Muito interessante este estudo
A doença como caminho...
Este texto é uma indicação de leitura do livro "A Doença Como Caminho", de Thorwald Dethlefsen e Rüdiger Dahlke, que trata do conteúdo psicológico associado a vários tipos de doenças e incidentes, os quais, por não conseguirmos trabalhar (montar adequadamente em nossa psiquê), passam a fazer parte da nossa "sombra".
Esses traumas psicológicos não sendo percebidos conscientemente, acabam por se manifestar em nosso corpo físico, para que possamos vivenciá-los, para superar e integrar seus consequentes desafios e ensinamentos.
A nosografia é uma prática milenar que se constitui na descrição sistemática das doenças, que é exatamente do que trata o livro aqui indicado.
Focar a causa das doenças nos leva à questão de qual a memória/lembrança a ser resgatada pela pessoa (bem como do entendimento do porque da experiência de vida dolorosa pela qual está passando), de modo a tornar-se novamente uma manifestação da perfeição universal.
Aqui estão apenas algumas das doenças listadas e num resumo muito geral,
contendo apenas a parte de questões levantadas em alguns capítulos, além de
um texto na íntegra sobre "depressão", para servir como exemplo.
Infecção - um conflito que se materializou
Quem mostra predisposição a inflamações está tentando evitar
conflitos. No caso de contrairmos uma doença infecciosa, devemos nos
fazer as seguintes perguntas:
1 - Qual o conflito existente em minha vida que até agora eu não
vejo?
2 - Que conflito estarei evitando?
3 - Que conflito tento fingir que não existe?
Para descobrir que conflito se trata, basta prestar atenção ao
simbolismo do órgão afetado ou da parte doente do corpo.
Alergia - uma agressividade que se materializou
A pessoa alérgica deve fazer a si mesma as seguintes perguntas:
1 - Por que não suporto tomar consciência da minha agressividade, e a
transfiro para a manifestação corporal?
2 - Quais âmbitos da vida me inspiram tanto medo que procuro
evitá-los?
3 - Para que temas apontam os meus alérgenos?
4 - Até que ponto uso minha alergia para manipular o meio ambiente?
5 - Como encaro o amor, qual é a minha capacidade de amar?
Respiração - Assimilação da Vida
No caso de doenças que tenham relação com a respiração, a pessoa
doente deve fazer a si mesma as seguintes perguntas:
1 - O que me faz sentir falta de ar?
2 - O que me recuso a aceitar?
3 - O que estou evitando dar?
4 - Com o que não desejo entrar em contato?
5 - Acaso terei medo de dar o passo para uma nova liberdade?
Asma
Perguntas que a pessoa asmática deve fazer a si mesma:
1 - Em que âmbitos da vida quero receber sem dar nada em troca?
2 - Consigo confessar conscientemente minhas agressões? Que
possibilidades disponho para expressá-las?
3 - Como lido com o conflito entre a vontade de dominar e a sensação
de inferioridade?
4 - Quais setores da vida valorizo e quais rejeito? Posso sentir
algo do medo que fundamenta meu sistema de valores?
5 - Quais setores da vida procuro evitar por considerá-los sujos,
baixos, ignóbeis?
Não se esqueça: sempre que se sente uma limitação, ela de fato é medo!
O único modo de combater o medo é expandindo-se. A expansão ocorre se a pessoa deixar entrar aquilo que até agora rejeitou, ou seja pesquise, vá conhecer o que rejeita, e racionalizará as razões de seu medo!
Males Estomacais e Digestivos
No caso de males estomacais e digestivos devemos nos fazer as
seguintes perguntas:
1 - O que não posso ou não quero engolir?
2 - Algo está me moendo por dentro?
3 - Como lido com meus sentimentos?
4 - O que me deixa tão azedo?
5 - Como expresso a minha agressividade?
6 - Como fujo dos conflitos?
7 - Existe em mim, alguma saudade reprimida de um paraíso infantil,
livre de conflitos, em que eu só seja amado e cuidado, sem precisar me
esforçar para nada?
Doenças Hepáticas
A pessoa que sofre do fígado deve fazer a si mesma as seguintes
perguntas:
1 - Em que âmbitos perdi a capacidade de fazer uma avaliação e uma
discriminação corretas?
2 - Onde é que não consigo mais decidir entre aquilo que posso
suportar e aquilo que é um "veneno" para mim?
3 - Em que sentido ando cometendo excessos? Até que ponto estou
voando alto demais" (ilusões de grandeza) e onde venho ultrapassando os
limites?
4 - Acaso me preocupo comigo mesmo e com o âmbito da minha
religiosidade”, de minha religação com a fonte primordial? Ou o mundo da
multiplicidade está impedindo minha percepção intuitiva? Os temas
filosóficos ocupam uma parte muito pequena na minha vida?
