas.
A última vez que nos vimos, ele foi rapidamente me ver no Centro Cultural Erico Verissimo, no lançamento de 'O Atirador', pois ele tinha saído de uma peça infantil, corria pra outro teatro e ao invés de parar pra comer, optou por me ver nas poucas horas em que eu ficaria em POA. Se a gente adivinhasse né, Zé, eu teria alongado ainda mais aquele abraço gostoso de sempre e ter feito rir com alguma bobagem pra ouvir mais uma vez a risada sincera.
Há um ano ele falou pra alguém, sobre mim: "cuida bem dessa mulher, pois se eu tivesse casado, só teria sido com ela!". Ele me respeitava. Nem sei bem por que, mas era assim. E eu a ele. Simples assim.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
A intimidade é uma merda.
Fui com uma amiga de vááááários anos levar parentes dela num aeroporto ou terminal rodoviário ou terminal de trem, fique à vontade pra escolher. Nos despedimos das pessoas e entramos numa escada rolante. Por um desse motivos desconhecidos, fiquei muito perto do senhor que estava à minha frente e em seguida senti um cheiro daqueles de levantar defundo ou de chamar urubu a quilômetros de distância e olhei pra minha amiga com uma cara de nojo e tapei o nariz. Ela, que estava no mesmo degrau que eu, falou com movimentos da boca mas sem som:
- Fui eu!
Não aguentei a expressão dela e caí na gargalhada ali mesmo, depois daquilo a única frase que nos ocorreu foi "a intimidade é uma merda". E naquele caso, tudo estava meio interligado, né?
Não sei se eu teria sido tão sincera quanto ela, hahahahahahahahahahahahaha.