5 - Confio nos outros?
Doenças dos Olhos
Quem tiver problemas com os olhos, ou seja, com a visão, deve em
primeiro lugar abandonar por um dia seus óculos (e/ou lentes de contato) e
viver conscientemente a situação honesta de vida criada pelo fato.
Depois desse dia, deve fazer um relatório honesto, descrevendo o modo como
viu o mundo e as experiências que teve, o que pôde e o que não pôde fazer,
no que foi impedido pela falta de visão, como lidou com o ambiente exterior
etc. Um relatório como esse deve fornecer-lhe material suficiente para
poder conhecer melhor sua personalidade, seu mundo e seu modo de ser.
Essencialmente, deve responder às seguintes perguntas:
1 - O que não desejo ver?
2 - Minha subjetividade tem impedido meu auto-conhecimento?
3 - Deixo de ver a mim mesmo nos acontecimentos?
4 - Uso a visão para obter uma percepção mais elevada?
5 - Tenho medo de ver os contornos rígidos (definidos) das coisas?
6 - Posso suportar, afinal, ver as coisas como elas são?
7 - Qual o âmbito de minha personalidade de que procuro desviar o
olhar?
Doenças do Ouvido
Quem tem problemas com os ouvidos, ou seja, com o ato de ouvir, deve
de preferência fazer a si mesmo as seguintes perguntas:
1 - Por que não estou disposto a prestar atenção ao que os outros
dizem?
2 - A quem ou a que não desejo obedecer?
3 - Há equilíbrio entre os dois pólos de minha personalidade, o
egocentrismo e a submissão?
Dores de Cabeça
Quem sofrer de dores de cabeça o tiver enxaquecas deve fazer a si
mesmo as seguintes perguntas:
1 - Com que estou "quebrando a minha cabeça"?
2 - O "em cima" e o "embaixo" estão num equilíbrio dinâmico dentro de
mim?
3 - Estou me esforçando demais para subir? (cobiça)
4 - Sou um cabeçudo e tento derrubar os obstáculos com a cabeça?
5 - Tento substituir a ação pelo pensamento?
6 - Estarei sendo honesto no que se refere aos meus problemas
sexuais?
7 - Por que transfiro o orgasmo para a cabeça?
Doenças de Pele
Quem teve afecções cutâneas deve fazer a si mesmo as seguintes
perguntas:
1 - Acaso estarei me isolando demais?
2 - Qual é a minha capacidade de estabelecer contatos?
3 - Por trás da minha atitude defensiva não haverá um desejo de
intimidade?
4 - O que será que deseja atravessar os limites a fim de se tornar
visível
(sexualidade, desejo, paixão, agressividade, satisfação)?
5 - O que é que de fato está "coçando" dentro de mim?
6 - Acaso resolvi viver no ostracismo?
Doenças Renais
Quando temos alguma coisa nos rins devemos fazer a nós mesmos as
seguintes perguntas:
1 - Quais problemas me afligem no âmbito conjugal?
2 - Acaso tenho tendência a estagnar na projeção e, desta forma, a
considerar os erros do meu parceiro como problemas que só dizem respeito a ele?
3 - Deixo de ver a mim mesmo no modo como o meu parceiro se comporta?
4 - Ando me apegando a velhos problemas e, deste modo, interrompendo o fluxo do meu próprio desenvolvimento?
5 - A que salto para o futuro meu cálculo renal está tentando me
estimular?
Os males da Bexiga
Doenças na bexiga sugerem as seguintes perguntas:
1 - A quais âmbitos me apego, embora ultrapassados, e só à espera de
serem eliminados?
2 - Em que ponto me coloco sob pressão e a projeto para os outros
(exames, o chefe)?
3 - Que assuntos gastos devo abandonar?
4 - Por que choro?
Doenças Cardíacas
No caso de perturbações e doenças cardíacas devemos fazer as
seguintes perguntas:
1 - Há equilíbrio entre meu coração e minha cabeça, entre a
compreensão e o sentimento? Eles estão em harmonia?
2 - Dou espaço suficiente para meus próprios sentimentos, me atrevo a
demonstrá-los?
3 - Vivo e amo de todo coração ou apenas participo, sem grande
entusiasmo?
4 - Minha vida transcorre num ritmo animado ou a forço a dotar um
ritmo rígido?
5 - Ainda há combustível e explosivos suficientes em minha vida?
6 - Tenho escutado a voz de meu coração?
Distúrbios do Sono
A insônia deve servir de motivo para se fazer as seguintes perguntas:
1 - Até que ponto dependo do poder, do controle, do intelecto e da
observação?
2 - Acaso posso me desapegar?
3 - Como desenvolvo minha capacidade de entrega e minha sensação de
uma confiança básica?
4 - Acaso me preocupo com o lado sombrio da minha alma?
5 - Quão grande é o meu medo da morte? Já me reconciliei o
suficiente com ela?
Uma necessidade exagerada de dormir suscita as seguintes questões:
1 - Ando fugindo da atividade, da responsabilidade, da
conscientização?
2 - Vivo num mundo quimérico e tenho medo de acordar para a realidade da vida?
Lista das Correspondências Psíquicas dos Órgãos e Palavras-chave para as Partes do Corpo
Bexiga - Pressão, desapego.
Boca - Disposição para receber.
Cabelos - Liberdade, poder.
Coração - Capacidade de amar, emoção.
Costas - Correção.
Dentes - Agressividade, vitalidade.
Estômago - Sensação, capacidade de absorção.
Fígado - Avaliação, filosofia, religiosidade.
Gengivas - Desconfiança.
Intestino delgado - Elaboração, análise.
Intestino grosso - Inconsciente ambição.
Joelhos - Humildade.
Mãos - Entendimento, capacidade de ação.
Membros - Movimentos, flexibilidade, atividade.
Músculos - Mobilidade, flexibilidade, atividade.
Nariz - Poder, orgulho, sexualidade.
Olhos - Discernimento.
Ouvidos - Obediência.
Órgãos genitais - Sexualidade.
Ossos - Firmeza, cumprimento das normas.
Pele - Delimitação, normas, contato, carinho.
Pênis - Poder.
Pés - Compreensão, firmeza, enraizamento, humildade.
Pescoço - Medo.
Pulmões - Contato, comunicação, liberdade.
Rins - Parceria, discernimento, eliminação.
Sangue - Força vital, vitalidade.
Unhas - Agressividade.
Vagina - Entrega.
Vesícula biliar - Agressividade.
A Depressão
Depressão é um termo geral para um quadro sintomático que vai de um
mero sentimento de abatimento até uma perda real da motivação para viver, ou a assim chamada depressão endógena, que é acompanhada de apatia absoluta.
Ao lado da inibição total das atividades e de uma disposição abatida
de ânimo, encontramos na depressão sobretudo um grande número de sintomas colaterais físicos, como cansaço, distúrbios do sono, falta de apetite, prisão de ventre, dores de cabeça, taquicardia, dores na coluna, descontrole menstrual nas mulheres e queda do nível corporal da energia.
A pessoa depressiva é atormentada pela sensação de culpa e vive se
auto-repreendendo; está sempre ocupada em voltar às boas (fazer as pazes) com tudo. A palavra depressão deriva do verbo latino deprimo, que significa "subjugar" e "reprimir". A questão que surge de imediato se
refere ao que a pessoa deprimida sente, se está sendo subjugada ou se está de fato reprimindo alguma coisa. Para responder à questão temos de
considerar três âmbitos relativos ao assunto:
1 - Agressividade:
Num trecho anterior do livro dissemos que a agressividade que não é
exteriorizada acaba por se transformar em dor física. Poderíamos
completar essa constatação ao dizermos que a agressividade reprimida leva, no âmbito psíquico, à depressão. A agressividade cuja manifestação é impedida, bloqueada, volta-se para dentro de tal forma que o agressor acaba por tornar-se a vítima. A agressividade reprimida acaba sendo responsável não só pela sensação de culpa, mas também pelos inúmeros sintomas que a acompanham, com seus vários tipos de sofrimento. Já dissemos, num momento anterior, que a agressividade é tão-somente uma forma específica de energia vital e de atividade. Sendo assim, aqueles que ansiosamente reprimem seus impulsos agressivos reprimem ao mesmo tempo toda sua energia e atividade. Embora a psiquiatria tente envolver as pessoas deprimidas em algum tipo de atividade, elas simplesmente acham isso uma ameaça.
De forma compulsiva, elas evitam tudo o que possa suscitar desaprovação e tentam ocultar seus impulsos destrutivos e agressivos, vivendo de maneira irrepreensível. A agressividade dirigida contra a própria pessoa chega ao auge no caso do suicídio. Tendências suicidas sempre são um alerta para que observemos a quem são dirigidas de fato as intenções assassinas.
2 - Responsabilidade:
À exceção do suicídio, a depressão sempre é, em última análise, um modo de evitar responsabilidades. Os que sofrem de depressão já não agem;
meramente vegetam, estão mais mortos do que vivos. No entanto, apesar de sua contínua recusa em lidar de forma ativa com a vida, os depressivos são acusados pela responsabilidade que entra pela porta de trás, ou seja, por sues próprios sentimentos de culpa. O medo de assumir responsabilidades passa para o primeiro plano exatamente quando essas pessoas têm de entrar numa nova fase da vida, tornando-se bastante visível, por exemplo, na depressão puerperal.
3 - Recolhimento - solidão - velhice - morte:
Estes quatro tópicos intimamente relacionados servem para resumir as áreas mais importantes dos três temas anteriores, mostrando quais são os nossos pressupostos básicos para refletir sobre eles. A depressão provoca o confronto dos pacientes com o pólo mortal da vida. s pessoas que sofrem de depressão são privadas de tudo o que de fato está vivo, como o movimento, a mudança, o companheirismo e a comunicação. Em sua vida, é o pólo oposto que se manifesta, ou seja, a apatia, a rigidez, a solidão, os pensamentos voltados para a morte. Na verdade, embora esse aspecto mortal da vida seja sentido com intensidade na depressão, ele nada mais é do que a própria sombra do paciente.
Nesse caso, o conflito está no fato de a pessoa deprimida ter tanto
medo de viver como de morrer. A vida ativa traz consigo uma culpa e uma responsabilidade inevitáveis e esses são sentimentos que o deprimido faz questão de evitar. Aceitar responsabilidade é o mesmo que abandonar todas as projeções e aceitar a própria singularidade, ou o fato de estar só.
Personalidades depressivas, no entanto, têm medo de fazer isso e,
portanto, precisam apegar-se aos outros. A separação que, por exemplo, a
morte de pessoas íntimas lhes impõe, pode servir de estímulo para a
depressão.
Os depressivos são, antes de mais nada, abandonados por conta própria e viver por conta própria, assumindo responsabilidades, é a última coisa que querem fazer. Ter medo da morte é um outro fato que não lhes permite suportar a condicionalidade da vida. A depressão nos torna honestos: ela revela a nossa incapacidade tanto para viver como para morrer.
Segundo a psicóloga americana Lois todas as doenças que temos são
criadas por nós. Ela afirma que somos 100% responsáveis por tudo de ruim que acontece no nosso organismo. "Todas as doenças têm origem num estado de não-perdão", diz a psicóloga.
Sempre que estamos doentes, necessitamos descobrir a quem precisamos perdoar.
Quando estamos empacados num certo ponto, significa que precisamos
perdoar mais. Pesar, tristeza, raiva e vingança são sentimentos que vieram de um espaço onde não houve perdão.
A seguir, você vai conhecer uma relação de algumas doenças e suas
prováveis causas, elaboradas pela psicóloga Lois.
DOENÇAS / CAUSAS:
AMIGDALITE: Emoções reprimidas, criatividade sufocada.
ANOREXIA: Ódio ao externo de si mesmo.
APENDICITE: Medo da vida. Bloqueio do fluxo do que é bom.
ARTERIOSCLEROSE: Resistência. Recusa em ver o bem.
ARTRITE: Crítica conservada por longo tempo.
ASMA: Sentimento contido, choro reprimido.
BRONQUITE: Ambiente em família inflamado. Gritos, discussões.
CÂNCER: Mágoa profunda, tristezas mantidas por muito tempo.
COLESTEROL: Medo de aceitar a alegria.
DERRAME: Resistência. Rejeição a vida.
DIABETES: Tristeza profunda.
DIARREIA: Medo, rejeição, fuga.
DOR DE CABEÇA: Autocrítica, falta de autovalorização.
ENXAQUECA: Medos sexuais. Raiva reprimida. Pessoa perfeccionista.
FIBROMAS: Alimentar mágoas causadas pelo parceiro.
FRIGIDEZ: Medo. Negação do prazer.
GASTRITE: Incerteza profunda. Sensação de condenação.
HEMORROIDAS: Medo de prazos determinados. Raiva do passado.
HEPATITE: Raiva, ódio. Resistência a mudanças.
INSONIA: Medo, culpa.
LABIRINTITE: Medo de não estar no controle.
MENINGITE: Tumulto interior. Falta de apoio.
NÓDULOS: Ressentimento, frustração. Ego ferido.
PELE (ACNE): Individualidade ameaçada. Não aceitar a si mesmo.
PNEUMONIA: Desespero. Cansaço da vida.
PRESSÃO ALTA: Problema emocional duradouro não resolvido.
PRESSÃO BAIXA: Falta de amor em criança. Derrotismo.
PRISÃO DE VENTRE: Preso ao passado. Medo de não ter dinheiro
suficiente.
PULMÕES: Medo de absorver a vida.
QUISTOS: Alimentar mágoa. Falsa evolução.
RESFRIADOS: Confusão mental, desordem, mágoas.
REUMATISMO: Sentir-se vítima. Falta de amor. Amargura.
RINITE ALÉRGICA: Congestão emocional. Culpa, crença em perseguição
RINS: Crítica, desapontamento, fracasso.
SINUSITE: Irritação com pessoa próxima.
TIREÓIDE: Humilhação.
TUMORES: Alimentar mágoas. Acumular
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Vamos botar uma lupa?
As redes sociais têm sido uma ferramenta mais ágil e com visão ampliada do que acontece no Brasil há décadas e tem ficado pior.
Mas acho importante colocar uma lupa e olhar o umbigo de Porto Alegre que muita gente tem tentado esconder, quando a população grita não desde maio de 2013, mas desde MUITO ANTES!!
Vamos pensar: algumas obras chamadas de essenciais são "essenciais" pra quem? Se eram tão essenciais antes, por que só agora conseguiram crédito (veja bem, crédito significa que é empréstimo a ser pago com altos juros) pra serem realizadas?
Alguém me explica por que ruas e avenidas são mais importantes que hospitais, escolas, estrutura e profissionais pra eles.
Ah, tem mais carro na rua? Não será por que o governo federal deu isenção de impostos pra indústria estrangeira que produz carros em território nacional - levando seu lucro pra fora - pra elevar a venda dos mesmos quando poderia usar esse recurso pra melhorar o transporte público (e o eco sustentável) e com isso DIMINUIR o número de carros nas ruas? Ah! Mas aí não há aumento de consumo de combustíveis e é preciso consumir petróleo... Uma graaaande roda.
Quando as pessoas ouvem falar de famílias que perderão suas casas por obras que a FIFA determinou dentro do país serem prioritárias (pra quem e com que dinheiro?) já fizeram o exercício de imaginar perder o belo apartamento ou casa onde vivem? Onde estão suas memórias, seu pertences, SUA FAMÍLIA?
FAÇA ESTE EXERCÍCIO, AGORA!
Horrível, né?
Veja, em Porto Alegre, alguns destes casos:
Detalhe: aos desalojados resta escolher entre:
- um "aluguel social" pago pela prefeitura (NÓS) de R$500 (hahahaha)
- alojamento (o_o !) em "casas de passagem" espécie de abrigo provisório (sei...) designado pela prefeitura até que as novas moradias fiquem prontas (com que dinheiro, em que prazo, em que terreno?)
- ou bônus moradia, onde a prefeitura liberaria um financiamento até R$ 52mil (= valor Minha Casa Minha vida) pra financiar um imóvel. (Perceba: a pessoa JÁ TEM CASA. Pra ela abandonar a casa, arranjam uma dívida pra ela!!)
“A casa de passagem é um abuso. É um imóvel de 4x3m em que muitas vezes eles colocam uma família de dez pessoas durante dois anos"
E alguém se pergunta onde estas pessoas vão parar? Não serão aquelas que a gente vê dormindo embaixo de marquise e finge que não viu?
O centro Cenotécnico do Estado, que fica em Porto Alegre, fundado em março de 1995, é o único centro cenotécnico público da América Latina, referência para as Artes Cênicas do Rio Grande do Sul, possui 1300 metros quadrados de área total.
Lá são construídos cenários para teatro, cinema, televisão. Lá muito espetáculo é ensaiado. Lá são guardados muitos cenários. É muito usado como set de filmagem. Lá é produzida muita coisa pra carnaval e publicidade.
Lá são apresentados espetáculos nacionais e internacionais.
Depois de mobilização da classe artística - a mesma que 'a galera' não sabe que existe a menos que apareça na TV - muita reunião aconteceu, manifestação no plenário da câmara de vereadores ficou decidido que o Governo do Estado cederia um espaço próximo ao original e que parte da construção original seria mantida.
Pelas fotos da região as obras "da Copa" vão de vento em popa. Nenhum mato foi removido do chão onde deveria existir o novo centro cenotécnico.
Donos de bancas de revistas, que trabalham o ano todo - pois não se podem dar o luxo de tirar férias, fechar a banca e perder o acordo de distribuição de revistas e outros periódicos - e pagaram pela estrutura e manutenção de suas bancas foram obrigados a COMPRAR as bancas padrão FIFA sob pena de perderem suas licenças de trabalho.
A rede hoteleira foi forçada a aceitar regras da FIFA, sob pena de "vocês não querem ficar fora copa, né? Assim teremos que deixar seus nomes e endereços fora das recomendações em nosso site e aos nossos negociadores turísticos em outros países". Essa EU OUVI de um representante da empresa-braço-mercadológico da FIFA em reunião com hoteleiros em Porto Alegre em 2011, ordenando regras aos empresários.
O prefeito de Porto Alegre, infeliz em muitas coisas que faz e diz, pronunciou uma das pérolas que ficarão nos ANAIS da história de Porto Alegre.
"As pessoas não usam as árvores" disse ele, justificando o corte indiscriminado de árvores em função 'das obras da Copa' numa cidade onde foram presos os secretários estadual e municipal do Meio ambiente! VEJA vídeo
NOS HOSPITAIS, ah, os hospitais que o Ronaldo despreza!, tive alguns amigos e familiares internados durante um bom tempo, mas há mais de 3 anos eu não entrava, de verdade, nos hospitais de Porto Alegre - por ter morado um tempo em SP e não ter tido necessidade. Mas em função do estado de saúde do meu pai - que tem plano pelo IPE/RS tenho vivido e presenciado situações que são de gritar e chorar de raiva.
Poderia contar durante horas tudo que temos vivido mas vou citar a mais hilária e recente história.
Pouco antes de uma sessão de quimioterapia no hospital MOINHOS DE VENTO (sim, esse mesmo, onde fica inclusive nosso querido Luis Fernando Veríssimo) há algumas semanas, meu pai precisou ser encaminhado para a emergência. Ele faz quimioterapia lá principalmente por ser mais perto de casa. Ele foi colocado numa maca e logo veio uma técnica em enfermagem medir pressão, temperatura e tal. Aos poucos fui percebendo que o corredor onde estávamos era justamente onde ele seria atendido. Várias macas alinhadas e na parede uma placa: CORREDOR. E ao lado de cada maca, um número 1, 2, 3... Sim, os leitos estão no corredor do hospital privado que atende convênios e ponto. logo ao lado da porta - pra rua - por onde entram pacientes trazidos por ambulâncias de acidentes de carro, por exemplo e passam colados a nós aos atropelos.
Pediram pra eu ir na recepção e ao longo do corredor mais estreito estavam enfileiradas cadeiras de roda onde estavam idosos com seus soros e medicamentos pendurados. Um na frente do outro, estacionados ao longo da parede do corredor. Alguns até no canto, de frente pra outra parede.
Cheguei na recepção - lotadíssima - e me chamaram ao telefone. Era a enfermeira que levou meu pai até ali avisando que a emergência no hospital não era cadastrada pelo IPE e querendo saber se faríamos o atendimento particular. Confirmei com meu pai e falamos que se ele tivesse que internar, iríamos pra Sta Casa.
Tudo que foi feito foi eu assinar o papel. Então vieram 4 ou 5 vezes junto a maca saber se iríamos mesmo pagar o atendimento e lá pelas tantas, eu já irritada fui atrás do médico. Ele disse que estava vendo com a Sta Casa se tinha lugar na emergência (que lógico, estava superlotada) pra poder mandar meu pai pra lá. Como não tinham feito NADA, eu falei que tinha chamado uma pessoa com carro pra levarmos ele embora. E me explicaram que antes de eu assinar eu podia ter feito isso, mas depois, era ANTI ÉTICO o médico liberar pois ele seria responsável. Uma ambulância demoraria até 4 horas pra chegar e custaria 400 reais pra um percurso que costumo fazer a pé de tão perto.
Perguntei pro médico se ele sabia onde eu queria que ele enfiasse a ética dele e tiramos meu pai de lá com alguém no encalço perguntando quem pagaria o atendimento!!!!! Voltamos pra pagar e não sabiam o que deveria ser cobrado. Demoraram tanto que até o porteiro falou: ah, vão embora, cuidem dele.
Fomos.
E esta semana chegou uma fatura cobrando 200 reais POR UM ATENDIMENTO QUE NÃO FOI FEITO!!! hahahahahahahhahahahahahhaha
Mesmo na Sta Casa, onde os profissionais se esmeram pra fazer o melhor que podem, faltam remédios que temos que comprar na farmácia, dão remédios errado, perderam meu pai no complexo após uma cirurgia e - quando não poderia sequer beber água - deixaram-no sem soro (por esquecimento) durante 4 dias e ele gritava de fome!! Fomos nós que finalmente percebemos que ele deveria ter soro, pois nenhum médico ou enfermeiro tinha notado!
Tive que levar um T (benjamin, aquele adaptador pra tomada) pra fazerem um eletrocardiograma pois o aparelho é antigo e as tomadas são novas, trocadas por exigências como sabemos da "nova legislação".
Exames são feitos durante 24h pois não há profissionais ou equipamentos suficientes pra atender a demanda. Então meu pai já foi no frio, fazer exame às 3h da manhã. Na última internação, 'esqueceram' uma parta do procedimento preparatório pro exame que incluía 8h de jejum. ele teve que ficar 16h sem comer ou beber por causa disso.
E TUDO ISSO POR QUE ELE PAGA O MELHOR PLANO DO IPE HÁ MAIS DE 50 ANOS!!!
Quem já passou pelos corredores do SUS sabe que é de rasgar o coração, que dá vontade de gritar a arrebentar a tapa de quem rouba dinheiro nesse país.
E TEM AINDA QUEM NÃO ENTENDE QUE ESTAMOS CANSADOS??
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sexta-feira, 5 de abril de 2013
Cumpridor de tarefas ou ser humano?
Existe um abismo estreito e profundo entre cumpridores de
tarefas e seres humanos.
Geralmente percebemos a diferença quando vivemos alguma
situação extrema e difícil em que precisamos, sobretudo, de todo carinho
possível. Não há como passar, pra todas aquelas pessoas solícitas que se
oferecem pra ajudar, problemas e questões que só podem ser resolvidas e vividas
por nós. Nesses momentos, tudo que precisamos é o carinho de um telefonema, uma
mensagem de apoio, uma presença amiga.
Dentro de um hospital a vida corre diferente. O tempo passa
de forma estranha. Parece lento e ao mesmo tempo é rápido. Os dias e situações
se confundem na memória de quem fica muito tempo lá. Situações complicadas são
o cotidiano de pessoas que escolheram a área da saúde como ofício. Há algum
tempo procura-se resgatar a humanidade entre os profissionais da saúde. E
percebe-se como isso está sendo posto em prática dentro do Complexo Hospitalar
Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre.
Após quase 30 dias dentro da Santa Casa só podemos olhar com
gratidão pra cada uma dessas pessoas. Pessoas com quem compartilhamos aflições
por familiares hospitalizados e também pessoas que lá estão por uma escolha de
vida. É praticamente um sacerdócio dedicar-se da maneira como fazem funcionários
da copa, da limpeza, da enfermagem, os médicos, funcionários administrativos. A
administração procura fixar a idéia de que os pacientes e seus familiares
precisam ser tratados como clientes. Falha, pois todos nos trataram como seres
humanos e por isso, não há preço. Não há salário que os faça ainda melhores do que
já são.
Uma amiga está com a mãe hospitalizada no mesmo andar e por
isso nossa vida ficou, durante semanas, centralizada no Hospital Santa Rita. Observamos
situações diversas em que paciência, dedicação, carinho, competência são
constantes em cada atendimento. Em casos felizes como o nosso em que levamos
meu pai pra continuar o tratamento em casa seria fácil trabalhar com alegria e
dedicação. Mas o que dizer de momentos em que foi necessário um atendimento de
urgência no meio da madrugada ou atenção emergencial numa tarde aparentemente
calma? A mesma dedicação, calma, carinho, competência, agilidade. Humanidade.
Se há falhas, ficam por conta da falência do sistema de saúde
do país, não importando se temos um plano de saúde especial, pois a falta de
leitos e superlotação da emergência são apenas a ponta visível do iceberg.
Palavras são sempre poucas pra expressar gratidão quando tudo que nos ocorre são lágrimas. Tristeza, alegria. Lágrimas.
Lágrimas que muitas vezes surgem em momentos de desespero brotam em nossos olhos sem que saibamos como contê-las. Mas não é necessário, pois neste momento elas são de gratidão profunda por cada ser humano que encontramos nesses corredores.
Mas esta postagem era pra ser mais simples. Nossa família só quer dizer com um olhar sincero: ESTAMOS MUITO AGRADECIDOS.
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terça-feira, 26 de março de 2013
Cansei?
Desisto. Foi o que finalmente pensei ontem. Cabeça cheia de questões pessoais ouço a mãe de professora estadual - que sofre todo tipo de problema para ensinar - dizer que ia fazer a sua parte: PARAR pra ver o jogo. Futebol. A senhora trabalha com esporte? Não. Acompanha campeonatos? Não, mas é o que mostram, né? Tem que torcer pro Brasil. É isso que querem: manter as pessoas na ignorância enquanto saúde e educação naufragam há tempos. Mas se eles me dizem pra torcer eu torço, educação e saúde é problema do governo que rouba. Eles quem? Não sei, mas tá na televisão.
é, cansei...
é, cansei...
terça-feira, 12 de março de 2013
SANTA Casa 933
Na tarde de segunda-feira dia 11 de março de 2013, este era
o tempo de espera na emergência do Complexo Hospitalar Santa Casa de
Misericórdia de Porto Alegre para convênios e particulares. Se não há risco aparente de morte ou
convulsões, você pode esperar até 10 horas pra ser atendido por um médico.
E tudo está funcionando! Nenhuma falta de funcionários ou
médicos. É a demanda que está enorme. Muita gente vinda de todas as partes do
estado.
Para convênios ou particulares, de acordo com a urgência, um
leito pode demorar vários dias pra ser liberado a quem espera enquanto recebe
atendimento na emergência (sentado em sala de medicação ou em macas na
observação). O atendimento é recebido, os funcionários são educados, fazem o
que podem. Mas as filas pra leito ou exames são enormes.
Normalmente sabemos destas dificuldades, mas encará-las de
frente é bem mais complicado. Tem horas que dá vontade de sacudir alguém,
gritar, sei lá.
Nesse mar de intranquilidade na área da saúde, as pessoas são
a parte mais delicada e importante de tudo.
Aos poucos fica-se por dentro da rotina do hospital, sabe-se
os horários dos plantões, nomes dos funcionários, como cada coisa funciona. Cumprimentam-se
familiares de pacientes em situação semelhante que vemos todos os dias e com
quem aprendemos a conversar. Mesmo alguns “de passagem”, que ficam apenas
algumas horas. Desvendam-se os labirintos de corredores brancos e entre
esguichos de álcool, copos de café e água, experimentamos todos os bancos,
cadeiras, ângulos de visão e observamos.
Não a televisão cujo tubo de imagem está tão cansado que
parece a ponto de estourar. Observamos as pessoas que estão, as que vêm e vão. Os
que lá trabalham e os que chegam em busca de ajuda.
Desde o final de semana, quando chegamos, observamos as “ondas”
de pacientes. Nunca fica ‘vazio’, com menos de 15 pessoas na sala de ‘espera’ da
emergência. Há um contador que deveria sinalizar as senhas chamadas; por algum
motivo não funciona –parou no 933 e não foi desligado- e estas senhas são distribuídas em papel
anexadas aos documentos do paciente que passará (dependendo da necessidade com
1 acompanhante) à sala seguinte para triagem (quando alguém checará sinais
vitais e primeiras questões pra levar ao médico).
Quem fica do lado de fora nada sabe além das mensagens de
celular trocadas entre um lado e outro. Até onde observamos, os funcionários são
atenciosos, os médicos realmente interessados e até hoje não ouvi alguém dizer
a palavra “virose”, uma das piadas prontas de quem precisa de atendimento médico.
Aliás, as piadas ficam por conta daqueles que, como nós,
esperam alguma coisa do lado de fora, quando ouve-se por exemplo a frase “é só
esperar chamar”. Quando batemos a marca das primeiras 24h cantarolei o tema da
vitória de Airton Senna. Não sabemos os nomes uns dos outros – estranho isso – apenas
“apelidos” ou o nome do paciente como referência. Do mesmo jeito que se dá
referência às pessoas que encontramos na rua passeando seus bichos de estimação:
a “mãe” do terrier amarelo, essas
coisas, sabe?
Trocamos informações, alcançamos lenços de papel, carregador
de bateria de celular, cuidamos se alguém chama enquanto o outro vai no banheiro
ou na cafeteria. Uma comunidade estranha se forma. Comunidade daqueles que,
como seres humanos, se ajudam e se amparam. Ficamos preocupados pois já sabemos
da notícia que determinado familiar terá ao chegar e nos emocionamos com ele.
E na aparente indiferença dos funcionários percebe-se a
necessidade vital de autopreservação. Premissa básica para continuar a trabalhar
num ambiente assim.
Vê-se também exemplos como o do funcionário Sergio, que
vimos ontem pela primeira vez. Delicadeza, determinação, paciência,
boa-vontade, competência ímpares! Ao chegar, a confusão era muita. Do lado de
dentro, ocupando lugares, pessoas que deveriam estar fora. Outros que deveriam
estar na traumatologia. Gente exigindo atenção. Desde pessoas que apenas
precisavam falar com alguém ‘dentro’ até pessoas que chegavam em situação grave.
Ele ia medindo as necessidades, rapidamente e com toda a educação e calma do
mundo reorganizou tudo. Encaminhou cada pessoa pra onde de direito. Ao fazer
isso, elevava ligeiramente a voz pra ser ouvido por todos, explicava detalhada
e pausadamente uma única vez, todo o procedimento – fosse de atendimento ou
visita e a cada pessoa atendia com toda a atenção do mundo! E a calma e o silêncio
aos poucos foram restabelecidos no recinto.
Era apenas isso que as pessoas queriam: atenção, respostas,
carinho.
E enquanto ele atendia alguém os demais esperavam, pois
sabiam que receberiam o mesmo cuidado.
Pra este senhor, eu certamente tiro o meu chapéu.
Alguns momentos de descanso antes de voltar pro meu “turno”
e a visita das 22h na ala da emergência, torcendo pra que hoje consigamos um
quarto.
Isso é o que acontece num país onde é mais importante
construir estádios de futebol que hospitais e aparelhá-los.
Tenho até medo de mostrar na outra ponta do complexo como
está a área do SUS.
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